Política
Helo�sa e Lyra embaralham as elei��es municipais
ARNALDO FERREIRA A confirmação da candidatura do deputado federal João Lyra (PTB) a prefeito de Maceió sacudiu os bastidores políticos. Os partidos que apresentam nomes, agora buscam definições rápidas e tentam ampliar o seu leque de alianças. A principal adversária de Lyra nas pesquisas de bastidores, senadora Heloísa Helena (PT), vive um profundo dilema. Se a senadora for expulsa do partido, nos próximos dias 13 e 14 de setembro, poderá ficar sem legenda para emplacar o seu projeto político para a Prefeitura de Maceió e, assim, amargará a sua segunda renúncia em disputa eleitoral, em tão pouco tempo. A primeira aconteceu por volta de junho do ano passado, quando em plena campanha para o governo do Estado, liderando as pesquisas de bastidor, recusou fazer aliança com o PL, do deputado federal João Caldas. Heloísa chegou a um ponto bastante delicado. Em Alagoas, as tendências do PT estão divididas. As alas mais de centro do partido ligadas à tendência ?Articulação, Unidade na Luta?, do presidente do partido, deputado Paulo Fernando dos Santos - Paulão, e do presidente da Ceal, Joaquim Brito, defendem abertamente a expulsão da senadora. Sem sentido Um dos coordenadores das campanhas passadas de Heloísa Helena, o professor e jornalista Ricardo Coelho (hoje delegado regional do Trabalho), prega que não tem mais sentido a parlamentar, que lidera a ala dos radicais, continuar no partido. Para justificar, aponta que a senadora não se reúne com as bases e dirigentes do partido no Estado, há muito tempo, não faz discussões internas e atua na oposição as orientações do partido. ?Então, para que a senadora quer continuar no partido??, questiona Coelho. Mas as alas mais à esquerda do partido, como as tendências ?O Trabalho?, ?Democracia Socialista (DS)?, fecharam a semana distribuindo panfletos nas ruas de Maceió, cobrando a continuação da ?democracia petista? e a permanência de suas lideranças no partido. ?A senadora será a candidata a prefeita de Maceió pelo PT. Acho que haverá uma solução política para este impasse e a nossa senadora continuará no PT?, diz o vereador Thomaz Beltrão, um dos líderes da tendência ?DS?. Mas quem pensa que a suposta saída de Heloísa Helena do PT poderá provocar esvaziamento do partido, se engana. O próprio Beltrão, que é aliado de primeira hora da parlamentar avisa: ?Eu sou PT, vou continuar no partido e se a senadora sair, permanecerei defendendo o projeto de Lula presidente?. Já o deputado Paulão, prefere não discutir a crise da direção nacional do partido com a senadora. Ele, no entanto, sustenta a sua candidatura dentro de um projeto de aliança. ?Estamos conversando com os partidos da base aliada para, num segundo momento, discutir política de aliança?, disse o deputado, sem fazer nenhum tipo de rejeição. Campanha A disputa ainda nem começou e o empresário João Lyra demonstra não dar bola para os adversários. Hoje, tenta imprimir um ritmo forte. Na última semana, participou de encontros com categorias profissionais, prestigiou reuniões políticas em Maceió e usou os horários da propaganda gratuita da Justiça eleitoral, concedidos ao seu partido, para fazer o seu marketing pessoal. PPS Outro que passou a semana trabalhando a candidatura de prefeito foi o ex-deputado federal Régis Cavalcante (PPS). O seu partido ocupa a Secretaria de Irrigação, do primeiro escalão do governo Ronaldo Lessa. Mesmo assim, e sem o menor constrangimento, disse que fará uma campanha de oposição à administração municipal. Também negou os boatos de bastidores, que dão conta de uma provável aliança com o deputado federal João Lyra. PSB Já o governador em exercício, Luís Abílio de Souza Neto (PSB), revelou que a confirmação da candidatura muda todo o quadro. ?O PSB sabe que teremos um embate forte pela frente. Os nossos candidatos estão preparados para o bom combate?, disse Abílio, ao acrescentar que as prévias que vão definir que será candidato socialista estão marcadas para acontecer até fevereiro. Os pré-candidatos do PSB são os deputados federais Givaldo Carimbão e Maurício Quintella, e o vice-prefeito Alberto Sexta-Feira. Correndo por fora, para tentar emplacar a reeleição de vereador, aparece nessa listagem de candidatos a prefeito o vereador Marcos Vieira (PSB). Os quatro pré-candidatos iniciaram uma programação de visitas à periferia de Maceió. A Prefeitura, para melhorar a imagem junto aos eleitores, está tocando a operação tapa-buracos, nas vias de maior fluxo de trânsito. Partidos grandes Os chamados grandes partidos: PMDB, PSDB, PFL, ainda não apresentaram os nomes para liderar a chapa majoritária na disputa pela Prefeitura da capital. Estrategicamente, esses trabalham para aumentar e renovar seus quadros. Discussões sobre as candidaturas, só depois de outubro. Já o senador Renan Calheiros, recomenda aos seus aliados evitar discutir o processo sucessório de 2006, quando deve sair candidato ao governo. Ele quer evitar a queimação antecipada da candidatura que, até agora, só aparece nas conjecturas de bastidor. Conservadores O PDT sustenta a candidatura do deputado e radialista policial Cícero Almeida. O partido, nacionalmente, conversou com Heloísa Helena, mas não ficou nada amarrado. A própria senadora andou confirmando a conversa, mas em entrevista à RÁDIO GAZETA DE ALAGOAS, disse que não pretendia entrar no PDT e nem prejudicar a candidatura do deputado Cícero Almeida. No Diretório Municipal do PDT existe resistência contra o acesso da senadora. Os articuladores da candidatura de Cícero Almeida querem emplacar o deputado cabo Luiz Pedro, como vice na chapa. O PMN aposta na candidato do deputado Cícero Amélio. O parlamentar está conversando com vários partidos, inclusive com o PTB, de João Lyra. Amélio passou a ser cotado como candidato a vice.