Política
Sem-terra da Flor do Bosque lamentam crime contra o MST
O assassinato do presidente do Núcleo 25 de Julho do assentamento Dom Helder Câmara, no agreste alagoano, Luciano Alves da Silva, chocou os acampados da Fazenda Flor do Bosque. Há uma semana que 107 famílias vivem o clima de apreensão e medo da operação policial para cumprimento de um mandado de reintegração de posse. A morte do líder do MST fez aumentar a tensão em Messias. Quando o dia amanheceu, na entrada do acampamento bandeiras da Central Única dos Trabalhador (CUT/AL), faixas de protestos, além de representantes de partidos políticos de esquerda, sindicatos rurais, freiras e padres estiveram ao lado dos sem-terra dispostos a ajudar na resistência dos trabalhadores rurais ligados à Comissão Pastoral da Terra. A menos de cinco quilômetros da fazenda, mais de 200 homens da Cavalaria, do canil e do Batalhão de Choque da Polícia Militar, além de agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), estavam de prontidão e aguardavam a ordem para cumprir a reintegração de posse. Em Maceió, as negociações aconteciam entre representantes dos governos federal e estadual, advogados da Usina Santa Clotilde e o fazendeiro Waldemir Araújo. Os acampados eram informados do andamento do terceiro dia de negociações através dos sindicalistas. No fim da manhã, veio a informação tranqüilizadora de que a polícia havia suspendido, mais uma vez, a ação de desocupação da área. Surgiu a solução negociada para o que parecia um conflito. ?Não queremos guerra. A resistência é por necessidade?, disse uma das lideranças dos sem-terra. A Fazenda Flor do Bosque, que era área improdutiva, agora tem 23 hectares plantados com milho, feijão, mandioca, batata e inhame?, disse Antônio Laurindo da Silva, 65 anos, ex-cortador de cana que, hoje, alimenta o sonho de ser um pequeno produtor no lugar onde nasceu e chegou à velhice na miséria.