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CPI descobre que Telemar grampeou 152 linhas de telefones dos alagoanos

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ARNALDO FERREIRA A Telemar grampeou, nos últimos cinco anos, em Alagoas, 152 telefones. A denúncia foi confirmada por meio de documentos da própria empresa enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Telefonia no dia cinco de setembro passado. Os deputados da CPI, agora, querem saber quais são os números de telefone grampeados. ?Já sabemos que existe processo de consumidor cobrando explicações sobre o grampo que não foi autorizado pela Justiça. Estamos diante de um escândalo que pode ter desdobramento imprevisível?, acreditam o presidente da CPI, deputado Adalberto Cavalcante (Prona) e o deputado Paulo Fernando dos Santos ? Paulão (PT), que chamou a atenção da imprensa para o documento. Segundo a própria Telemar, em 1999 a empresa grampeou 47 telefones; em 2000 o número caiu para 20 linhas; no ano seguinte 26 telefones grampeados, em 2002, o grampo aconteceu em 27 linhas e até março deste ano 32 linhas estavam sendo monitoradas. A empresa, no entanto, não revelou os números das linhas grampeadas. Porém, confirmou que responde a processo por grampo sem autorização judicial. Depoimento O presidente nacional da Telemar, Ronaldo Iabrudi dos Santos Pereira, não compareceu, ontem, à Assembléia Legislativa para depor na CPI, que investiga supostas irregularidades da empresa em Alagoas. Esta é a quinta falta de Iabrudi. Primeiro, ele foi convidado; depois, convocado por três vezes e, agora, intimado, até sob ameaça de prisão. Desta vez, a falta do presidente da empresa estava com respaldo da decisão liminar do Supremo Tribunal de Justiça (STJ). ?O presidente da Telemar não se recusa a depor na CPI da Assembléia. O que ele quer é depor no seu domicilio, no Rio de Janeiro, mediante carta precatória, como prevê a lei?, explicaram os advogados da empresa, Telmo Calheiros, Fernando Paiva e Valmar Peixoto, que estiveram na Assembléia, ontem, para entregar a cópia da decisão do STJ ao presidente da CPI. Os advogados da Telemar ingressaram com habeas-corpus preventivo no STJ com o objetivo de evitar o depoimento de Ronaldo Iabrudi depois que souberam que o Tribunal de Justiça de Alagoas indeferiu recurso semelhante. O habeas-corpus foi requerido por um dos advogados mais famosos do País, Tércio Lins e Silva, e a liminar deferida pelo ministro do STJ, Jorge Scartezini. A decisão do Superior Tribunal de Justiça provocou frustração em cinco dos sete deputados da CPI, que acreditavam que aconteceria a sessão mais importante da comissão. Os parlamentes Adalberto Cavalcante, o relator Sérgio Toledo (PSB), Maria José Viana (PSB), Temóteo Correia e Paulo Fernando dos Santos - Paulão (PT) acusam a Telemar de tentar desmoralizar o judiciário e o parlamento. ?A empresa quer uma batalha judicial, então, vamos à luta para garantir que os consumidores alagoanos e nossas autoridades sejam respeitados?, declarou Adalberto Cavalcante. Neste momento, os deputados da CPI analisam o que fazer para ouvir o presidente da Telemar. Eles estudam, inclusive, a possibilidade de ir ao Rio de Janeiro. ?Não vamos aceitar esta tentativa de nos desmoralizar?, afirmou o relator da CPI, deputado Sérgio Toledo.

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