Política
PSTU acusa PT de se curvar ao FMI e de trair a luta dos trabalhadores
ARNALDO FERREIRA O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados- PSTU, está pronto para receber a senadora Heloísa Helena (PT) e abraçar a campanha dela para prefeita de Maceió. Os presidentes dos diretórios estadual e nacional do partido têm conversado com a parlamentar, mas os entendimentos não evoluíram. Mesmo assim, o presidente do diretório estadual, advogado Ricardo Barbosa, insiste no convite a Heloísa. Ele mantém a crítica ao PT: ?O Partido dos Trabalhadores traiu a classe operária e hoje passou para o lado dos interesses do capital?. Nesta entrevista à GAZETA DE ALAGOAS, Ricardo Barbosa confirma que o PSTU vai mudar de nome. Mas este projeto não é para agora. Por enquanto, o partido continua organizado do mesmo jeito, para poder abrigar os radicais expulsos do Partido dos Trabalhadores. Apesar das críticas ásperas ao PT, Ricardo Barbosa admite que até ele votou em Lula para presidente da República, no segundo turno. Porém, hoje diz que quem governa o País é o FMI e a burguesia, por intermédio do vice, José Alencar. - O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) vai disputar as eleições municipais de 2004 com o mesmo nome? - Primeiro, ainda é muito cedo para a gente discutir as eleições municipais do próximo ano. Nossa preocupação, neste momento, é desenvolver um processo de formação, de alternativas de luta e mostrar à opinião pública que o Partido dos Trabalhadores (PT) traiu a classe trabalhadora e hoje passou para o lado dos interesses do capital, da burguesia nacional e internacional. Agora, sem dúvida nenhuma, a esquerda socialista lutadora terá seus candidatos a prefeito e vereadores nas capitais e onde for possível em Alagoas. - Mas vocês vão participar do pleito com a mesma sigla? - O único partido hoje legalizado que ainda levanta a bandeira da luta revolucionária da esquerda socialista no Brasil é o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados. - A senadora Heloísa Helena será candidata a prefeita pelo PSTU? - Qualquer companheiro que passou por experiência dentro do PT identificou-se com o comportamento político da companheira Heloísa Helena, João Batista Babá (PA), Luciana Genro (RS),e outros descontentes com a traição, de forma que a direita do Partido dos Trabalhadores terá espaço no nosso partido. - O senhor ainda não respondeu se o PSTU vai mudar de nome. - O que posso adiantar é que estamos querendo formar um novo partido com setores da sociedade que querem lutar contra a burguesia. Portanto, neste projeto, se necessitar de um nova sigla, terá. Nós não nascemos amarrados a nenhuma sigla. - A mudança acontecerá agora, para as eleições de 2004? - Em 2004, continuaremos com a sigla PSTU. A legenda está organizada e só ela poderá abrigar os projetos dos companheiros traídos pelo PT. Isto porque não há como, legalmente, se constituir uma nova legenda dentro de tão curto período, uma vez que o prazo final das filiações para quem deseja se candidatar expira agora, no final de setembro. - Há quem diga que alguns conhecidos militantes de esquerda que mudaram para o PSTU estão acabados política e eleitoralmente. Um dos nomes citados é o deputado Lindemberg Farias (RJ), que saiu do PCdoB e foi para o PSTU, perdeu a eleições e depois retornou à política e se elegeu deputado pelo PT. Não há risco de esses militantes da ala radical do PT se apagarem, caso mudem para o seu partido? - Observe você a contradição. Eu acredito que o Lindemberg, hoje, está acabado politicamente. - Por quê? - No momento em que o PT enfrenta sua mais profunda crise, a perda de identidade, sua negação diante da classe trabalhadora, greves de funcionalismo e se coloca distante dos interesses do operariado, há uma alternativa de ruptura com este PT, o companheiro Lindemberg permanece no Partido dos Trabalhadores alinhado à posição da direita petista. - Hoje, os ex-companheiros petistas da senadora Heloísa Helena torcem para que ela se filie ao PSTU, porque assim, acreditam, a senadora estaria politicamente acabada. Como o senhor vê a análise dos petistas? - Isto é relativo. Até porque o PSTU não é um partido eleitoreiro. Acredito que se a senadora vier junto com os companheiros revolucionários, da esquerda socialista, para a construção de um novo partido e na luta das massas para derrotar a burguesia, Heloísa não se acabará politicamente. A senadora estará lutando ao lado de soldados que pensam como ela. Heloísa se acabaria politicamente se entrasse no partido de forma oportunista e com objetivos meramente eleitoreiros O PSTU não se propõe a ser um novo PT. O que queremos é ser um novo partido de esquerda, em condições de resgatar o programa marxista, revolucionário, romper com a burguesia, com o capital internacional e o imperialismo. - O senhor acha que a sociedade brasileira, particularmente a alagoana, está preparada para entender o discurso do PSTU? - Estivemos nas eleições passadas, para o governo de Alagoas. Conseguimos atingir aqueles companheiros que pretendíamos atingir. - Quantos votos vocês conseguiram dentro de um universo de 1 milhão e 300 mil eleitores? - Tivemos mil e seiscentos votos de qualidade. Hoje, aumentamos nossa filiação, já existimos em muitas cidades do Interior e estamos no cenário nacional como o único partido de esquerda e de real oposição ao PT. - O PFL, PSDB e uma parte do PMDB se dizem também oposição ao governo... - Nós somos um partido socialista, de esquerda, e combatemos a burguesia, enquanto esses partidos que você citou, não. E tem mais: o PFL, PMDB, PSDB, PT e o PCdoB são partidos burgueses. - E o PSB do governador Ronaldo Lessa e da prefeita Kátia Born? - É a mesma coisa. Esses partidos se alinharam para manter o status quo da burguesia. - Para se chegar ao poder, no regime democrático, é preciso votos. Hoje, o senhor vive numa capital com elevado índice de miséria, desemprego, analfabetismo. Como o PSTU pretende ganhar os votos dessa população desiludida com os políticos? - Particularmente, não acho que para chegar ao poder a gente precise de votos. Isto foi o que o PT ensinou durante os seus 20 anos de existência. - Então como chegar ao Poder. Se não for com votos, precisa de que? - Precisa mobilizar os trabalhadores, ação direta das massas, precisamos derrotar todos os projetos da burguesia, que são impostos por intermédio de seus governos, como é o caso do governo Lula. - Isto tudo que o senhor acaba de pregar não acontece mediante os votos da massa? - Talvez sim, talvez não. Para nós, por meio do voto a classe trabalhadora jamais chegará à libertação, ao poder, como sempre sonhou. - Espere aí, o Lula não é um trabalhador que está no poder? - Mas não foi o trabalhador que chegou ao poder. Quem chegou ao poder foi o FMI, a burguesia, mediante o vice José Alencar. Quem chegou ao poder foi a Fiesp, a Febraban... - Mas vocês, do PSTU, também votaram em Lula? - Votar em Lula no segundo turno não significa apoiar Lula. No primeiro turno fizemos campanha de denúncias, fizemos exigências ao governo Lula e no segundo turno, diante da candidatura neoliberal do ex-senador José Serra (PSDB/SP), nós acompanhamos a classe trabalhadora para romper com a tradição neoliberal. - Em 2004, a luta eleitoral se dará pelo voto. Não existe outra forma de luta... - Nós não estamos lutando para 2004. Nossa luta é estratégica e não se pensa em resultado eleitoreiro de curto prazo. - Se a senadora Heloísa Helena aceitar entrar no PSTU, não vai disputar as eleições ? - É bom que se esclareça: a disposição do PSTU é não deixar esses companheiros fiéis ao seu discurso à mercê do golpe do PT. Não estamos convidando a senadora para disputar as eleições de 2004. Se a discussão começa por aí, apenas com objetivos eleitorais, começa mal. O convite para os companheiros do PT é para que venham e, junto com o PSTU, ofereçam alternativas de luta para a classe trabalhadora e para a construção de um novo partido político.