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Elei��es no Interior racham base do governo

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MARCOS RODRIGUES A movimentação política em torno das eleições municipais de 2004, no interior do Estado, pode ser o estopim para uma ruptura na base do governo na Assembléia Legislativa. Os primeiros sinais entre os parlamentares já começaram a aparecer. Entre os 27, dois rebeldes se destacam: Gilberto Gonçalves (PMN) e Cabo Luiz Pedro (PDT). Os demais agem silenciosamente, mas deixam claro que esperavam mais apoio do Palácio dos Martírios para suas bases. O deputado Cabo Luiz Pedro, há três semanas, demonstrou sua irritação contra o líder do governo, deputado Sérgio Toledo (PSB), durante as discussões de um projeto que reestruturava a Polícia Militar. Diante de vários deputados e de colegas policiais, ele não fez cerimônia em dizer que o líder não falaria com o governo. ?Não acredito que ele fale com Ronaldo Lessa. É líder mas não tem acesso ao governador?, disse o deputado Luiz Pedro, sem perceber que estava desmentindo Toledo. Continuidade Depois de criar uma confusão, ele se retratou, mas continuou votando contra o governo. Sua situação na base governista, segundo o próprio líder, é responsabilidade do governador. Luiz Pedro é considerado um político polêmico, não por suas ?explosões? repentinas, mas, principalmente, por suas constantes ausências em plenário. Quando aparece, não acompanha as discussões e raramente fica até o final de uma sessão ordinária. Por essa característica própria de fazer política, com indisciplina pessoal, ele é apontado nos bastidores como um dos que deixarão a base do governo mais rapidamente. Mas o próprio Luiz Pedro não fala sobre o assunto. O fato é que ele funciona como peça-chave para definir a eleição na periferia. Por isso, mesmo que deixe a base do governo, encontrará abrigo em outro grupo político. Definição Mas uma das rupturas que já começam a apresentar alguma definição é a do deputado Gilberto Gonçalves. Isto porque em sua cidade-base, Rio Largo, o grupo ao qual faz oposição vem se articulando para conseguir o apoio do governo. Conforme as últimas informações divulgadas na imprensa sobre as articulações na cidade, a prefeita Maria Elisa estaria montando uma aliança com o ex-prefeito Francisco Rocha. Ele estaria comandando uma união entre Vânia Paiva e Dione Moura. Segundo o deputado Gilberto, sua participação na base de apoio ao governo é resultado de um trabalho em grupo capitaneado pelo deputado Celso Luiz (sem partido), mas mantém sua independência como parlamentar. Desde que chegou à ALE, votou contra o governo um única vez, quando da aprovação do teto salarial para o Estado. ?Sou um deputado fiel. Voto nas matérias do governo e não tenho cargos. Espero que não exista o confronto. O melhor caminho em Rio Largo é a neutralidade?, sugere o deputado. De acordo com ele, sua candidatura na cidade é um apelo popular, mas ainda não existe nada certo, garante o deputado. Ainda assim, ele revela que seu nome, numa pesquisa espontânea, já apresentaria 70% das intenções de voto. Ele disse, ainda, que vem fazendo uma dobradinha com o presidente da ALE, deputado Celso Luiz. ?Já levei Celso a Rio Largo e ele viu como as pessoas da cidade têm carinho pelo nosso nome. É uma procura espontânea?, revelou o parlamentar. Indagado sobre a possibilidade real de ruptura, ele disse que prefere aguardar os fatos até o fim do ano. ?Em política, tem hora que é preciso esperar. O que percebo é que a população de minha cidade tem uma enorme consideração pelo nosso mandato e é a ela que devo alguma coisa. Por isso, tudo que venha a fazer é pensando no melhor para Rio Largo?, afirmou Gilberto, falando como pré-candidato. Independente O líder do governo, deputado Sérgio Toledo (PSB), preferiu amenizar a crise. Para ele, o acordo político feito com os deputados da base aliada não implica em apoios em suas bases. Conforme revelou, todas as ?pendências? com o governo foram resolvidas para a composição da base. ?O governo tem consciência do que ocorre em sua base e nos municípios. São coisas diferentes e não haverá interferência?, explicou Sérgio. A última reunião da bancada do governo aconteceu antes do recesso parlamentar, em junho. De lá até hoje, cada deputado vem se articulando em suas bases e até na ALE, de acordo com seus interesses. Acordos Desde que assumiu o governo após sua reeleição, o governador Ronaldo Lessa (PSB) vem mantendo uma relação cordial com todos os parlamentares. A moeda para isso foi a de sempre: cargos e prestígio no governo. Mas ainda assim existem os descontentes. Devido a esses acordos, o governo conseguiu um espaço importante para implementar a reforma, que alterou profundamente a estrutura administrativa do Estado. Foram três meses governando sem a participação do Poder Legislativo. Mas falta a apreciação final das mudanças, que ainda aguarda votação no Legislativo.

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