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PT concentra cargos federais na Regi�o Nordeste

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Brasília (Agência Nordeste) - Em nove meses à frente do Governo Federal, o Partido dos Trabalhadores (PT) ainda não preencheu todos os 22 mil cargos de confiança espalhados pelo País a que tem direito. Nos últimos dias, evidenciou-se que a demora para o cumprimento dessa missão não está na dificuldade em se encontrar pessoas especializadas em determinadas funções, mas no processo político. O Planalto ainda não tem maioria no Congresso para aprovar matérias consideradas fundamentais ao sucesso do Governo Lula, como as reformas tributária e previdenciária, e tem utilizado os cargos para garantir o apoio. O problema é que ao adotar o critério político nas indicações, o PT acabou provocando uma crise em diversos setores, como o de saúde e o de reforma agrária. O resultado mais evidente foi o desmantelamento de instituições como o Instituto Nacional do Câncer (Inca), sediado no Rio de Janeiro, considerado um centro de excelência no tratamento da doença, e a explosão da violência no campo. Desde o início do ano, cerca de 20 pessoas já morreram em conflitos agrários. No Instituo do Câncer, a conseqüência foi a falta de medicamentos e até de gases utilizados durante as cirurgias. Isso aconteceu após o PT ter permitido a indicação da ex-presidente da Fundação Parques e Jardins Zélia Abdulmacih para a direção executiva de administração do hospital, responsável pela compra de remédios e materiais. Abdulmacih chegou ao cargo por ser mulher do presidente da Câmara Municipal, Samir Jorge (PDT). Nordeste Na Região Nordeste, os principais cargos federais foram ocupados por pessoas ligadas ao partido do Governo ou a seus aliados. A prática se evidencia na Bahia, onde os cargos saíram das mãos do PFL, do senador Antonio Carlos Magalhães (BA), e migraram para a dos petistas, que estão no controle da direção regional da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), do Incra, do Ibama, da Delegacia Federal de Agricultura e do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit). O loteamento de cargos federais no Ceará ainda hoje causa transtornos entre os partidos da base aliada. Os principais órgãos com sede no Estado, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) e o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) ficaram com os petistas, que indicaram Eudoro Santana e Roberto Smith, respectivamente. Mas, embora tenham sido nomeados pelo partido do Governo, os dois nomes tiveram que ser avalizados pelo ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, que também indicou alguns diretores dos dois órgãos. O ministro ficou ainda com a diretoria da Fundação Nacional de Saúde, ocupada pelo ex-presidente da Assembléia Legislativa, Welington Landim (PPS). O PT no Ceará também ocupa a Companhia Docas (Raquel Marques, mulher do prefeito de Quixadá, a 190 quilômetros de Fortaleza, Ilário Marques) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Raimundo Kamundo, ex-vereador de Icapuí, a 210 quilômetros de Fortaleza). Alguns órgãos de segundo e terceiro escalão estão nas mãos do PMDB, como o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Estradas, Departamento de Defesa do Patrimônio e Companhia Nacional de Abastecimento. O MST indicou o superintendente regional do Incra. O sindicalismo escolheu o delegado regional do Trabalho, Alberto Fernandes. Em Pernambuco, o PT ficou com a maioria das indicações (Incra, Funasa, Ibama, Correios, Codevasf, INSS e Funai). A Superintendência da Sudene, que provavelmente deve ficar nas mãos de Tânia Bacelar, que coordenou o Grupo de Trabalho Interministerial para a recriação do órgão, é um caso a parte. Trata-se de uma indicação pessoal do presidente Lula, e por isso não passará pelo crivo estadual do partido. Já o PSB, de Miguel Arraes, ficou com cargos na Chesf, Fundacentro e Metrorec. O único cargo obtido pelo PTB foi a diretoria do Dnit. O PT no Maranhão enfrentou apenas problemas internos para a indicação de nomes para os cargos federais. Logo após as eleições, as diversas correntes se reuniram para indicar nomes, mas o que predominou foi a força do campo majoritário, representado no Estado pelo deputado federal Washington Luís. Coube ao PT maranhense indicar nomes para o Incra, DRT e Ibama. Para esses cargos, foram indicados nomes ligados ou da tendência articulação de Esquerda, do campo majoritário, do qual faz parte o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em outros considerados estratégicos, como Caixa Econômica e Banco do Brasil permaneceram nomes da própria instituição. Na Receita Federal e na Polícia Federal, o PT não teve qualquer ingerência, permanecendo os chefes do governo anterior, ligados ao Grupo Sarney. O loteamento dos cargos federais no Piauí também contemplou os petistas, apesar de o PMDB do senador Mão Santa (PMDB) ter sido mais prestigiado. O apoio do senador foi considerado fundamental para a eleição do petista Wellington Dias para o Governo do Piauí. Nos últimos dias, entretanto, o senador tem feito críticas ao Governo Federal, o que levou a Executiva do PT do Piauí encaminhar um ofício ao ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, solicitando a exoneração dos cargos indicados pelo senador, ou o seu enquadramento na base aliada do Governo. A superintendência do Ibama no Rio Grande do Norte continua sendo o grande ?mistério? do Governo Federal no Estado. Enquanto os funcionários já fizeram até abaixo assinado para que o atual superintentende Claudius Monte permaneça no cargo, o Partido dos Trabalhadores está lutando para emplacar o nome do professor Sólon Silvestre. A legenda do presidente Lula conseguiu duas diretorias de destaque no Estado. Na superintendência do Incra foi indicado César José de Oliveira. E na delegacia do Patrimônio da União está Ieda Cunha Medeiros. Alagoas A disputa pelos cargos federais em Alagoas provocou um clima de oposição entre o partido dos trabalhadores e o Governo do Estado, que pertence ao PSB. O caso mais emblemático foi a disputa pela superintendência do Ibama. A indicação deveria ter sido feita pelo governador Ronaldo Lessa, que sugeriu a presidente do Instituto do Meio Ambiente (IMA), Sandra Menezes (PV). A indicação não foi aceita pelo diretório regional do partido, que vetou o nome. A solução foi escolher um funcionário de carreira, Oswaldo Antônio Sarmento. O fato provocou um mal estar entre Governo do Estado e petistas. Já a superintendência do Incra foi preenchida por Mário Agra, integrante do PT alagoano. Critérios políticos Diante dos fatos ocorridos nos últimos dias, o Governo acabou admitindo que as nomeações para os cargos federais nos estados estão sendo feitas com base em critérios políticos. O líder do PT no Senado, Tião Viana (AC), salienta, entretanto, que isso não significa que o técnico está sendo descartado na hora de se definir as nomeações. Para ele, é possível conciliar as duas coisas. Em entrevista esta semana, Viana comentou a crise no Instituto Nacional do Câncer (Inca), ocasionada devido à indicação de uma funcionária sem qualificação para exercer a função de administradora do hospital, e deixou claro que o PT não mudará sua postura devido à pressão dos oposicionistas.

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