Política
SEM DAR DETALHES, BOLSONARO DIZ QUE PASSARÁ POR NOVA CIRURGIA
Presidente já passou por quatro procedimentos cirúrgicos desde que foi vítima de uma facada
São Paulo, SP - Em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da TV Record, exibida no último domingo (8), Jair Bolsonaro afirmou que terá que passar por nova cirurgia. O presidente já passou por quatro procedimentos cirúrgicos desde que foi vítima de uma facada, durante a campanha eleitoral de 2018.
Bolsonaro participou de um quadro com o humorista Márvio Lúcio dos Santos Lourenço, conhecido como Carioca, que estava caracterizado como o presidente.
“Vai ter mais uma cirurgia final agora. Deve ser a última”, disse Bolsonaro, sem dar detalhes sobre quando seria o procedimento ou por que razão seria necessário.
Em setembro, o mandatário passou pela sua quarta cirurgia. O procedimento foi necessário para corrigir uma hérnia que surgiu na região onde foram feitas três operações desde o atentado.
A hérnia ocorreu porque, em virtude do enfraquecimento da parede muscular do abdômen, uma parte do intestino passou por uma cavidade desse tecido. As sucessivas incisões (cortes) na barriga fragilizaram o músculo, o que fez com que a porção do órgão e uma camada de gordura rompessem a membrana, criando uma saliência sob a pele.
O então candidato a presidente foi esfaqueado por Adélio Bispo de Oliveira em 6 de setembro de 2018. O autor do crime está preso desde então.
No programa exibido no domingo, Carioca entregou a Bolsonaro uma edição impressa da Folha, após ouvir do presidente que ele não lia jornais.
Bolsonaro então reclamou da cobertura negativa da imprensa e falou que havia muita fake news na mídia tradicional.
Na quarta (4), Carioca apareceu ao lado de Bolsonaro em frente ao Palácio do Alvorada, onde geralmente o presidente cumprimenta apoiadores e dá declarações à imprensa.
Na ocasião, o humorista tentou distribuir um cacho de bananas em referência ao episódio recente em que Bolsonaro, irritado com a cobertura da imprensa, cruzou os braços com as mãos fechadas, dando uma banana aos repórteres.
A fruta foi recusada pelos jornalistas e cinegrafistas presentes, que se afastaram do local. O humorista não desistiu e pediu para que os repórteres fizessem perguntas a ele, o que não ocorreu. “Ninguém tem pergunta?”, repetia, sem obter respostas.
A cena foi exibida no domingo pela Record, que borrou a imagem dos jornalistas.
PROTESTOS NO DIA 15
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), José Dias Toffoli, se recusou a comentar, ontem, a iniciativa do presidente Jair Bolsonaro de conclamar a população a participar de manifestações agendadas para domingo (15) em apoio a seu governo. As manifestações são organizadas por ativistas conservadores e, além de bandeiras em defesa do presidente e das Forças Armadas, apresentam ataques ao Congresso e ao Judiciário. Nas redes, há algumas convocações de caráter autoritário, pedindo o fim do Legislativo e do Supremo Tribunal Federal. “Não sei de nada”, afirmou Toffoli, após discursar na abertura do 21º Congresso Internacional de Arbitragem Marítima, no Rio de Janeiro. Em seu breve discurso, Toffoli afirmou, no entanto, que a função da Justiça é de pacificação de conflitos, tarefa que requer suporte da sociedade. “A função última do Poder Judiciário é promover a pacificação social. É necessário que a sociedade também atue de forma cooperativa”, disse Toffoli. O presidente do STF disse ainda que “o Brasil tem orgulho de sua magistratura e de seu Judiciário”. Presente ao Congresso, o ministro do Supremo Luiz Fux também se recusou a comentar. Ao chegar, ele disse que só se manifestaria sobre os temas em debate no encontro. “Nada de lá de fora”. Na saída, voltou a se esquivar: “não gosto de falar rápido para não falar errado”, argumentou. No sábado (7), Bolsonaro pediu que a população participe das manifestações programadas para o próximo dia 15 e afirmou que político que tem medo de rua não serve para ser político. A declaração foi dada em Boa Vista para cerca de 400 pessoas, entre autoridades políticas roraimenses e simpatizantes. A organização do protesto tomou forma após o ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, dizer, em fala captada por transmissão na internet, que o governo era alvo de chantagem em disputa por controle do Orçamento da União.