Política
Alian�a PT/PMDB e entrada de Ab�lio sacodem sucess�o
MARCOS RODRIGUES A última semana trouxe à cena das discussões em torno da sucessão municipal de 2004 duas novas possibilidades. A primeira se refere à recomendação do diretório nacional do PT, apontando como alternativa para o partido uma aliança com o PMDB, novo aliado nacional. A outra, e mais recente, apresenta como alternativa do PSB o nome do vice-governador, engenheiro Luiz Abílio. Segundo o deputado Paulo Fernando dos Santos (PT), seu partido, em nível nacional, vem se articulando para ampliar o leque de alianças partidárias, além dos tradicionais partidos do chamado ?campo democrático popular?. Paulão, que acumula a função de único parlamentar do PT no Legislativo estadual e de presidente do Diretório Estadual, disse que a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez o partido buscar a governabilidade. Em outras palavras, o petista quis dizer compor com outros partidos até então alheios e ignorados pelos petistas. É o caso do Partido Progressista (PP), do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e do Partido da Mobilização Nacional Brasileiro (PMDB) . ?Dentro desta realidade, estamos trabalhando para construir ainda o nosso processo de entendimento com os partidos?, adiantou, demonstrando confiança e esperança na composição com o PMDB. O PT, segundo o deputado, já tem como referência clara esta aliança, mas prefere aguardar o dia 3 de outubro. Nesta data serão confirmadas as novas filiações aos partidos que pretendem disputar o pleito de 2004. Depois disso, segundo Paulão, começarão a ser discutidas estratégias de alianças. As bases para as conversas estarão fundamentadas em três elementos: transparência administrativa, participação social e exclusão social. Falando como candidato efetivo do PT, o deputado relembrou que em 2000 o partido, mesmo com processos de racha e boicotes internos, conseguiu obter o dobro de votos do quarto colocado. ?Agora, estamos mais amadurecidos politicamente e naturalmente entenderemos o processo de articulação sobre a perspectiva e identidade nacional posta em prática pelo governo do Lula?, afirmou. Saída Mas o que a aliança com o PMDB trará de mais positivo para os petistas é apontar uma saída para o dilema que o partido ainda vive em relação à senadora Heloísa Helena. O impacto da saída dela do PT poderia abalar novamente os planos do partido para as eleições. A vinda do PMDB cria uma nova e real chance para a construção de um nome capaz de enfrentar o candidato do governo e o industrial João Lyra (PTB). A própria senadora já se convenceu de que pode ser carta fora do baralho no PT e por isto busca uma nova sigla. Com o andar da ?carruagem?, teme, inclusive, ficar sem legenda para disputar o pleito municipal de 2004. A reação das correntes mais à esquerda do PT já começou a ser observada. Elas vêm tentando construir o nome da médica Ângela Lopes, que tem base dentro de setores da Igreja Católica, a mesma base da senadora Heloísa. Neste sentido, o deputado petista desconversou, mas terminou revelando que mantém sua candidatura e que, ao contrário dos ?equívocos? do passado, reconhece a importância das alianças. ?Tenho a humildade de fazer uma autocrítica e reconhecer que é importante a política de alianças proposta pelo Direção Nacional?, admitiu Paulão. Ele disse, ainda, que tem o perfil do candidato que interessa no momento para o município. Como argumento para defender essa posição ele cita o problema do saneamento básico da capital. Por ser um problema que só será resolvido com recursos federais, o deputado disse que para que isso ocorra é fundamental uma boa relação com o governo federal. Para definir a posição dos candidatos e seus aliados, o PT deverá definir oficialmente sua posição numa reunião da Executiva Nacional, no início do próximo ano. A fim de qualificar e medir o nível de suas candidaturas, o PT também investirá em pesquisas eleitorais em todas as capitais onde o partido lançará candidatos majoritários. O partido de Lula espera conquistar prefeituras de peso nacional para marcar definitivamente o crescimento da legenda. Para isso, vem intensificando a campanha de filiações para manter a característica de partido com base filiada. Governo O candidato do governador Ronaldo Lessa ainda é uma incógnita. O PSB, seu partido, vive um processo de crescimento de quadros que resultou até agora em pelo menos três candidaturas: Alberto Sexta-feira (vice-prefeito), Givaldo Carimbão (deputado federal) e Maurício Quintella (deputado federal). A novidade no ninho socialista é o nome do vice-governador Luiz Abílio, que sai do anonimato e pode ser uma alternativa para o processo. Além disso, por ser um nome por fora do páreo até então montado, pode conseguir a simpatia de Ronaldo Lessa e ser um candidato curinga para evitar rachas. O vice Abílio, que vê seu nome crescendo nos bastidores, está surpreso com tudo que cerca o processo eleitoral. ?Talvez isso esteja acontecendo por causa dos 25 dias que fiquei à frente do governo, em substituição ao governador Ronaldo Lessa?, afirmou o vice, desconversando. Ele disse não ser candidato, mas não desmente nem confirma a possibilidade de participar das eleições. Independentemente disso, ele já tem a simpatia de um dos pré-candidatos do PSB. Para o deputado Givaldo Carimbão, se Abílio entrar na disputa é um grande nome e até profetiza: ?Que Deus o abençoe. O vice é um homem de bem, honrado e está dentro do nosso grupo?, destacou. Ele voltou a defender seu nome e relembrou sua trajetória. Acredita que reúne qualidades importantes para sua candidatura. Para isso, relembra que foi três vezes vereador, uma vez secretário e duas vezes eleito deputado federal. ?Acredito que esse histórico e mais os 30.000 votos que obtive na capital me credenciam a oferecer meu nome para a disputa?, contou. Ele disse, ainda, que uma das saídas para o partido resolver a disputa interna é organizar uma pré-convenção para apresentação dos pré-candidatos. Segundo ele, os articuladores são o governador e a prefeita Kátia Born. Depois de postas as pré-candidaturas, seria a vez do teste final: as pesquisas. Nesse critério, o vice-prefeito Alberto Sexta-feira pode sair prejudicado. Isso porque ele, mesmo se esforçando para cumprir os desafios da supe-rintendência que dirige, atrai a rejeição do eleitorado ao nome da prefeita Kátia Born. Por causa desta realidade, poderá ser, novamente, o vice ideal. Nova Mas a campanha está na rua. O deputado federal e industrial João Lyra (PTB) terminou a semana procurando empolgar o eleitorado com sua candidatura. Numa tentativa de seduzir o servidor municipal, promete não demitir ninguém e valorizar os menores salários desses trabalhadores. Ainda no campo das promessas, também se dirigiu à periferia, garantindo obras de saneamento e de infra-estrutura. Lyra sabe que para seu projeto vingar precisará de apoio. Para isso, já vem construindo até os partidos que comporão sua provável aliança. Incluem-se aí o PSL e o PL. As duas siglas, nos últimos três meses, se articularam e contam agora com novos presidentes que vêm estruturando as filiações e composições para a chapa proporcional. Esquerda Os partidos do campo democrático popular, a exemplo do PC do B, PPS e PSTU, admitem lançar candidatos para a disputa, mas ainda sem nomes para emplacar. A tentativa de empolgar o eleitorado é a mesma dos demais partidos. A exceção é o PSTU, que não tem representação e não está no governo, devendo sair sozinho na disputa. O sonho dos ?trotskistas? é poder contar com a senadora Heloísa Helena em suas fileiras para a disputa. Diante de tantas incertezas, todos os partidos, independentemente da origem ideológica, buscarão envolver o eleitor com soluções para os problemas da capital, principalmente da periferia. A eleição é no ano que vem, mas a sorte está lançada para várias candidaturas já postas para o público.