Política
Pistoleiros executam l�der do MST que comandava saques no agreste
COBERTURA: ARNALDO FERREIRA, MARCOS RODRIGUES E MAIKEL MARQUES O coordenador do Núcleo 25 de Julho, do assentamento Dom Hélder Câmara, que fica em Craíbas, distante 170 quilômetros de Maceió, Luciano Alves da Silva, conhecido como ?Grilo?, 28 anos, foi assassinado numa emboscada, no domingo, naquele município. O crime aconteceu entre 20h30 e 21h. Luciano caminhava em direção ao seu assentamento, na zona rural de Folha Miúda, quando foi interceptado e executado a tiros por dois pistoleiros que estavam numa moto. Luciano ficou conhecido em Alagoas e no restante do País como um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e assentados de Alagoas, e que, segundo apurou a polícia, comandou uma onda de bloqueios e saques em rodovias federais e estaduais, no sertão e agreste alagoanos. As ações foram organizadas para forçar o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a liberar cestas básicas para 17 mil famílias de acampados e assentados. Durante três meses, os trabalhadores rurais esperavam pelo cumprimento de promessas do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, que prometeu cestas básicas, mas demorou a liberar a comida. Na hora do crime, a vítima estava acompanhada do também assentado José Soares dos Santos, conhecido como Borges. ?Os pistoleiros estavam numa motocicleta. Quando chegaram perto da gente, apagaram a luz da moto e foram atirando no Luciano?, declarou a principal testemunha do homicídio, que afirmou ter corrido, sem conseguir identificar os criminosos. Indiciados Na semana passada, Luciano e outros integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do agreste - José da Lica, Roberto da Silva e Brás dos Santos - foram indiciados pelo delegado regional do município de Arapiraca, Cícero Torres, por formação de quadrilha e incitação ao crime, exatamente pelas informações de que comandou as ações de saques e bloqueios de rodovias. Mesmo assim, ele não tinha inimigos declarados, segundo familiares. ?Não temos idéia ainda sobre a motivação do crime. Sabemos apenas que os matadores planejaram a morte de Luciano. Tanto que os assassinos não tocaram na testemunha que acompanhava a vítima na hora do assassinato?, disse o delegado Cícero Torres, que iniciou, ontem, as primeiras investigações sobre o crime que abalou o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra de Alagoas. Dois suspeitos foram presos, ontem, com uma moto roubada. Mas a polícia manteve suas identidades em sigilo. O governador Ronaldo Lessa (PSB) determinou rigor na apuração e pediu empenho para que o crime seja esclarecido rapidamente. O secretário de Justiça e de Defesa Social, Robervaldo Davino, acompanha as investigações. A delegada de Craíbas, Maria José Ferreira, também investiga o caso. O coordenador estadual do MST, José Roberto da Silva, e a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) monitoram o trabalho da polícia. ?O MST quer o esclarecimento do crime e justiça?, disse José Roberto.