Política
Servidor quer publica��o da folha de comissionados da C�mara
ARNALDO FERREIRA A sociedade civil organizada e vereadores da Câmara Municipal de Maceió querem que o presidente da mesa diretora, vereador Alan Balbino (PSB), aprofunde o processo de transparência, iniciado na semana passada com a publicação da folha funcional da casa no Diário Oficial do Município. O Sindicato dos Funcionários da Câmara quer que o presidente publique também a folha de servidores comissionados e a relação nominal dos 180 servidores do quadro efetivo que recebem sem trabalhar. Alan Balbino suspeita que parte dos 307 servidores do quadro de efetivos está lotada também em outros órgãos públicos, como Assembléia Legislativa e repartições dos governos estadual e municipal, além do Judiciário. Já o presidente do Sindicato dos Servidores da Câmara, Gerson Guimarães, não tem dúvida da existência de servidores efetivos e comissionados acumulando vencimentos. Identidade A suspeita do presidente da Câmara tem sentido. A GAZETA DE ALAGOAS também identificou e conversou com alguns funcionários da Câmara que estão lotados na Assembléia Legislativa. Os nomes não podem ser publicados porque esses funcionários só aceitaram conversar sobre a acumulação com a condição de não terem sua identidade revelada. A maioria tem salário médio de R$ 700,00 na Câmara e ocupa cargos técnicos no Poder Legislativo Estadual e na Prefeitura de Maceió, com salário acima de mil reais. ?Só poderemos acabar com esta anomalia de acumulação indevida de cargos se houver cruzamento das folhas?, observa o vereador Alan Balbino. Transparência A prefeita de Maceió, Kátia Born, o governador Ronaldo Lessa e o vice-governador Luís Abílio (todos do PSB) apóiam o processo de transparência na Câmara dos Vereadores, iniciado com a publicação da folha de efetivos. A posição das estrelas do PSB obrigou os vereadores governistas a rever as posições e interromper o processo de fritura que estariam comandando contra Balbino nos bastidores. Comissão Os vereadores que renunciaram à participação na comissão criada para rever a relação de servidores que entraram na folha mediante processo de anuência (transferência do funcionário de um poder para outro) tentaram recuar. Porém, Balbino não aceitou a volta dos colegas à comissão. Na terça-feira passada, foram feitos discursos contra a publicação da folha. Alguns explicaram sua renúncia e justificaram seu desconforto para continuar na comissão. ?Na próxima terça-feira vamos divulgar o nome dos três vereadores que vão ocupar o lugar dos que renunciaram à comissão?, anunciou Alan Balbino. Os três vereadores que renunciaram são Marcos Vieira (do PSB e que foi indiciado inclusive para presidir a comissão), Dudu Hollanda (PPB) e França Moura (PL). Efeitos Dudu Hollanda, que é primeiro secretário da mesa diretora, fez duras críticas e assumiu que alguns dos 307 nomes da lista dos efetivos são de sua família. Porém, justificou que o nepotismo não foi praticado por ele. ?No passado, era normal se empregar parentes. Hoje, não emprego os meus porque não posso?, assumiu Dudu. Os três vereadores que permaneceram na comissão: Jaudeni Coutinho (PSB), Jorge VI (PSDB) e Thomaz Beltrão (PT) apóiam Balbino e estranharam os discursos inflamados dos colegas que criticaram a publicação da folha. ?A Câmara é uma casa pública. Não há motivo para esconder nada. Não houve erro nenhum em publicar a relação?, afirmou o vereador Thomaz Beltrão, que é oposição ao PSB de Maceió. ?Ao invés de criticar o presidente da Câmara, a bancada governista tem de apoiar medidas como essa e exigir mais transparência do poder?, recomendou o petista, que ainda desafiou a Assembléia Legislativa a publicar a lista nominal dos servidores efetivos. Convite O vereador Jaudeni Coutinho também estranhou o comportamento dos colegas que criticaram a publicação da folha. Ele foi convidado para assumir o lugar de Marcos Vieira e aceitou o convite para rever as anuências. ?Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou os processos de transferência de servidores. A Câmara tem de acompanhar o que todo mundo está fazendo, para cumprir a lei?, lembrou. Jorge VI também permanece na comissão e igualmente defende maior transparência.