Política
ALFREDO GASPAR DEIXA MP E PAVIMENTA CANDIDATURA A PREFEITO
Para disputar as eleições municipais deste ano, de olho na Prefeitura de Maceió, ele teve que pedir demissão do órgão
O decorrer dos últimos dias trouxe a confirmação do que já era aguardado pelos mais próximos: o procurador-geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, está deixando o Ministério Público Estadual (MP) e deve concorrer às eleições para a Prefeitura de Maceió, em outubro. A despedida aconteceu numa reunião extraordinária convocada por Gaspar para a manhã de ontem, na sede do MP, com a presença de vários convidados, entre membros e servidores do MP, além de apoiadores.
A reunião foi marcada pela emoção. Alfredo Gaspar chegou à sala Joubert Câmara Scala sob aplausos e seu semblante demonstrava o aperto no peito por meio das lágrimas flagradas em seu rosto. Ele não quis se pronunciar sobre política e, na ocasião, agradeceu, um a um, aos personagens importantes, os quais chamou de amigos, que encontrou no Ministério Público Estadual.
“Primeiramente, aos senhores membros desse colegiado, quando assumi o cargo de procurador-geral, cheguei com pouco conhecimento, pouca capacidade de liderar, mas vocês me deram as mãos e me ajudaram a superar todas as dificuldades. Em nenhum momento, vocês me permitiram que eu falhasse. Vocês foram grandes companheiros e me deram a lição de que, para ser grande, basta dar as mãos. Esse colegiado é um exemplo de união e de decência. Eu fui aqui recebido de braços abertos. Saio daqui hoje, quando passar por aquela porta, com a certeza que os grandes professores da vida chegam quando menos esperamos”.
No MP, quem assume agora a interinidade do cargo deixado é o subprocurador-geral administrativo do órgão, Márcio Roberto Tenório de Albuquerque. Segundo o regimento, ele deverá convocar, em até 30 dias, novas eleições para a escolha do novo chefe do MP.
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Após o trâmite inicial, o procurador Márcio Roberto também deve se afastar, uma vez que será o candidato definitivo à vaga. A eleição para escolha do novo procurador-geral de Justiça de Alagoas deve acontecer no mês de abril.
O cargo não é novidade para o subprocurador-adjunto. Ele estava na função desde janeiro devido às férias do titular. Os rumores de que Gaspar seria candidato a prefeito de Maceió são antigos e ganharam força na semana passada, depois de conversas de bastidores darem conta de que ele teria o apoio do Palácio República dos Palmares e do prefeito de Maceió, Rui Palmeira.
Márcio Roberto também foi lembrado por Alfredo Gaspar em seu discurso. “Alagoas tem muita sorte de ter tantos homens predestinados. Não posso deixar de agradecer a pessoas como o doutor Márcio Roberto, amigo de primeira hora, que aceitou o encargo de ser subprocurador administrativo sem nunca me faltar lealdade e competência. Sei dos grandes avanços que tiveram o senhor como partícipe”.
O subprocurador-geral Márcio Roberto também fez uso da ocasião para prestar sua homenagem à Mendonça Neto. “Carregamos em nossos corações o sentimento de dor de, neste dia, prescindir da presença física do amigo Alfredo Gaspar de Mendonça Neto. Tenho certeza que estará pensando em nós, já que levará o Ministério Público em seu coração. Que seja uma jornada vitoriosa, porque é uma vitória nossa e do povo brasileiro”.
O então procurador-geral ainda destacou outra figura que foi importante durante a sua permanência na chefia do MP. “Outro que eu não poderia deixar de citar é o doutor Sérgio Jucá, verdadeira referência a Alagoas. Quando ele aceitou o cargo, me deu a certeza que os destinos da instituição, perante a segunda instância, estavam bem encaminhados. Eu muito introspectivo, o senhor muito brincalhão. Eu quero que o senhor saiba que lhe admiro demais, até pela paciência de conhecer minhas limitações e ter me dado a mão em um momento tão importante da minha vida”, expôs.
Alfredo Gaspar de Mendonça Neto aproveitou para lembrar de quem abriu as portas para ele no serviço público. “Eu quero agradecer ao doutor Dilmar Lopes Camerino, que foi o procurador-geral que me permitiu entrar no Ministério Público, por meio de um concurso público realizado pela Fundação Carlos Chagas. Doutor Dilmar, nós estivemos em lutas distintas, aqui na instituição, e eu já lhe pedi desculpa. A convergência é o melhor remédio para nós vencermos. Quando o senhor permitiu o concurso, o senhor deu a oportunidade para aquele jovem se reafirmar na vida e saber que, mesmo diante de tantas limitações, eu poderia entrar pelos meus próprios méritos”, ressaltou.