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Negocia��o fracassa e desocupa��o de fazenda acontece na segunda

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MARCOS RODRIGUES Sem acordo. Foi assim que terminou a rodada de negociação, mediada pelo ouvidor agrário, desembargador Gercino José da Silva, com representantes da Fazenda Flor do Bosque, em Messias, trabalhadores rurais ligados à Comissão Pastoral da Terra e representantes do governo do Estado. Depois de um dia inteiro tentado convencer o proprietário legal da fazenda, Waldemir Rodrigues dos Santos, a vender a área invadida para a União, sem sucesso, está mantida a reintegração de posse para a próxima segunda-feira (8), conforme determinou o juiz Gilvan Santana. O impasse da venda da propriedade poderá, inclusive, resultar em sanções para os atuais arrendatários da área, atualmente a Usina Santa Clotilde. O advogado do grupo, Paulo Brêda, disse que não teme sanções para financiamentos porque seus clientes não estão fazendo nada errado. ?Como seremos punidos se estamos produzindo e agindo dentro da legalidade? A venda da propriedade, ou não, é uma decisão de seu proprietário, que não aceitou?, argumentou o advogado, garantindo que não pediria a prisão do comandante da PM, cel. Edimilson, pelo descumprimento de mandado judicial na última terça (2). Ele deixou a reunião convicto da reintegração e disse que a lavoura plantada pelas famílias será avaliada e paga, em gêneros alimentícios. A primeira etapa da negociação aconteceu no Tribunal de Justiça, onde o ouvidor Gercino solicitou a intermediação do presidente do TJ, Geraldo Tenório, para pedir mais 72 horas ao juiz Gilvan. O objetivo era tentar ganhar tempo para encontrar uma solução pacífica para o conflito. ?A União tem interesse pela propriedade, por causa das suas condições de atender às necessidades das famílias que lá estão e ao programa de reforma agrária do governo?, explicou Gercino. Foram mais de 10 horas de reuniões entre Tribunal de Justiça e Palácio do governo tudo acompanhado de perto pela comissão de Direitos Humanos da Polícia Militar de Alagoas chefiada pelo coronel Adilson. Prontidão Ele disse ao presidente do TJ que a PM está de prontidão para garantir o cumprimento do mandado da justiça, porém ressaltou que aguardará o desfecho de todas as negociações. ?Queremos cumprir a decisão da justiça, mas não podemos esgotar as negociações para evitar o confronto entre famílias e policiais?, afirmou. Os conflitos na fazenda Flor do Bosque são antigos. A CPT, chegou no município na área há seis anos. É o maior acampamento do movimento com mais de 100 famílias. Desde 1991 que os proprietários da fazenda tentam a sua reintegração, mas sempre esbarram na resistência dos trabalhadores. Como mais uma vez não chegaram a um acordo as negociações continuarão ainda hoje. Segundo o líder da CPT, Carlos Lima, a única certeza é que as famílias continuam na área. ?Vamos resistir para defender nossas lavouras?, disse.

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