Política
PPS assume que n�o quer ser um partido comunista
ARNALDO FERREIRA O crescimento do Partido Popular Socialista- PPS provoca uma divisão entre o presidente do diretório nacional, senador Roberto Freire (PE), e o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (CE). Os dois estiveram em Maceió na última sexta-feira, na festa de filiação do deputado federal Rogério Téofilo, que deixou a vice-presidência estadual do Partido da Frente Liberal, um antigo e tradicional adversário do velho Partido Comunista Brasileiro (PCB), que deu origem ao PPS de hoje. Em entrevista coletiva concedida em Maceió, o presidente nacional do Partido Popular Socialista chamou a atenção ao assumir que ?O PPS não é um partido comunista?. Segundo Freire, seu partido é democrático de esquerda. A filiação de Rogério Teófilo faz parte de um estratégia política para criar alternativas de poder em Alagoas e fortalecer o partido para as eleições presidenciais de 2006. Freire não desmente nem confirma sua candidatura. /// - O diretório nacional do PPS está em crise? - De jeito nenhum. Viemos a Maceió para participar da filiação do deputado Rogério Teófilo para dar uma demonstração da força do crescimento que o PPS está experimentando. Temos alguns problemas internos, claro. O crescimento neste momento que estamos vivendo provoca algumas contradições. - Como são as contradições? - São contradições normais. São discussões de como fazer este crescimento, o ritmo, quais os limites. Tudo isto tem provocado algumas divergências internas. - O ministro Ciro Gomes fez duras críticas à direção nacional do PPS. No caso, o senhor foi chamado de ?coronel?, de ?autoritário?, de ?anti-democrático?.... Como o senhor recebe as críticas do ministro da Integração Nacional? - Olha, a resposta nós já demos. Foi essa direção quem o convidou para o partido e deu sustentação em duas campanhas para presidente da República, que o apoiou com unanimidade lhe dando sustentação como ministro do presidente Lula, estranho isso agora. Realmente, as críticas são surpreendente e lamentáveis. Mas do que isso, na nota do PPS eu digo que desde o velho Partido Comunista Brasileiro (PCB) sempre tivemos excelentes relações com os militares democratas deste País. Basta ver a nossa história, que os nossos secretários gerais eram militares. Agora, coronel da política nunca admitimos e não temos coronel da política no partido. - Este momento do PPS que hoje abre a porta até para antigos pefelistas não descaracteriza o partido? O que é esta abertura? - É o seguinte: o PFL de Rogério Teófilo é muito bem-vindo ao PPS. Há um PFL que nós não queremos e ao qual, evidentemente, continuamos nos opondo. Há, ainda, setores do PMDB que também não gostaria de ver do nosso lado. Mas, em política... Estamos vendo agora que é preciso acabar com esta visão muito purista que a pergunta implica. Tem que saber quem são as pessoas, sua honradez e neste aspecto não se pode dizer nada de Rogério Teófilo. Se ele aceitou vir para o partido e veio depois de uma longa discussão, de um bom debate que superou os pontos de vista de grupos, do partido, não há falta de critérios no processo de novas filiações. Muito pelo contrário, nesta filiação se expressa o critério de um democrata que vem para o PPS e é muito bem-vindo para nos ajudar a fortalecer o partido - Aqui, em Alagoas, o PPS sofreu uma grande desgaste político nas eleições passadas. Agora, o partido abre suas portas a integrantes de partidos que apoiaram a ditadura. Como é isso? O PPS é comunista ou abandonou sua ideologia que veio do antigo PCB? - O PPS não é comunista. - Como? O PPS não é comunista? - Não. Não é. Se fosse teria continuado como Partido Comunista Brasileiro (PCB). - O PPS é o quê? - É um partido democrático de esquerda. O PPS diz isso e pratica este projeto com muita transparência. Quando fizemos nossa mudança, debatemos muito, discutimos à exaustão e digo que foi um processo bastante traumático. Não estou falando isso a partir de governo. - O que significa a filiação do grupo do deputado Rogério Teófilo? - Esta é uma boa pergunta: estamos aqui criando uma alternativa de poder em Alagoas. - Arapiraca é uma alternativa? - Estou falando de alternativa de poder no Estado. Claro que em Arapiraca, Palmeira dos Índios, todos os grandes municípios, o PPS pretende lançar candidatos a prefeito e a vereador. Vamos estar nos preparando para disputar o poder. O partido quer conquistar o poder. Não estamos atrelados, não somos sublegenda de ninguém e nem somos, também, desaguadouro de nenhum adesista. Somos um partido que tem um projeto muito interessante para este País. Um projeto que, se analisarmos bem, veremos que é bom para o Brasil. Algum tempo atrás, quando falávamos de reforma do Estado era fácil ouvir perguntas do tipo: Vão continuar de esquerda? O que caracteriza este governo que está aí como um governo de esquerda não é o Fome Zero não. O que caracteriza é a reforma do Estado que nós propusemos no passado e fomos desconsiderados, inclusive pelo PT, que hoje faz um processo de autocrítica muito rápido, cria problemas na base de sustentação e para o próprio governo. O PPS, neste momento que estamos vivendo, pode se considerar um partido vitorioso nas suas teses fundacionais. - Como são essas teses? - De ser um partido de uma esquerda moderna, de uma esquerda democrática e que hoje o PT necessita afirmar no governo, sem precisar e sem afirmar aquilo que é ultrapassado: uma velha esquerda que está presente dentro do PT. O PPS é a nova esquerda. - Qual a sua avaliação do governo Lula? - De um novo PT. O dramático era que o maior partido da esquerda brasileira que chegou à presidência da República tinha uma postura, em alguns momentos, se confundindo com o racionalismo. O PT hoje reconhece que na oposição fez mais bravata do que pensar no Brasil. Ainda bem que o PT hoje pensa e pensa bem, por isso estamos juntos. Nas principais votações no congresso nacional o PPS tem demonstrado uma unidade grande em prol do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. - O seu partido decidiu disputar as eleições municipais com candidaturas majoritárias nas cidades com mais de 20 mil habitantes. Assim, o PPS demonstra querer se fortalecer para disputar novamente a presidência da República em 2006. O senhor é candidato a presidente? - Estamos visando primeiro às eleições municipais. - Mas este processo vai desaguar nas eleições gerais de 2006, o senhor não acha? - Claro. Até porque o PPS não está atrelado a nenhum partido e não é sublegenda de ninguém, tem um projeto vitorioso da esquerda democrática, que hoje está encarnada no governo Lula. O PPS não é um partido exclusivista. - Mas o seu nome está lançado dentro do PPS como candidato à presidência da República para disputar a prévia, provavelmente, com o ministro Ciro Gomes? - O partido ainda não está discutindo as eleições gerais de 2006. As discussões são as eleições municipais. É evidente que o partido afirma e reafirma que tem seu projeto partidário próprio, da esquerda democrática, vamos disputar as eleições gerais de 2006. - O senhor é candidato a prefeito da cidade do Recife? - Não. Nosso candidato é o ex-ministro Raul Julgamann. - O ex-deputado federal Régis Cavalcante é candidato a prefeito de Maceió? - Ele é um grande nome. Mas quem vai decidir isso são os companheiros de Maceió. Não tenham dúvida de que Alagoas estará muito bem servida com a candidatura de Régis.