Política
DOSSIÊ DE CONSELHO APONTA DEFICIÊNCIAS CRÔNICAS DO HGE
Problemas incluem esgoto em corredores, geradores quebrados e extintores vencidos; secretário minimiza: “Querem saúde da Suécia”
O Conselho Estadual de Saúde entregou ontem a gestores da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) um vasto documento contendo inúmeras irregularidades históricas nas dependências do Hospital Geral do Estado (HGE). O documento contempla problemas crônicos, frutos do descaso por parte da gestão do governo Renan Filho (MDB). Dentre as irregularidades, pacientes e servidores da unidade convivem diariamente com esgoto no meio dos corredores, falta de extintores de incêndio, geradores sem funcionar e ares-condicionados quebrados, comprometendo, ainda mais, o quadro de saúde de quem está interno no maior hospital do Estado.
Após a leitura do relatório, o secretário Executivo de Ações de Saúde, Paulo Luiz Teixeira Cavalcante, disse que os denunciantes exigiam “saúde da Suécia” e esqueciam que estavam no Brasil. “Não compro maquina na esquina, não assino contrato na esquina”, afirmou, culpando a lei 8.666, que rege as licitações e contratos no poder público, pela lentidão nas demandas apresentadas pela direção do HGE à Sesau.
A denúncia feita pelo conselho se baseia em duas visitas dos conselheiros ao hospital, nos dias 17 de outubro e 27 de dezembro. Foram constatados riscos de incêndio elevados no local, com geradores que datam até da década de 70 e que não recebem a devida manutenção. Os específicos da estrutura elétrica do prédio são desconhecidos, já que não há projeto
Planos de contenção de fogo e de evacuação também não foram feitos até hoje, e alguns dos extintores de incêndio venceram em 2018. A conselheira Josileide da Silva relembrou o caso do Hospital Badim, que teve um incêndio iniciado em um gerador que matou dezenas.
Em uma reunião fechada realizada pelo CES com a Sesau, foram apresentadas as principais queixas e solicitadas respostas da secretaria. A justificativa para a falta de manutenção nos geradores, por exemplo, foi a dificuldade em encontrar uma peça no estado.
Em relatório, o conselho pontuou que “não aceita nenhuma das justificativas apresentadas” pelo governo.
ESTRUTURA PRECÁRIA
Um vídeo que circulou pelas redes sociais e foi noticiado pela Gazeta mostra uma mãe reclamando das péssimas condições na maternidade, que estava extremamente quente devido a quebra de um aparelho de ar condicionado. O CES constatou que a maior parte dos aparelhos não funcionavam. “Foi feita a solicitação de 30 aparelhos de ar condicionado, só 14 chegaram”, diz o relatório. Segundo a Sesau, os aparelhos não foram levados porque o hospital não tinha depósito. O mesmo motivo foi usado para justificar o acúmulo de equipamento nos corredores da unidade. Os aparelhos enferrujados seriam devido à maresia, e precisam ser substituídos por outros. Elevadores quebrados, portas desgastadas devido ao impacto de macas e pisos arrebentados também foram anexados com imagens à denúncia. As portas do hospital não possuem acessório normalmente usado para evitar desgaste com macas. Os pisos arrebentados podem gerar contaminação, por serem impossíveis de limpar corretamente. A Sesau afirmou que haviam planos para comprar elevadores novos e reparar os atuais, mas não precisou a quanto tempo esses projetos corriam ou quando seriam entregues ao hospital. Trabalhadores do Serviço Ambulatório Móvel (Samu) também reclamaram que ambulâncias muitas vezes ficavam sem equipamento, devido a falta de leitos no hospital. Os pacientes chegavam nas macas e elas não eram devolvidas, para suprir a necessidade. Um paciente foi visto, no dia 17 de outubro, durante visita do CES, dormindo na mesa do recepcionista, devido à falta de leitos e a demora no atendimento. A recepção em questão não tinha funcionários, e estava lotada. Parte da equipe também reclamou das péssimas condições de trabalho. Enfermeiros disseram que não é disponibilizado nenhum tipo de Equipamento de Proteção Individual (EPI) ou fraldas, e que os pacientes tinham que ser limpos com panos. O mesmo problema foi relatado por acompanhantes de pacientes.
DEZ MILHÕES DE REAIS
Caso Nayane: laudo do IML não encontra sinais de violência, mas investigação continua
Gari de 31 anos é morto a tiros no Vergel do Lago, em Maceió
Acidente mata agente comunitária de saúde em Palmeira dos Índios
Soluções defensivas do CRB - 30/07/2026
Datas das quartas de finais da Série D definidas - 30/07/2026
A Secretária de Estado da Saúde afirmou que seriam injetados R$ 10 milhões de reais no Hospital Geral do Estado, com o intuito de suprir as presentes necessidades e fazer reformas estruturantes para melhorar o atendimento da unidade. O Conselho recebeu a medida com ceticismo, e pediu para acompanhar a aplicação do dinheiro para garantir a lisura e a eficiência das medidas.