Política
Lessa acusa coordenador da CPT de ser leviano
ARNALDO FERREIRA Depois de duas semanas de tensas negociações entre a Ouvidoria Agrária Nacional, a Superintendência Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Secretaria de Articulação, para evitar que os trabalhadores rurais ligados à Comissão Pastoral da Terra (CPT) fossem retirados à força e tivessem suas plantações destruídas, na fazenda ocupada, Flor do Bosque, em Messias, o coordenador estadual da CPT, Carlos Lima, acusou o governo do Estado de não fazer a reforma agrária através do Instituto de Terras e Reforma Agrária (Iteral) e Banco da Terra, e de não ter assentado nenhuma família. O governador Ronaldo Lessa (PSB) reagiu forte contra o coordenador da CPT, e o chamou de leviano, em entrevista à imprensa, na última quinta-feira. Lessa garantiu que o coordenador da Pastoral da Terra, ?além de fazer um comentário injusto, fez uma declaração leviana e desonesta?. O governador rebateu as críticas e se queixou, ao alegar que a CPT não tem ajudado neste processo de reforma agrária. ?A Igreja, que no passado cometeu tantos crimes, como os da Inquisição, hoje comete alguns erros grosseiros como esse das declarações do coordenador da CPT?. Irritado, Ronaldo Lessa disse ter estranhado a declaração de Carlos Lima. ?As declarações são de um líder com interesse eleitoral menor. Com esse discurso, ele perde a credibilidade?. Ronaldo Lessa acrescentou: ?Se isso fosse verdade, eu faria uma autocrítica e lamentaria, como já lamentei outras coisas que o governo não fez. O Carlinhos está sendo injusto porque conhece a minha posição com relação a essa discussão?, frisou. Garantiu que no seu governo a reforma agrária é inevitável. ?Todo mundo sabe do meu compromisso com esse processo que tem de acontecer de forma responsável?. Deste maneira, Lessa não esconde que está magoado com Carlos Lima que, segundo ele, fez declarações à imprensa, de forma desrespeitosa, agressivas contra a sua administração e com objetivos ligados às eleições municipais. Assassinato Sobre o assassinato de Luciano Alves da Silva, um dos líderes do acampamento Dom Helder Câmara, que fica no Agreste, entre os municípios de Craíbas e Arapiraca, o governador avaliou que ?toda morte é absolutamente lamentável. Mesmo que esse crime tenha sido praticado por uma questão menor que a discussão do processo de reforma agrária, a família do líder sem-terra sente a dor?. O chefe do Executivo alagoano assegurou que seu governo não tem compromissos com a violência e muito menos com a impunidade. ?A polícia trabalha para esclarecer esse crime e encaminhar os envolvidos à Justiça, sejam quem for?. Paciência No momento em que Alagoas comemora seus 186 anos de emancipação política, o governador Ronaldo Lessa repetiu para os movimentos sociais de trabalhadores sem-terra que é preciso ter paciência para discutir no campo da legalidade. ?Eu vou pedir novamente: confiem nas autoridades estaduais e federais. Estamos tendo a chance de ter um governo federal que tem compromisso com as mudanças que o Brasil precisa, que tem compromisso com a reforma agrária?. Com relação ao governo de Alagoas, destacou que os movimentos não podem ter dúvida. ?Eu não tenho outro compromisso que não seja contribuir com esse processo inevitável. A reforma agrária é um processo que já deveria ter sido realizado?. Deixou claro que o Estado não vai prevaricar no cumprimento das leis. ?Quando se faz bloqueios, saques, cobram pedágios, o governo não pode deixar de cumprir a lei?. Lembrou, por exemplo, que essas ações de sem-terra causam prejuízos a setores importantes da economia e que empregam centenas de trabalhadores, como é o caso do turismo. Lula Ronaldo Lessa lembrou que o governo Lula ainda não completou um ano e que ainda administra projetos e orçamento da administração Fernando Henrique. ?No ano passado, a esperança de todos estava na eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Então, agora, temos de dar um prazo para que o presidente da República possa arrumar o seu governo e tenha condições de fazer as transformações prometidas?, disse Lesas, ao destacar que o presidente também não pode passar por cima da lei e nem da ordem institucional. Para Ronaldo Lessa, o Brasil vive um momento de reconstrução de novos dias para as classes sociais. ?Não há dúvidas de que as suas posições são em defesa da classe dos trabalhadores e com a atenção especial para os nordestinos. Agora, todos temos o limite da lei e ninguém esta acima dela?. Compromissos No seu desabafo contra as declarações do coordenador da CPT, Ronaldo Lessa, destacou que sua equipe de governo está trabalhando em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e com o Instituto de Colonização e Reforma Agrária. Destacou que durante a discussão sobre a fazenda Flor do Bosque, o seu secretário de Articulação, Daniel Bernardes, teve um papel decisivo para que houvesse entendimento entre as 107 famílias e o fazendeiro. ?Quero registrar, também, que nos últimos cinco anos não houve um caso sequer de incidente da nossa polícia com os trabalhadores?. Lembrou aos movimentos sociais que a Polícia Militar alagoana, através de seu grupo de gerenciamento de crise, é referência nacional. ?Hoje, a nossa polícia entende que sem-terra é um problema social?.