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Parlamentares ruralistas defendem repress�o aos sem-terra

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MARCOS RODRIGUES O Poder Legislativo também não ficou fora da polêmica envolvendo a radicalização dos movimentos agrários, após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os deputados, inclusive da base do governador Ronaldo Lessa, que apóia a luta pela reforma agrária, já demonstraram que não concordam com as ações dos movimentos em obstruir estradas e saquear caminhões. Eles também cobraram do governo uma ação mais efetiva no combate ao que classificaram como ?abusos? dos trabalhadores. A casa tem tradição de confronto com os trabalhadores. Quando era presidente da mesa diretora da Assembléia Legislativa, em 2001, o deputado Antônio Albuquerque (PL) barrou a ocupação do prédio da ALE por centenas de trabalhadores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Na oportunidade, ele exigiu respeito das lideranças. Irritado com a invasão, chegou a dizer, em entrevista, que os expulsaria do local ?até de tabica? (galho qualquer que pode ser usado como chicote), para evitar a permanência deles na Casa Tavares Bastos. Hoje, o parlamentar, que também integra a base governista, continua engrossando o coro dos descontentes com as ações radicais, não só do MST. Na semana passada, Albuquerque voltou a lembrar o enfrentamento que teve ao apoiar a iniciativa do deputado Cícero Ferro (PMDB) em expor um vídeo contendo imagens de ações de vários segmentos dos trabalhadores sem-terra. ?Deputado, me solidarizo com sua preocupação em cobrar do Estado ações mais efetivas para coibir as ações dos movimentos, que estão ficando fora do controle?, sustentou. Ação O deputado Cícero Ferro, após a divulgação das imagens, afirmou que os sem-terra precisam se enquadrar no que manda a lei. ?Eles agem por contra própria e agora entram até em terras produtivas. Isso não pode continuar porque está afetando produtores sérios?, argumentou o parlamentar. Ele disse, ainda, que presenciou uma ação de famílias do MST, em Minador do Negrão. Segundo o deputado, os trabalhadores sem-terra invadiram a Fazenda São Francisco. A área é produtiva e pertence a Leopoldo Amaral. Esse fato chegou a revoltar outros produtores, que ainda pensaram em reagir. Mas coube ao deputado uma mediação com os trabalhadores. ?A primeira coisa que fizeram comigo quando cheguei ao local foi me cercar. Eram mulheres, homens e até crianças. Uma senhora se dirigiu a mim com um facão na mão. Depois de algumas horas de conversa decidiram sair?, revelou o deputado. O deputado disse, ainda, que conseguiu negociar com as famílias uma retirada pacífica, porém reconheceu que o clima no local era tenso. Um fato que chamou sua atenção foi o de que as famílias foram orientadas a ir para Minador. Ruptura O deputado Francisco Tenório (PPS) anunciou que sempre manteve ligações com integrantes dos sem-terra, mas anunciou sua ruptura mediante as ações, que também classificou como radicais. ?Apoiei o movimento pela reforma agrária, mas não sou favorável a estas ações em que não há controle e desrespeitam a lei. Entendo a reivindicação como justa, mas jamais poderei concordar com as estratégias que vêm sendo aplicadas?, justificou Tenório. Ele demonstrou preocupação com a possibilidade de confronto entre trabalhadores e produtores rurais. Segundo o parlamentar, já circulam nos bastidores informações de que existem fazendeiros dispostos a enfrentar os sem-terra em defesa de sua propriedade. ?Estou preocupado, porque tenho ouvido pessoas dizerem que se suas terras forem invadidas reagirão à altura. Não podemos deixar que isso ocorra, é preciso evitar um banho de sangue?, alarmou Tenório, sem revelar nomes dos fazendeiros que têm esta intenção. Governo O governo, representado na ALE, pelo deputado Sérgio Toledo (PSB), ainda definirá sua posição. Segundo ele, seria necessário conhecer as orientações do Palácio dos Martírios. Já o governador Ronaldo Lessa (PSB) disse que continua apoiando a luta dos trabalhadores, que tem de ser tratada como um problema social. Lessa disse, também, que não deve existir dúvidas entre os setores do movimento sobre seu envolvimento e interesse pela reforma agrária. ?Mas por causa das ações nós tivemos de endurecer um pouco para conter os excessos. Eles têm o direito a uma vida digna, porém como governador preciso garantir o direito de ir e vir e coibir a cobrança de pedágios?, afirmou o governador. Lessa voltou a reafirmar a defesa do processo de reforma agrária e sua confiança no governo federal na condução das crises no campo. Ele, afirmou, ainda que com o apoio de Brasília pretende fazer do Estado um ?espelho? de reforma no campo para todo o País.

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