Política
Queda do FPM pode sustar reajuste de vereadores
ARNALDO FERREIRA A Câmara Municipal de Maceió quer aumentar o seu duodécimo de R$ 16 milhões para poder pagar o reajuste de 54% nos salários dos vereadores. Para isso, a mesa diretora acompanha a evolução do crescimento da receita financeira do município. Porém, convive com o pesadelo das constantes quedas do Fundo de Participação Municipal (FPM). O orçamento da Câmara é correspondente a 5% da receita líquida total do município, mas a Prefeitura amarga, ao longo dos meses, queda constante de receita do FPM, como acontece com a maioria dos municípios brasileiros. Isso pode provocar redução de servidor e até de salários. Os 21 vereadores hoje torcem para que o município melhore o seu perfil de arrecadação. O presidente da Câmara, Alan Balbino, e o segundo secretário da mesa (cargo que equivale ao de tesoureiro geral), Galba Novaes Filho (PL), ainda não sabem como vão pagar o reajuste de 54% que os vereadores têm direito. ?O vereador de Maceió é o mais mal pago, hoje, no País. Nós recebemos o menor vencimento de vereador de capital?, diz Galbinha, e sustenta Alan Balbino, que arremata: ?Defendo que o desembargador, o juiz, os deputados, os vereadores e as outras profissões que exigem tranqüilidade financeira para defender os interesses coletivos da sociedade, têm de ser bem remunerados?, frisou o presidente da Câmara. Para evitar passar por dificuldades financeiras e manter suas atividades políticas, a maioria dos vereadores decidiu também continuar no exercício das atividades profissionais. Na Câmara, entre os vereadores, há engenheiros, construtores, arquitetos, professores, médicos, radialistas, líderes religiosos, sindicalistas e líderes de minorias. Quase todos os parlamentares preenchem o seu tempo com atividades extra Câmara. O líder da prefeita na Câmara, Pedro Alves (PSB), é um dos tantos que também ocupa a metade do tempo exercendo a sua profissão de médico. O líder do PSB, na Câmara, arquiteto Marcos Vieira, também não largou a sua prancheta profissional. Assistencialismo Nesta nova versão da mesa diretora da Câmara, a outra tentativa é mudar o perfil do parlamento, ou seja, acabar com a imagem assistencialista para ser uma casa política que cumpre o papel constitucional de fiscalizar as ações do Executivo. ?Tem muita gente que ainda insiste em conseguir na Câmara botijão de gás, colchão, cestas básicas, remédios, passagens de ônibus. Queremos mudar isso, porque desta forma se prostitui o político, que precisa estabelecer outro tipo de parceria com as comunidades?, defende o vereador Alan Balbino. O próximo passo da Câmara é provocar a Justiça eleitoral e a Procuradoria-Geral de Justiça, a investigar as denúncias de compra de votos por suposto cabo eleitoral. ?A GAZETA DE ALAGOAS, inclusive, publicou o depoimento de algumas pessoas, explicando como funciona esta prática que corrompe o eleitor e agride a delegacia?, desabafou o presidente da Câmara. O vereador Marilúzio de França Moura (PL), em discurso, destacou que o eleitor precisa ficar atento e na hora de votar, escolher bem o candidato, deixando de lado os que tentam ganhar voto comprando ou trocando por cestas básicas.