Política
MST e CPT querem justi�a para 39 assassinatos de sem-terra
FÁBIA ASSUMPÇÃO Cerca de 500 trabalhadores rurais da Coordenação da Pastoral da Terra (CPT) e do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) saíram em passeata, ontem de manhã, para cobrar a punição dos responsáveis pela morte de 39 sem-terra nos últimos 12 anos em Alagoas. A passeata saiu da Praça da Faculdade em direção ao Palácio Floriano Peixoto, onde estava sendo realizada a audiência pública promovida pela Comissão Especial de Combate à Violência no Campo, presidida pelo ouvidor agrário nacional, Gercino Silva. Os manifestantes usavam uma tarja preta nos braços e carregavam cruzes com os nomes dos 39 nomes dos trabalhadores rurais assassinados. O último deles foi o do líder do assentamento Dom Hélder Câmara, em Craíbas, Luciano Alves Silva, morto a tiros numa emboscada no domingo passado. Um dos líderes do MST, José Renildo, afirmou que a omissão da Justiça em punir os responsáveis por estes crimes contribui para aumentar os conflitos no campo. ?Queremos ouvir o que vai ser proposto para combater a violência no campo, mas queremos também a justiça?. O coordenador estadual da CPT, Carlos Lima, afirmou que a impunidade dos responsáveis pelas mortes de trabalhadores rurais sem-terra é um problema que afeta todo o País. ?Dos mil assassinatos registrados no País, nos últimos 12 anos, apenas cinco pessoas foram presas?, observou. O caso mais emblemático é o da trabalhadora rural Margarida Alves, morta na Paraíba há 18 anos e que até hoje ninguém foi preso. O representante da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Pedro Montenegro, afirmou que o combate à violência no campo é uma das questões centrais do governo federal. Este foi o principal motivo da criação da Comissão Especial de Combate à Violência no Campo.