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Sem-terra prometem resistir na Fazenda Flor do Bosque

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ARNALDO FERREIRA Sem acordo entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra/AL) e o fazendeiro Waldemir Rodrigues, dono da Fazenda Flor do Bosques, no município de Messias, as 107 famílias da Comissão Pastoral da Terra (CPT) que ocupam a área desde 1988, vão ser retiradas pela Política Militar para que seja cumprida a ordem judicial de reintegração de posse. O início da operação da PM está marcado para as 8 horas desta segunda-feira. Mas as famílias de sem-terra prometem resistir. Na tarde deste domingo, os coordenadores da CPT participam da manifestação do Grito dos Excluídos, que acontece em Maceió, com outras entidades de trabalhadores rurais sem-terra e o movimento de sem-teto. ?Vamos buscar apoio para a resistência na Fazenda Flor do Bosque?, afirmou o coordenador estadual da Comissão Pastoral da Terra, Carlos Lima. Acampamento Entidades religiosas também estão se deslocando para Messias, a fim de engrossar a resistência das famílias. No acampamento, o clima é de muita apreensão com a ordem judicial, que determina, inclusive, a destruição das lavouras dos sem-terra. ?Temos mais de 20 hectares plantados de milho, feijão, mandioca, inhame, batata-doce, banana e outras culturas. Não é possível deixar que tudo seja destruído?, protestou o acampado Antônio Laurindo da Silva, 65 anos, que está há cinco anos na área e não consegue entender por que o Incra não resolveu a questão. ?O ex-superintendente do Instituto, Antônio Quixabeira, e o ex-presidente do Iteral estiveram aqui diversas vezes e nos prometeram que estavam resolvendo a questão. Agora, a gente vê que foi tudo conversa fiada?, desabafou. Outro que mostrava à reportagem da GAZETA DE ALAGOAS sua frustração e não escondia o medo da violência que pode acontecer nesta segunda-feira era o agricultor Antônio Pimentel. Estava no acampamento com a mulher e dois filhos menores de 10 anos. ?Quando chegamos aqui, não havia nada. Era tudo mato, uma terra abandonada. Nós plantamos e não podemos deixar que destruam nossa lavoura?, disse seu ?Tonho?, como é conhecido. Antes de aprender a trabalhar na lavoura, ?Tonho? ganhava a vida como biscateiro no Mercado da Produção, em Maceió, já trabalhou na estiva. O pai, que era agricultor, antes de morrer voltou a morar na roça com a família. ?Se sair hoje daqui, vou morar onde? Numa favela de Maceió? Se querem nos tirar da terra, têm de nos levar para outra área. A gente só quer um canto para viver em paz?, desabafou. As mulheres do acampamento pediram compreensão do fazendeiro e disseram que não têm para onde se transferir. As crianças também se preparam para o pior. ?Se nos tirarem daqui, vamos para a beira da estrada?, lamentou a agricultura Maria dos Santos Silva, 45 anos, que ocupa a Flor do Bosque há quatro anos. ?Vou lutar para não sair. Não temos para onde ir?, afirmou. À porta de sua barraca, com um cigarro de palha na boca, o agricultor Djalma dos Santos Pereira da Silva, 60 anos, ao ver a equipe da GAZETA DE ALAGOAS, perguntou: ?Como andam as negociações com o fazendeiro, o ouvidor agrário, Gercino da Silva, e o novo superintendente do Incra? Chegaram a algum acordo?? Como a maioria das famílias acampadas, Djalma também está tenso. Chorou quando tentava dizer que não tem para onde ir. ?Sempre trabalhei cortando, limpando e plantando cana. Cheguei à velhice sem ter um lugar para morar. Daí, não sei o que fazer se me tirarem daqui?, lamentou. Polícia O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Edmilson Cavalcante, em contato com o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Geraldo Tenório, garantiu que o mandado de reintegração de posse será obedecido. O coordenador da Comissão de Gerenciamento de Conflitos e Direitos Humanos da Polícia Militar, coronel Adilson Bispo dos Santos, estará presente no cumprimento da ação de reintegração de posse. Ele é um dos responsáveis, junto com o superintendente do Incra e o ouvidor agrário, pela dilatação em mais três dias do prazo para que se achasse uma solução negociada com o proprietário da Fazenda Flor do Bosque. ?Se não houver entendimento e o Incra não comprar a fazenda, a polícia tem de obedecer à determinação de reintegração de posse?, afirmou o coronel Adilson. O fazendeiro Waldemir Rodrigues, orientado por advogados dos ruralistas e de usineiros, desistiu de negociar o imóvel. ?Sou fornecedor de cana-de-açúcar para a Usina Santa Clotilde. A usina me paga direitinho, por isso não tenho o menor interesse de vender o meu imóvel para ninguém?. Waldemir negou, também, que seu imóvel estivesse improdutivo há cinco anos. ?Eu comprei as terras num leilão do Ministério do Trabalho. Mas há cinco anos não posso usar a produtividade total da minha terra, porque parte dela foi invadida por pessoas ligadas à Pastoral da Terra. Eu quero as minhas terras de volta?, frisou o fazendeiro, sempre acompanhado de perto por advogados dos ruralistas. A Igreja Católica não apresenta solução para alojar as famílias em outras áreas. A incerteza toma conta de todos.

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