Política
MST quer PF investigando crime de l�der do Agreste
COBERTURA: ARNALDO FERREIRA, MAIKEL MARQUES E MARCOS RODRIGUES Os trabalhadores rurais sem-terra não querem que o delegado regional Cícero Torres investigue a morte do líder do assentamento Dom Helder Câmara (localizado em Craíbas), Luciano Alves da Silva (28), fuzilado por dois pistoleiros no domingo. Ontem, o coordenador do MST, José Roberto da Silva, cobrou, inclusive, que a Secretaria de Justiça e de Defesa Social indique um delegado especial no caso e que a Polícia Federal acompanhe o trabalho da polícia alagoana. ?Já são 40 assassinatos impunes de líderes do MST nos últimos doze anos?, lamentou. O líder alagoano dos sem-terra condenou a criminalização do caso. Porém, Luciano Alves da Silva estava indiciado com mais quatro pessoas como dos líderes das ações de saques e bloqueios de rodovias no agreste alagoano. O corpo de Luciano foi sepultado, às 11 de ontem, no cemitério da comunidade de Canafístula (Craíbas), na presença de trabalhadores rurais dos movimentos de sem-terra, do superintendente de Incra, Mário Agra, e do presidente do PT alagoano, deputado Paulo Fernando dos Santos. Todos condenaram a violência e destacaram que o crime tem as características de pistolagem. No momento do sepultamento, Paulão (PT) discursou à beira da sepultura. Ele classificou o assassinato do líder sem-terra como ?crime hediondo e covarde?. Defendeu o afastamento do delegado do caso. O deputado informou que solicitará ao Ministério da Justiça o acompanhamento da Polícia Federal (PF). ?A morte de Luciano deve ser investigada com isenção?. O cortejo fúnebre saiu da casa da família de Luciano, percorreu trecho da rodovia AL-220, onde Luciano teria comandado ações de saques e bloqueios, segundo a polícia. Na igreja de Canafístula (Craíbas), parentes e amigos prestaram-lhe a última homenagem ao líder do MST. Para Paulão, além da vertente agrária, as autoridades policiais devem investigar a vertente política, uma vez que Luciano era candidato a vereador em Girau do Ponciano e isto contrariava muitos interesses daquela região do agreste. O delegado Cícero Torres disse que o presidente do Partido dos Trabalhadores tem todo o direito de discordar de sua participação no caso. Porém, antecipou que não é o presidente do inquérito. ?Quem comanda as investigações é a delegada do município de Craibas, Maria José Ferreira?, disse Cícero Torres. A polícia descartou, ontem, os dois suspeitos presos com uma moto roubada. Na hora do crime, eles estavam há mais de 50 quilômetros do local do assassinato.