Política
MST denuncia deputado e delegado � Comiss�o de Direitos Humanos da OAB
Depois de enterrarem o sem-terra Luciano Alves da Silva, 28, morto numa emboscada, coordenadores do Assentamento Dom Hélder Câmara estiveram, em Maceió, ontem, para uma sessão pública com a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, onde relataram o clima de tensão da região, denunciaram um deputado estadual e pediram o afastamento do delegado Cícero Torres. Os trabalhadores querem nacionalizar o problema. Eles denunciaram que o delegado Cícero Torres fez um pré-julgamento do líder assassinado, ao apontá-lo como responsável pelos saques e bloqueios ocorridos no mês passado. ?Aquelas ações aconteceram de forma espontânea e sem a participação de lideranças?, garantiu José Roberto, um dos coordenadores do MST em Craíbas. Ele disse, ainda, que o deputado Cícero Ferro teria expulsado famílias do movimento há duas semanas, juntamente com homens armados. Esse fato é apontado pelos líderes como um dos motivos para o aumento da tensão na área. O deputado disse que não provocou ninguém e não aconteceu nenhum incidente quando esteve na fazenda. ?Os próprios sem-terra estão causando a tensão. Não incitamos a violência, mas sim defendemos o direito à propriedade dentro da lei. É muito fácil acusar um fazendeiro. O fato é que nos próprios assentamentos tem problemas entre eles, e até a morte?, explicou o parlamentar. Já o presidente da CDH/OAB, Narciso Fernandes, explicou que a entidade acompanhará o processo e repassará dados para a Secretaria Nacional de Direitos Humanos e para a Relatoria Especial da Organização das Nações Unidas (ONU). ?Nós somos contra saques, mas defendemos a vida como princípio. Queremos que haja a elucidação do crime?, argumentou Fernandes.