Política
Ciro Gomes nega crise no PPS e ap�ia filia��es
MARCOS RODRIGUES A vinda do ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PPS), ao Estado, foi cercada de muita expectativa. Tudo por causa de suas declarações publicadas na imprensa nacional, onde se referiu ao presidente do partido, senador Roberto Freire, como um ?coronel?, por causa de sua defesa para aumentar as filiações do partido. Segundo o ministro, é fundamental escolher os nomes para que a sigla não caia no ?pragmatismo? político provocado por sua entrada no poder. Em conversa com a imprensa, ele fugiu de todas as perguntas que se referiam a sua opinião sobre os quadros do partido. ?Não existe crise. Isso foi algo dito num contexto, mas publicado em outro, na imprensa, para criar novos fatos. A prova disso é que estou aqui justamente para prestigiar novas filiações?, rebateu Ciro. Ele chegou acompanhado do presidente do Partido Popular Socialista (PPS), no Estado, jornalista Régis Cavalcante. Ciro foi uma das atrações da festa montada pelo deputado federal Rogério Teófilo (PPS), que deixou o PFL, do deputado federal José Thomaz Nonô, para se tornar socialista. Mesmo com um atraso de duas horas, além do horário, ele ainda se encontrou no auditório com o senador Roberto Freire. O contato entre os dois foi breve, mas respeitoso. Sugeriram estar em paz. ?Desculpe-me o atraso. Espero que não especulem também sobre isso?, comentou. A preocupação foi de que os jornalistas publicassem que ele teria evitado um encontro com Freire. Filiações Sobre as filiações ocorridas no Estado e em especial a entrada do deputado Teófilo, Ciro disse que ela foi algo que aconteceu fruto de conversas com as lideranças do Estado. ?Não existem negociações sobre a entrada do deputado Teófilo. Se há um caso onde essa decisão foi amadurecida fora de qualquer contexto, foi esse. São convites que existem há anos; eu, particularmente, apenas nos últimos nove meses. Ele avaliou a conjuntura nacional e da política de Alagoas e, maturamente, tomou essa decisão que eu aplaudo?, explicou o ministro. Campanha A entrada de Teófilo no PPS, agita a política do Agreste e Sertão e desfalca o PFL. Agora o PPS ficará com 25 diretórios municipais, 60 vereadores e mais 250 lideranças (entre sindicalistas e líderes comunitários). Com isso, a campanha de 2004 apresenta uma nova dinâmica. E mais: Ciro garantiu que terá liberdade para trabalhar para a construção do partido e seus candidatos. ?Quando o presidente Lula me chamou para ser ministro e fazer parte de sua equipe refleti muito e, ao aceitar, disse que queria opinar na construção geral do Brasil e ter autonomia para fortalecer o meu partido?, explicou. Indagado sobre a possibilidade de o presidente negociar seu cargo com o PMDB, Ciro disse tranqüilamente que o ministério não é seu, mas, sim, do Executivo e ainda classificou como ?fofocas?, essas informações. Presidência Um detalhe interessante da fala de Ciro Gomes, tanto para a imprensa como para os novos filiados é que ele ainda se refere ao processo eleitoral, passado como um grande sofrimento em sua vida. ?Amadureci muito nos últimos tempos. Estava inclinado a não aceitar o ministério, por conta dos traumas que sofri. Aprendi muito com isso. Mas o presidente me mostrou que era importante ajudar o País, neste momento?, revelou Ciro. Diante de um auditório lotado de novos partidários, ele voltou a falar no assunto, reconhecendo que cometeu erros em função de sua ansiedade em acertar. Reconheceu que parte desses erros foi cometida com falas mal colocadas, e consequentemente, mal interpretadas. ?Agora, tenho clareza que é impossível só acertarmos. É preciso construirmos devagar. A última pessoa que conseguiu fazer tudo o que desejava e como queria foi Deus?, disse o ministro, em tom brando e demonstrando humildade. Ao falar da conjuntura nacional, Ciro disse que o País vivia a expectativa de aumento dos juros da dívida e ainda de ter uma inflação próxima dos 87%. ?Com uma taxa de juros maior que a rentabilidade dos negócios, ou seja para cada 2% investidos e 3% consumidos pelos juros, só restou como saída para alguns a especulação. Isso não é conversa de economista, é real. A conta cai no bolso do consumidor?, finalizou Ciro Gomes, admitindo que o governo encontrou o caminho para a recuperação econômica.