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Entidades internacionais acompanham tens�o agr�ria

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MARCOS RODRIGUES A mobilização para garantir a posse da terra para fins de reforma agrária na Fazenda Flor do Bosque, em Messias, virou um símbolo internacional. Países como Portugal, França, Itália e Espanha têm comitês de solidariedade em favor dos sem-terra e da proposta de desapropriação feita pelo governo federal. O fato de os trabalhadores presentes na área pertencerem à Comissão Pastoral da Terra (CPT) ajudou na repercussão. Segundo o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), engenheiro Mário Agra, o órgão vem recebendo notificações destas entidades internacionais, que apóiam a luta dos sem-terra. ?O que me preocupa nesse processo da Fazenda Flor do Bosque é exatamente a repercussão internacional. Qualquer coisa que aconteça lá o mundo tomará conhecimento?, afirmou. Mário revelou isso ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Geraldo Tenório, durante encontro com a presença do ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva. Repercussão O ouvidor enviado pelo governo federal ao Estado, veio especificamente para tratar do impasse para a desapropriação. Dentro do governo o assunto também provocou repercussão. ?É um problema que só será resolvido com diálogo entre as partes. O governo me autorizou a negociar a aquisição da propriedade, basta agora chegarmos a um entendimento?, explicou Gercino. Esta foi a segunda vez que ele veio ao Estado mediar negociações entre trabalhadores e proprietários da Fazenda Flor do Bosque. O problema entre os dois lados já se arrasta há seis anos e vem se complicando ainda mais porque ao longo desse tempo a permanência no local virou um símbolo, para a CPT, da luta pela reforma agrária no Estado. A área é o maior acampamento desta corrente do movimento agrário. Igreja O grupo se articulou nacionalmente com o apoio do setor progressista da Igreja Católica. Ideologicamente se fundamenta na ?Teoria da Libertação?, difundida no Brasil por Frei Leonardo Boff e Frei Betto. Segundo a teoria, é possível defender as lutas sociais à luz do marxismo, mas com a mediação de Deus e a partir de uma interpretação social da Bíblia. É por causa da ligação com a Igreja que a CPT conseguiu internacionalizar a luta pela reforma agrária. A intensificação dos conflitos agrários no País e a revelação de que Alagoas está entre as áreas mais tensas, expôs ainda mais a mobilização dos trabalhadores acampados na Fazenda Flor do Bosque. Na sexta-feira o padre Manoel Henrique, que acompanhou parte da negociação no Palácio dos Martírios, pediu calma e paciência para ambos os lados envolvidos na disputa. Para o padre, o conflito vem ganhando cada vez mais repercussão junto à sociedade. ?Tudo que estamos negociando aqui está sendo acompanhado pela imprensa, o que exigirá calma e responsabilidade das partes envolvidas. Precisamos manter a calma e a disposição para o diálogo?, defendeu. Resistência Mas a disposição para o diálogo e, principalmente, a proposta da ouvidoria de, em nome do governo federal, negociar a compra da fazenda, esbarraram na resistência do advogado Paulo Brêda. Ele representa a Usina Santa Clotilde, arrendatária da área por oito anos. De acordo com ele, o problema com os agricultores sem- terra piorou em 2001, quando ocorreu a primeira tentativa de retirada das famílias. ?De lá até hoje venho negociando e concordando com mais prazos para retirada das famílias, que não abrem mão da fazenda. Já oferecemos, inclusive, uma área no município de Atalaia, por isso, não abriremos mão da reintegração?, explicou. Paulo acompanhou os ruralistas quando eles se encontraram com o presidente do TJ, em exercício, desembargador Washington Luiz. Para o grupo, a disputa pela Fazenda Flor do Bosque também será um símbolo, mas de resistência contra a radicalização dos movimentos agrários. Os ruralistas hoje já contam para isso com o apoio dos poderes Judiciário e Legislativo. A sensibilização para esse apoio aconteceu após a produção de um vídeo documentário com imagens de ações de sem-terra durante ocupações. Em pouco mais de sete minutos de imagens aparecem trabalhadores derrubando cercas, matando um boi a pauladas e saqueando caminhões nas estradas. Outro detalhe das imagens é a presença de crianças e mulheres durante as ações. Uma cópia da fita foi entregue ao ex-desembargardor Gercino, durante o encontro no TJ, em que ele conseguiu o adiamento do cumprimento da decisão do juiz Gilvan Santana. O prazo termina na segunda. O juiz determinou a desocupação da fazenda, desde o ano de 2001. O ouvidor é um negociador experiente nos conflitos agrários. Foi ele quem confirmou que atualmente o Estado está entre as áreas de maior tensão no campo. ?Mas também existem problemas sérios no Pará, no Paraná, e em São Paulo (Pontal do Paranapanema)?, confirmou. Gersino ocupa lugar de destaque na mediação dos conflitos, por causa de sua habilidade em ouvir e apresentar soluções práticas. Por ser desembargador federal aposentado, o governo confia a ele a missão de mediar assuntos ligados ao Judiciário em todo o País. Somente em Alagoas ele participou, num dia, de dez horas de negociações.

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