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Tesoureiro do PSDB ter� sigilo quebrado

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Brasília ? Na próxima semana, o procurador da República Luiz Francisco de Souza, que ganhou notoriedade com sua cruzada anticorrupção, pedirá a quebra do sigilo bancário de Ricardo Sérgio de Oliveira. Não se trata de um caso trivial. Ricardo Sérgio, ex-diretor do Banco do Brasil, comandou a Previ, maior fundo de pensão do País, durante as grandes privatizações do governo Fernando Henrique. E mais: ele é íntimo dos líderes do PSDB e foi um dos principais arrecadadores de recursos para campanhas políticas do partido. Os documentos que fundamentam o pedido de quebra do sigilo foram obtidos pela Dinheiro e pousaram nesta semana na Procuradoria. Trata-se de um suposto mapa da privatização da Telemar. Nele, está descrito como os quatro sócios privados ? La Fonte, Andrade Gutierrez, Inepar e Macal ? deveriam arcar com os pagamentos previstos no leilão. O ponto que mais chama a atenção é um ágio de R$ 12,5 milhões desembolsado por cada sócio participante da operação. Pelo lance vencedor do leilão ? realizado no dia 29 de julho de 1998 na Bolsa do Rio de Janeiro ? cada um deles deveria ter desembolsado R$ 349,3 milhões por uma participação de 11% no capital da empresa. Mas todos, segundo os papéis que chegaram ao procurador Luiz Francisco, aceitaram pagar R$ 361,8 milhões. A diferença de R$ 12,5 milhões, multiplicada por quatro, soma R$ 50 milhões. Comissões Essa quantia, de acordo com as denúncias que estão sendo apuradas pelo Ministério Público, seria uma suposta comissão paga pelos sócios a Ricardo Sérgio de Oliveira, que em troca teria garantido a participação dos fundos de pensão estatais e de seguradoras do Banco do Brasil no negócio. ?É nesse arranjo societário que pode ser revelado o roteiro da propina?, disse Luiz Francisco à Dinheiro. Ricardo Sérgio, que perdeu o cargo após ser flagrado nos grampos do BNDES dizendo ter agido ?no limite da irresponsabilidade? durante a privatização, se defende. ?As acusações e insinuações feitas contra mim neste caso são todas caluniosas e quem as fez está sendo processado?, rebateu. Foi seu único comentário, referindo-se ao processo por difamação que move contra o ex-senador Antônio Carlos Magalhães. A determinação de Luiz Francisco em apurar o caso possui outro componente nada trivial. ?A base de meu requerimento são os documentos obtidos pelo ex-senador ACM?, afirma o procurador. Essa mesma papelada ? um total de 13 páginas ? já havia sido encaminhada, no dia 24 de janeiro, à Polícia Federal por ACM. Foi quando o ex-senador baiano depôs, em Salvador, no inquérito que investiga a ação de Ricardo Sérgio e dos fundos de pensão na venda da Telemar. Mas o delegado que conduzia esse inquérito, Deuler Rocha, acabou sendo afastado do caso no dia 13 de março. A ordem partiu do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Marcelo Itagiba. A amigos, ACM tem dito que o governo deixou claro que preferiu abafar a investigação. Na Polícia Federal, afirma-se oficialmente que a saída de Deuler foi um ato de rotina e que as investigações prosseguem. Dossiês Os documentos voltam à cena em um momento particularmente delicado. O PFL de ACM não se conforma com o golpe sofrido por sua candidata à Presidência, Roseana Sarney, e acusa a equipe de José Serra de ter forjado um flagrante na empresa Lunus, de propriedade dela e do marido Jorge Murad. O incidente abriu uma verdadeira guerra de dossiês entre os antigos aliados e uma tentativa de vingança dos pefelistas contra o candidato do PSDB é tida como certa. Ricardo Sérgio, pela proximidade com Serra, seria o alvo perfeito.

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