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Helo�sa faz mist�rio sobre seu futuro pol�tico

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ARNALDO FERREIRA/MARCOS RODRIGUES A senadora Heloísa Helena (PT) anuncia, nesta terça-feira, se vai para outro partido a fim de disputar a Prefeitura de Maceió ou se fica para enfrentar a Executiva Nacional, que quer expulsá-la até o fim de outubro. Na sexta-feira, a senadora descartou novamente os boatos que dão conta de sua filiação ao PDT e voltou a criticar os dirigentes do partido que pregam aliança com o PSB e PMDB. Um dos dirigentes, o jornalista e advogado Ricardo Coelho, diz que não há mais condições de a senadora ser candidata a prefeita pelo PT. ?Hoje, Heloísa está voltada ao estrelismo, à ribalta e não quer saber do partido?, afirmou Coelho. No âmbito nacional, o presidente do partido, José Genoíno, o poderoso ministro José Dirceu e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de forma delicada, têm pedido a senadora que saia do partido. Eles evitaram sua expulsão no último dia 13, exatamente para não prejudicar sua imagem. Mas os próprios petistas afirmam que a senadora quer sair do partido criando caso para se apresentar à opinião pública como vítima de incompatibilidade na orientação política. Geralmente, as críticas contra Heloísa vêm das correntes petistas de linhas moderadas e de centro. As alas mais à esquerda apóiam os radicais e têm na senadora sua maior estrela. Nesta segunda-feira, as alas de esquerda do PT fazem manifestações em todo o País em sua defesa e por sua permanência. Enquanto isso, os dirigentes nacionais e locais esperam uma definição até terça-feira. Caso queria mesmo ser prefeita de Maceió, ela não terá outra alternativa, terça tem de se filiar a um novo partido e comunicar sua decisão ao Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas. Ou, do contrário, permanecerá filiada e no dia três de outubro oficializa no diretório municipal sua pré-candidatura de prefeita e até o fim do mês enfrenta o tribunal de ética. Incógnita Na entrevista que concedeu na sexta-feira, Heloísa voltou a fazer mistério. ?Só anuncio o que fazer no futuro político na terça, ou seja, depois da prorrogação dos 45 minutos do segundo tempo?, disse numa alusão ao seu futuro no PT, comparando-o a uma decisão de final de campeonato de futebol entre duas equipes importantes. Sobre as declarações do presidente do diretório estadual, deputado Paulo Fernando dos Santos - Paulão, que defende aliança PMDB, PSB e outros partidos da base de aliança do presidente Lula, Heloísa condenou o projeto. ?Não existe resolução dos diretórios sobre as alianças. O que uma ou outra personalidade do partido tem feito é falar sobre isso. Eu mesma já ouvi falas de que vão fazer aliança com o PMDB do senador Renan Calheiros (AL), com o PSB do governador... Acho que as pessoas se expressarem individualmente é um direito que elas têm, assim como eu também quero que respeitem o meu direito. Quando este debate for para a instância partidária então eu vou lá e me posiciono?, declarou. Sobre seu futuro no partido, acrescentou: ?estou há mais de 10 anos no Diretório Nacional, mais de cinco anos na Executiva Nacional, nunca fui uma pessoa de correr dos desafios, estive no PT/AL nos momentos mais difíceis, então é evidente que não penso em sair?, ressaltou. Estrelismo Hoje, só os militantes das tendências mais à esquerda do PT defendem o nome da senadora. Os caciques a rejeitam. ?Não há mais clima para a senadora ser candidata a prefeita pelo PT. Ela não discute com o partido, abandonou nossas reuniões e a última vez em que se reuniu com os diretórios locais foi em julho do ano passado, quando anunciou aquela lamentável renúncia?, disse, garantindo que Heloísa jogou fora a oportunidade de ser governadora ou ministra de Lula. Ele avalia que Heloísa deixou o PT em 2000, quando, ao invés de apoiar a candidatura de Paulão a prefeito, foi ao Diretório Nacional defender a candidatura do ex-deputado federal Régis Cavalcante (PPS). ?Ano passado, além de renunciar, ela não fez campanha para Lula?, disse Ricardo, lembrando que o P T em 92 resolveu apoiar a candidatura da desconhecida sindicalista da Ufal para vice na chapa de Ronaldo Lessa; em 94 de novo para deputada estadual; em 96 o PT fechou com ela na disputa pela prefeitura e em 98 a militância trabalhou para elegê-la senadora. ?Realmente, Heloísa precisa refletir bastante. Hoje, ela optou pelo estrelismo e pela ribalta?, lamentou. Estranhamento A presidenta do Diretório Municipal, Cláudia Amaral, ficou surpresa com as declarações do deputado Paulão e do delegado regional do Trabalho, Ricardo Coelho, defendendo alianças com tradicionais adversários. Sobre Heloísa, ela disse que a senadora só não será candidata se sair do partido, ?por qualquer motivo?, do contrário, seu nome segue para a disputa interna com outros três pré-candidatos. Mas as articulações para as alianças com o PMDB estão adiantadas. O ministro José Dirceu já indicou o presidente da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), Joaquim Brito, para articular um encontro entre Paulão e o senador Renan Calheiros. O objetivo é conversar sobre a sucessão da prefeita Kátia Born (PSB). A aproximação com o PMDB conta com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e faz parte do projeto do partido de manter unida sua base aliada no Congresso.

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