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Canal do Sert�o: Lessa busca R$ 400 milh�es para a obra

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ARNALDO FERREIRA Vale do Moxotó/Delmiro Gouveia (AL) ? O ritmo da obra hídrica mais importante de Alagoas ? o Canal do Sertão ? localizado nesta região mais quente do semi-árido alagoano, a mais de 300 quilômetros de Maceió, está muito lento, quase parando. Na fase inicial, a obra sofreu uma paralisação de dez anos e foi retomada no primeiro governo de Ronaldo Lessa (PSB). O projeto total está orçado em cerca de R$ 500 milhões e já consumiu cerca de R$ 50 milhões. O Estado espera a liberação de mais R$ 17 milhões prometidos pela União para a conclusão da primeira fase. Sem previsão de recursos federais para a 2a etapa, o governador Ronaldo Lessa (PSB) anunciou, ontem, que o Estado se prepara para negociar a liberação de um empréstimo de R$ 400 milhões no Banco Mundial (BID), para garantir a conclusão da obra. Nesta primeira etapa, já estão prontos 90% da fase mais importante do projeto. A primeira etapa, chamada tomada de água, está pronta, com secadeira, um canal de aproximação para a estação elevatória, o duto de sucção e os tubos que levam água até o canal propriamente dito. Agora, vem a fase de acabamento como instalação de bombas de sucção do Rio São Francisco e conclusão de cobertura dos dutos. Recursos O governo estadual, hoje, aguarda os recursos de 2003, da ordem de R$ 17 milhões, para a conclusão da primeira etapa do projeto. Nesta fase mais lenta, a construtora Norbert Odebrecht está recobrindo a tubulação que vai levar a água do Velho Chico até o canal. Já estão prontos 16 quilômetros de canal com sua instalação concluída e o próximo passo é construir mais 18 quilômetros de canal para atender o primeiro perímetro irrigado no município de Pariconha, que fica na região do Moxotó, considerada uma das mais inóspitas de Alagoas. Obras Ontem, o governador Ronaldo Lessa (PSB), o senador Teotonio Vilela Filho (PSDB), o vice-presidente do Comitê Pró-Canal do Sertão, o prefeito Marcos David (PV), de Santana do Ipanema, entre outros prefeitos, vereadores e líderes políticos desta região passaram a manhã no canteiro de obras. A comitiva constatou que a empreiteira Norbert Odebrecht trabalha de forma mais lenta, exatamente por falta de recursos. ?Estamos nos preparando para buscar recursos externos no Banco Mundial (BID), para garantir a continuação desse projeto. Já tenho o compromisso do BID de financiar R$ 400 milhões para sanear Maceió. Daí, acredito que o BID poderia financiar mais R$ 400 milhões para o Canal do Sertão?, acredita Ronaldo Lessa. ?A obra não parou. A empreiteira teve de diminuir o ritmo para poder compatibilizar seus esforços com as dificuldades que estamos vivendo?, fez questão de frisar o governador, sem atacar o governo do presidente Lula, que manteve contingenciados os recursos das obras hídricas. ?O contingenciamento foi para todos os estados?, disse Lessa, ao defender Lula. O Canal do Sertão é um protótipo de transposição. O projeto é modular. ?O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, nos garantiu que esta obra não vai parar?. Lessa acrescentou também: ?Além do Canal do Sertão, tenho mais dois projetos importantes que quero realizar até o fim do governo, que é o centro de convenções, em Maceió, e a duplicação do Aeroporto Zumbi dos Palmares?. Débito No caso do Sertão, Lessa disse ter um débito político com a população sertaneja, que garantiu a sua primeira eleição para governador, quando todos achavam que ele seria derrotado na região. ?Portanto, nada poderá deter a nossa determinação de construir alguns módulos?. O Canal do Sertão depois de concluído vai levar água do São Francisco, interligando Delmiro Gouveia a Arapiraca, capital do Agreste, num trecho de 150 quilômetros. Antes de visitar a obra, Lessa sobrevoou a região semi-árida. ?Está tudo seco. A imagem é desoladora. Muitos rios secaram?, narrou o governador. Como o presidente Lula vai visitar a Serra da Barriga, no município de União dos Palmares, participar das solenidades do Dia da Consciência Negra, no dia 20 de novembro próximo, o governador tentará incluir no roteiro do presidente uma visita às obras do Canal do Sertão. O prefeito de Delmiro Gouveia, Luiz Carlos Costa - Lula Cabeleira (PMDB) - e sua filha, a deputada estadual Ziane Costa (PMDB), também estavam na comitiva. ?As bancadas federal e estadual estão unidas para apoiar o governador no que for preciso, para garantir a continuação desta obra que vai mudar a situação de miséria vivida por 30 municípios?, acredita o prefeito de Delmiro. Irreversível O senador Teotonio Vilela voltou a sustentar que o Canal do Sertão é uma obra irreversível. A conclusão da obra depende de mais R$ 400 milhões. ?Esse montante não há como tirar do Orçamento da União. A duras penas, a obra já consumiu cerca de R$ 50 milhões. Por isso, o governador está certo em trabalhar a possibilidade de ir buscar dinheiro fora do Brasil?, frisou. Depois de visitar a obra, no fim da manhã, Lessa inaugurou a pavimentação da via de acesso ao município de Água Branca e, no fim da tarde, se reuniu com a presidenta da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), a prefeita de Feliz Deserto, Rosiana Beltrão (PSB), e mais 22 prefeitos. Os pleitos principais foram mais recursos para a contratação de caminhões-pipa e ampliação do programa Fome Zero para as comunidades das zonas rurais que amargam dois anos de estiagem. Futuro A próxima etapa é estimular a bancada federal a continuar pressionando para incluir recursos para as obras hídricas, em especial o Canal do Sertão. Lessa e os senadores Renan e Teotonio vão tentar atrair estrelas do PT para conhecer, antes do presidente Lula, como está o andamento das obras, que prometem ser um ?tiro mortal? na indústria da seca. ?Nós não iremos acabar com a estiagem. Vamos estabelecer a convivência com o desenvolvimento sustentável?, diz Vilela, de forma otimista. ?Até 2004, concluiremos a primeira etapa, levando irrigação até 18 km, após Delmiro Gouveia, próximo do município de Pariconha?, finalizou.

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