Política
Partidos que cobi�am a prefeitura vivem inferno astral
ARNALDO FERREIRA A maioria dos partidos que se colocam como favoritos na corrida pela Prefeitura de Maceió, nesta fase de definições de políticas de alianças e candidaturas majoritárias, vive uma espécie de inferno astral. Desta situação não escapa nem o PSB do governador Ronaldo Lessa. Internamente, o governador e a prefeita Kátia Born tentam acalmar as tendências que vivem se digladiando e comprometendo as pré-candidaturas dos deputados federais Givaldo Carimbão, Maurício Quintela e do vice-prefeito Alberto Sexta-Feira. As constantes aparições do vice-prefeito na capa do Diário Oficial do Município causam ciúmes nos outros dois pré-candidatos à sucessão da prefeita Kátia Born. O deputado Givaldo Carimbão contra-ataca, articulando a vinda de ministros para Alagoas, como fez na última terça-feira, quando trouxe ao Estado o ministro dos Esporte, Agnelo Queiroz. Maurício Quintela aposta num suposto apoio e até na possibilidade de vir a ser o candidato de consenso. Mas trabalha discretamente nas bases. Ele passou a última semana numa missão parlamentar da Câmara dos Deputados. PTB Já o PTB, discretamente, saiu de cena e dos bastidores políticos. O presidente do partido e candidato assumido a prefeito, o deputado federal e industrial João Lyra, chega, neste domingo, de São Paulo, onde foi submetido a uma cirurgia. O coordenador da campanha de Lyra, o ex-deputado João Neto, adiantou que o parlamentar está bem e, a partir desta semana, retoma as articulações para as composições das chapas majoritária e proporcional. Lyra vai tentar costurar alianças com PFL, PMN, PP e fortalecer a aliança com o PSL do deputado Antônio Hollanda, que já declarou apoio à candidatura do PTB. João Lyra, a partir de agora, começa a buscar um vice. Tem algumas estratégias. Mas seus coordenadores de campanha fazem sigilo para não atrapalhar as articulações. PMN Já o presidente do PMN, o pastor e radialista Ildo Rafael, desconhece qualquer tipo de articulação com o PTB. ?Não discutimos política de aliança com o deputado João Lyra?, afirmou Ildo Rafael ao lembrar que seu partido tem candidato a prefeito. ?O nosso candidato é o deputado estadual Cícero Amélio. A sua candidatura cresce satisfatoriamente na periferia de Maceió?. Rafael avaliou que seu partido vai esquentar a discussão sobre a disputa pela Prefeitura de Maceió no próximo ano. O PMN promete apresentar 25 candidatos a prefeito. Hoje tem apenas o prefeito em exercício de Satuba, José Zezito, e 32 vereadores. A maior bancada de vereadores está em Arapiraca, onde tem seis cadeiras, inclusive a do presidente da Câmara, ocupada pelo vereador Ricardo Nezinho. Na última eleição, o partido lançou Ildo Rafael como candidato ao Senado e ficou em quarto lugar, com 100 mil votos, a metade dos obtidos em Maceió, e elegeu o deputado Gilberto Gonçalves, que hoje está no PP. PDT O PDT aposta na candidatura do deputado estadual e radialista Cícero Almeida. O parlamentar tem boa penetração nas camadas mais pobres da cidade, que moram nas grotas e favelas, por causa de duas clínicas, onde desenvolve sua política de assistência, e é reverenciado como repórter policial de TV e apresentador de programa de forró em emissora de rádio. O presidente do partido, ex-vice-governador Geraldo Sampaio, está confiante na candidatura do deputado. Mas o partido ainda não botou o bloco na rua. Aguarda mais definições do quadro eleitoral. PPS O Partido Popular Socialista (PPS) trabalha nos bastidores para fortalecer a candidatura a prefeito do partido. O ex-deputado Régis Cavalcante tem aproveitado o tempo da propaganda gratuita do Tribunal Regional Eleitoral para divulgar seu projeto de governo e o jargão de campanha: ?Pensa nisso?. Neste momento, o partido trabalha a política de alianças e a formação das chapas majoritária e proporcional. PT O PT está dividido entre as pré-candidaturas do deputado Paulo Fernando dos Santos- Paulão e da senadora Heloísa Helena. É forte nos bastidores do partido a tese de construção de uma chapa de consenso. As alas mais à esquerda, lideradas pelo vereador Thomaz Beltrão, apóiam a tese da chapa de consenso com a senadora, que pode ser expulsa até o dia 25 pelo diretório nacional. As alas moderadas e de centro, lideradas pelo professor e advogado Ricardo Coelho e pelo vereador Judson Cabral, fecham em torno de Paulão. A senadora Heloísa Helena avisa ao partido que não pretende fazer alianças ?cínicas? com partidos que o PT há bem pouco criticava. Desta maneira, descartou alianças com PMDB, PTB, PL e PSB. Já o grupo do deputado Paulão, liderado pelo presidente da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), Joaquim Brito, repete que quer Heloísa fora do partido. E apóia a tese de alianças. Ricardo Coelho diz que não tem sentido a senadora querer ser candidata à prefeita pelo PT. ?Ela não discute com as instância do PT alagoano, abandonou o partido. Na eleição de 2000 não apoiou Paulão e na eleição passada não fez campanha para Lula. Então, por que ela quer, agora, ser candidata a prefeita do partido? Este é um projeto coletivo e não pode ser visto com um projeto pessoal?, disse o ex-coordenador da campanha da senadora. PMDB/PSDB Já o PMDB do senador Renan Calheiros e o PSDB do senador Teotônio Vivela Filho ameaçam apresentar candidaturas próprias. As duas maiores lideranças trabalham forte nos bastidores, mas tudo acontece da forma mais discreta possível. Os porta-vozes dos dois partidos dizem apenas que os dois senadores continuam discutindo política de aliança nas eleições municipais com o governador Ronaldo Lessa e com a prefeita Kátia Born. No caso do PMDB, o senador Renan Calheiros tem repetido querer conversar, inclusive, com o presidente do PT e também candidato a prefeito, deputado Paulo Fernando dos Santos. ?O ideal é a gente sair deste processo fortalecido?, afirma Renan. O PSDB é apontado como o partido que pode indicar o vice da chapa do PSB. O vereador Jorge VI diz que se o partido não apresentar candidatura própria, a aliança preferencial é com o PSB.