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Nº 5715
Política

Empresa que construiu TC pode ter usado recursos em campanha

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura a liquidação do Produban, deputado Paulo Nunes (PT), suspeita que a construtora Concic, responsável pela construção do Tribunal de Contas, tenha utilizado recursos destinados para a obra em ca

Por | Edição do dia 29/03/2002 - Matéria atualizada em 29/03/2002 às 00h00

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura a liquidação do Produban, deputado Paulo Nunes (PT), suspeita que a construtora Concic, responsável pela construção do Tribunal de Contas, tenha utilizado recursos destinados para a obra em campanha política. Segundo ele, a empresa fez um empréstimo no Banco do Nordeste que totaliza hoje mais de R$ 14 milhões, deixando o prejuízo para o Produban, que foi avalista na operação. “Queremos saber porque os representantes da Concic estão fugindo da CPI. Será que parte do dinheiro da obra foi usado para outro fim?”, indagou o parlamentar. A Comissão de Inquérito da Assembléia Legislativa vem tentando localizar e ouvir diretores da Construtora desde o ano passado, sem sucesso. Na semana passada, um deles foi convidado a depor, mas não apareceu. Uma nova convocação foi feita para a próxima quinta-feira, desta vez por edital. Além do empréstimo para a construção do Tribunal de Contas, a Concic, segundo a CPI, também pegou dinheiro no Banco do Nordeste para a construção de uma rodovia, que liga São Miguel dos Campos à região Agreste. O valor atualizado deste empréstimo, segundo Paulo Nunes, é superior a R$ 24 milhões, e o Produban também foi avalista. Isto transformou a Concic em uma das maiores devedoras individuais do antigo Banco do Estado de Alagoas, que está sendo liquidado pelo Banco Central. Paulo Nunes vai apresentar, nos próximos dias, o relatório final da CPI do Produban. Após entregar uma cópia aos membros da Comissão, ele pretende lançar o documento no Sindicato dos Bancários de Alagoas, para que os 800 funcionários demitidos da instituição tenham conhecimento do trabalho. Depois de aprovado na CPI, com ou sem modificações, o relatório será enviado para vários órgãos públicos, entre eles, o Ministério Público (federal e estadual). “Vamos apontar responsáveis pela falência e fechamento do banco e pediremos ao Ministério Público que dê seqüência às apurações penais”, afirmou. Os primeiros dados do relatório apontam que os liquidantes do Produban subavaliaram os ativos do banco. Segundo o relator, eles estão fechando o balanço em R$ 320 milhões, mas só a dívida do setor sucroalcooleiro com a instituição soma R$ 220 milhões. “Os números da liquidação são meramente escriturais. Não embutem os juros e nem refletem a realidade”, afirmou. Quando se trata de cobrar o que a instituição deve ao Banco Central, os valores pulam para mais de R$ 700 milhões.

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