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Seca verde agrava crise no semi-�rido

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MAIKEL MARQUES / ARNALDO FERREIRA A chuva chegou tarde demais pelo segundo ano consecutivo. A pouca água que caiu não mudou a paisagem das áreas rurais do Sertão e do Agreste. Quem plantou alguma coisa viu a semente germinar, mas o fenômeno da seca verde impede o crescimento das plantas e leva milhares de agricultores ao desespero. O pequeno agricultor Miguel José dos Santos tem 54 anos e é um dos milhares de sertanejos que não têm o que comer. Como a maioria dos agricultores, perdeu toda a plantação de milho, feijão e algodão. Este ano ele cultivou 16 tarefas em maio e nada vai colher. ?Perdi tudo. A chuva não caiu e não tenho o que colher?, explica. Ele sobrevive às agruras do período de estiagem no povoado Bacurau, zona rural do município de Jaramataia, distante 164 quilômetros da capital alagoana. Na última quinta-feira, a reportagem da GAZETA o encontrou sentado à porta de sua residência contemplando o horizonte de penúria. ?É devastação. É miséria. É fome?, exclamou o sertanejo, em protesto contra as dificuldades provocadas pela estiagem que arrasou as culturas de milho, feijão e algodão que serviriam de sustento a sua família. Olhar entristecido, ele não gosta de contabilizar o prejuízo. O motivo é simples. Sua família já passa dificuldades e há muito não come carne de boi. Feijão, arroz e farinha estão racionados. Quando outubro chegar, admite que pode não ter o que comer. Na mesma situação estão centenas de sertanejos do mesmo povoado rural, localizado às margem da rodovia AL-220, na qual o único sinal de progresso é um posto de gasolina. ?Humilhante? ?Olhei para o tempo e vi que não tinha futuro. Insisti no plantio. Perdi a roça toda. É triste e humilhante passar por dificuldades?, conta Edson Augustinho Silva, 68, pai de sete filhos. Não fossem os R$ 240 da aposentadoria, estaria esmolando à porta da prefeitura de seu município, admitiu. Miguel José dos Santos e Edson Augustinho se somam aos sertanejos que perderam as safras da lavoura de subsistência e hoje não têm a quem pedir socorro. ?Não tem coisa mais triste do que trabalhar dia e noite no cabo da enxada numa roça que não deu em nada?, resume Miguel José, ao mostrar à reportagem da GAZETA o cenário de desolação do roçado. Ao percorrer as 16 tarefas cedidas por um proprietário rural de Jaramataia, Miguel José mostrou-se desolado com o feijão plantado, que não atingiu mais do que 10 centímetros. O milho não passou de meio metro. ?O algodão também não ?vingou?. Sobraram os galhos secos?. Com a perda da safra, restou-lhe uma última esperança: trabalhar roçando (arrancando) mato em plantações de palma em troca de uma diária de R$ 6,00, que pode render, no máximo, R$ 120,00 ao mês. As famílias começam a deixar as casas e partem em direção à Zona da Mata em busca de trabalho nas lavouras de cana.

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