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PSB: disputas internas ignoram �ndices sociais

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MARCOS RODRIGUES A eleição do vereador Marcos Vieira para o Diretório Municipal do PSB pôs fim, segundo ele mesmo, às disputas internas entre os grupos que hoje atuam dentro do partido. Mas se por um lado isso pode ser verdadeiro, expôs um processo de luta orgânica que se distancia dos principais objetivos dos governos municipal e estadual, entre eles o de lutar para melhorar as condições econômicas e sociais da população, no sentido de reduzir, por exemplo, os ainda perversos índices de desigualdade divulgados esta semana pela Organização das Nações Unidas (ONU). Ao todo o PSB está no poder há 12 anos na capital e quase cinco no Estado. Segundo os dados da ONU, na última década o Brasil piorou os seus índices e, hoje, ocupa o sexto lugar entre os países com a pior distribuição de renda, segundo o ?Atlas do Desenvolvimento Humano?, divulgado pelo Programa da Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Ainda segundo o mesmo documento, Alagoas é o Estado com maior desigualdade na distribuição de renda e o segundo com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do País, embora, em relação a este último item, seja o que apresentou maior recuperação. Esse tema não norteou o processo de disputa pelo poder no PSB. Basicamente, as divergências entres os grupos do vereador Marcos Vieira e o da deputada Maria José Viana e Kátia Born discutiam o que iria determinar mais nomes da legenda para a eleição de 2004. Além disso, é claro, influenciar o nome do candidato do partido. Menor Mas tudo isso segundo a ex-secretária de Educação e atual deputada, Maria José Viana (PSB), é algo menor diante dos desafios que o Estado tem pela frente. ?Enquanto se perde tempo com essa política de grupos, perdemos a chance de trabalhar em função do Estado e desses índices que ainda nos envergonham. Precisamos nos unir para discutir políticas maiores que ajudem a melhorar a qualidade de vida. Quem está no poder tem uma responsabilidade maior com isso?, desabafou a deputada. Para Maria José, os excluídos do Estado precisam de projetos e políticas para o futuro. Como exemplo, ela citou o trabalho que desenvolveu na Secretaria de Educação. ?A transformação da sociedade só ocorrerá com educação. Num esforço coletivo, pagaremos nossa dívida social?, disse. Expulsão A deputada, mesmo demonstrando envolvimento com as causas sociais, está na mira do grupo que foi eleito para o Diretório Municipal. O secretário-geral do PSB, Welisson Miranda, é um dos defensores de que a deputada seja submetida à Comissão de Ética do partido. Além dela, ele cita também o jornalista Renato Soares, atualmente morando em Brasília. Apresentando?se em nome do governador Ronaldo Lessa, Welisson afirma que Soares motivou um tumulto no encontro de mulheres do partido. A confusão, segundo contou, aconteceu devido à entrada do jornalista com seguranças armados num evento, há duas semanas. Esse fato, porém, é negado não só por Renato Soares, como pela eleita para o movimento de mulheres socialistas, Tereza Nelma. Ela, inclusive, desmentiu a informação sobre o tumulto em documento divulgado por parte da imprensa. Social Mas além da derrota do grupo da prefeita, as disputas internas do PSB mostram o quanto o partido está se distanciando das discussões sociais. Tanto na eleição do segmento feminino do partido, como na da juventude socialista, não ocorreram debates que ganhassem a sociedade sobre como o partido atuará nos próximos anos. O tema central foi a proporcionalidade no diretório, que determinará, através de votos, quais serão os nomes do PSB que disputarão o próximo pleito. Nesse sentido, mais uma manobra jurídica aconteceu. Segundo o ex-presidente da Juventude, Jardel Aderico, uma dissidência da juventude, conseguiu validar um encontro realizado, uma semana, antes do prazo considerado oficial. O detalhe é que os jovens também influenciam internamente a partir o Diretório Municipal. A eleição, ainda sim, foi reconhecida pela Executiva Estadual do PSB. Com isso, o caso vai parar no Diretório Nacional. Mediação No meio de todo esse fogo cruzado está o governador Ronaldo Lessa. Somente ele é capaz de conter os dois lados do próprio partido. O resultado foi a falta de unidade. Ele articulou até a madrugada da última segunda-feira uma chapa de consenso, mas o nível de divergências internas não permitiu essa possibilidade. Lessa queria manter a unidade do partido, que depois da disputa existe de forma ?aparente?, mas que pode ser alterada a qualquer momento. Sobre os recursos que vêm ocorrendo nos bastidores para anular ou alterar os resultados dos encontros paralelos, o governo não se pronuncia oficialmente. O partido também não emitiu nenhuma nota pública sobre o que vem se passando internamente. Diante da publicação dos índices divulgados pela ONU, também não ocorreram manifestações.

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