Política
Comiss�es da C�mara estudam puni��o para George Sanguinetti
ARNALDO FERREIRA A Câmara Municipal de Maceió, através das comissões de Ética, Direitos Humanos e de Justiça, analisa uma forma de punição para o vereador George Sanguinetti (PSDB), em virtude do episódio da última quarta-feira, em que ele, ao chegar à sede do poder legislativo, destruiu faixas de ex-servidores da extinta Companhia de Beneficiamento de Lixo de Maceió (Cobel) e seus seguranças sacaram armas para os manifestantes. No momento em que o país inteiro discute o desarmamento, como forma de reduzir o índice de violência, a atitude de Sanguinetti é vista como um péssimo exemplo para a Casa, que teve sua imagem desgastada com o episódio. As punições previstas para parlamentar que anda armado no plenário da Câmara vão desde advertência até a cassação de mandato do acusado. Até ontem, havia dúvida sobre se o vereador estava realmente armado na hora em que se desentendeu com os ex-servidores da extinta Cobel, seus seguranças sacaram pistolas e apontaram na direção dos manifestantes. Mas o próprio vereador admitiu: ?Eu tinha uma pistola na minha bolsa. Porém, não saquei?. Desta maneira, o vereador complicou sua situação perante a maioria dos 20 vereadores. Sanguinetti foi duramente criticado por usar de violência contra ex-servidores da Cobel e andar armado na Câmara. O primeiro a falar na sessão de ontem foi justamente George Sanguinetti. Seu discurso foi uma espécie de mea culpa: ?Tivesse eu a formação do vereador Toroca; tivesse a diplomação dos meus colegas evangélicos; teria tratado os manifestantes com mais diplomacia. Mas o homem é o momento. Não aceitei ter meu direito de ir e vir cerceado?. Ao admitir que estava armado, tentou amenizar: ?Não apontei minha arma para ninguém. Não saquei a arma. Sou uma pessoa de fino trato. Havia uma força opositora, hostil e que tentava impedir um vereador de entrar no seu lugar de trabalho?, disse o parlamentar ao acrescentar que ?não tenho segurança particular. O que existe são PMs que estão, legalmente, a meu dispor?. O vereador Walter Pitombo Laranjeira- Toroca, disse não concordar com o fato de um vereador andar armado na Câmara. Mas defendeu Sanguinetti ao afirmar que ninguém pode ser impedido de entrar no seu local de trabalho. Regimento O presidente da Câmara Municipal, vereador Alan Balbino, esclareceu, em discurso logo após a declaração de Sanguinetti, que o regimento da Câmara proíbe que qualquer pessoa transite naquele parlamento com arma de fogo. ?Neste aspecto, os servidores da Casa estão orientados para proibir qualquer pessoa de andar armada?. Balbino considerou o ato protagonizado pelo colega do PSDB como um ?vexame?. E, ainda no discurso, disse para o colega que ?qualquer pessoa tem o direito de fazer manifestações e reivindicações ordeiras à porta da Câmara. O regimento da Câmara tem de ser cumprido e o Poder não pode perder a sintonia com o povo?. O presidente da Comissão de Direitos Humanos, vereador Judson Cabral (PT), considerou o ato da extinta Cobel como legítimo. Além de condenar os seguranças e o próprio Sanguinetti por andar armado na Câmara, o convocou para depor segunda-feira às 9h30, na sessão conjunta das comissões de Ética, Justiça e Direitos Humanos. ?A imagem de combate à violência na Câmara foi arranhada, exatamente no momento em que o Brasil clama por desarmamento?, lembrou Judson Cabral. O presidente da Comissão de Ética, vereador Thomaz Beltrão (PT) exigiu um pedido de desculpa formal aos trabalhadores. ?Tem de haver um tipo de punição para esta atitude antidemocrática?. A prefeita Kátia Born, além de condenar a atitude do vereador, orientou os ex-servidores a buscar seus direitos na Justiça. ? O que a Justiça determinar acataremos. Não podemos burlar a lei e recontratar os 667 servidores afastados por determinação da Procuradoria do Trabalho?.