Política
OAB/AL VAI LEVAR AO CONSEG CASO DE AGRESSÃO A ADVOGADO
Profissional alega que levou soco no rosto dado por um policial militar enquanto buscava por informações sobre cliente preso
Um advogado foi agredido com um soco no rosto por um policial militar, na noite da última quarta-feira, enquanto acompanhava um cliente suspeito de furto de veículo. Por conta disso, a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas (OAB/AL) confirmou à reportagem que vai levar o caso para o Conselho Estadual de Segurança (Conseg).
Segundo o secretário-geral da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas (OAB/AL), Leonardo Moraes, o advogado levou um soco no rosto enquanto desempenhava a sua função. Ele disse que o colega de trabalho foi acionado após uma denúncia anônima em que apontava seu cliente como suspeito de ter furtado uma motocicleta. Durante o atendimento, ao se apresentar como advogado do suspeito, o profissional foi agredido.
“Ele depois foi obrigado a ficar no canto da parede juntamente com o seu cliente. Quando quis sair, teve uma arma apontada para o seu rosto, e, ao final, foram proferidas contra ele palavras de baixo calão”, relatou Moraes.
O fato foi registrado na Central de Flagrantes I, no bairro do Farol, onde foi confeccionado um Boletim de Ocorrência (BO), pelos crimes de abuso de autoridade, injúria e lesão corporal. O caso foi acompanhado pelo presidente da OAB/AL, Nivaldo Barbosa; o vice-presidente, Vagner Paes; e outros diretores da Ordem.
“[...] o policial militar Sebastião Cícero Oliveira Lins se dirigiu até o comunicante, bastante exaltado; que Sebastião de repente ficou irritadiço e agressivo; que o comunicante em resposta pediu calma ao militar, entretanto foi agredido de surpresa com um soco no rosto; que um outro militar então conteve Sebastião, enquanto outro policial imobilizou o comunicante contra a parede ao lado de seu cliente [...]”, diz trecho do Boletim de Ocorrência.
Conforme Leonardo Moraes, será instaurado um inquérito policial para investigar o caso, que, também, será levado ao Conseg, de forma que os militares envolvidos sejam responsabilizados pelo ocorrido.
VERSÃO DO MILITAR
O militar, por sua vez, informou ao delegado de plantão que não chegou a agredir o advogado, retirando o mesmo da calçada de forma proporcional e sem uso de violência. A medida foi tomada após o advogado ter se negado a se afastar do cliente.
“[...] algum tempo depois, o senhor Kleriston Lincoln apareceu no local; que de início ele não se identificou como advogado; que o comunicante e sua guarnição pediram para que Kleriston se afastasse; que explicaram que ele precisava se afastar por uma questão de segurança; que repetidas vezes Kleriston se negou a se distanciar e insistia que não sairia da calçada; que após diversas tentativas frustradas, o comunicante então retirou o senhor Kleriston do exato local onde estava, afastando-o alguns metros do sítio da abordagem que se desenrolava; que deslocou o advogado de forma proporcional e sem uso de violência. Por fim, destacou o comunicante que o suposto autor apenas exibiu sua carteira da OAB após ter sido deslocado da calçada”, aponta trecho da defesa do militar durante a confecção do Boletim de Ocorrência.