Política
Desembargador Sapucaia pode ser punido por cr�ticas ao Judici�rio
MARCOS RODRIGUES O Tribunal de Justiça do Estado (TJ) iniciou a semana com várias reuniões de bastidores, para discutir uma punição para o recém-empossado desembargador Antônio Sapucaia. Segundo alguns desembargadores, o conteúdo do discurso que ele proferiu na última sexta-feira, ao ser empossado no cargo, expôs o poder de forma negativa e, por isso, o TJ poderia publicar uma nota de desagravo. Ontem, duas opiniões circularam, dentro dos gabinetes do TJ, sobre o que fazer: uma era de que Sapucaia deveria ser punido para serem evitados futuros ?problemas? para o Poder; outra, porém, era de que uma punição para o desembargador poderia funcionar como uma espécie de ?recibo? para as suas duras críticas. Uma outra informação, ainda mantida em sigilo oficial, seria a possibilidade da contratação de um escritório de advocacia, com influência, para interpelar o desembargador e obrigá-lo a provar todas as revelações que fez sobre alguns desembargadores. Em rápida entrevista, ontem, à GAZETA DE ALAGOAS, Sapucaia manteve tudo o que disse no dia de sua posse, em 14 laudas de discurso, mas preferiu não entrar em detalhes. ?Estou sub judice, por isso não posso dar entrevistas. Mas não me arrependo do que disse. Acho que mereço uma punição, mas não me arrependo. Faria tudo de novo?, manteve Sapucaia. Incômodo Entre os incômodos provocados por seu discurso, na sexta-feira, 27, está a referência de que desembargadores teriam legislado em causa própria, para assumir vagas no TJ; de que existem magistrados que ?não diferem despacho jurídico de um despacho de macumba?; e da união da categoria para manter salários e não a ética do Poder. Porém, o golpe mais forte foi questionar a atuação da ex-diretoria do Poder, e afirmar que o Judiciário ?pode ser vítima de movimento dos sem-justiça?. O próprio Sapucaia revelou ainda que sabe que não agrada o perfil da categoria, pois não seria ?conivente com ações que lesem a sociedade?. Ele ainda fez referência ao que chamou de ?omissão? do Tribunal quando a ele recorreu para pedir apoio sobre as ameaças de morte que recebeu de grupos organizados do Estado, entre outros processos internos, os quais define como ?tetraplégicos?. Apoio Mas a indicação por antigüidade, depois da morte do juiz Wilton Moreira, foi aplaudida por diversos setores da sociedade. Entretanto, os apoios mais significativos vieram do Legislativo, que aprovou moção de reconhecimento, e do próprio governador Ronaldo Lessa (PSB). No Legislativo, o pedido de reconhecimento de sua indicação foi apresentado pelo deputado Paulo Fernando dos Santos (PT). Foi ele quem puxou os aplausos na sessão de posse do desembargador, forçando, naturalmente, todos os convidados, mesmo os descontentes, a aplaudir o conteúdo de seu discurso. Sua entrada para a integrar a corte suprema foi demorada. Em diversas ocasiões, seu nome chegou a integrar a lista de apreciação do Poder, mas não era aprovado. Ele passou a integrar os quadros do TJ, em 1971, e antes de atuar na capital, por 13 anos, esteve nas comarcas de Água Branca, Colônia de Leopoldina, Viçosa e Atalaia. A expectativa, agora, é para a sessão de hoje do TJ, marcada para o período da tarde. Será o primeiro encontro dos desembargadores com o homem que, de público, tocou no que seriam feridas profundas do Judiciário alagoano e que demonstra não temer o isolamento.