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Senador cobra compromissos de Lula com obras h�dricas do Sert�o

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ARNALDO FERREIRA Para concluir a primeira etapa das obras do Canal do Sertão, o governo federal precisa enviar ao Estado R$ 17 milhões, previstos, inclusive, no Orçamento Geral da União. A obra que pode falir a indústria da seca está ameaçada. O senador Teotônio Vilela Filho (PSDB), depois de percorrer os municípios castigados pela estiagem e ver a obra quase parando, disse que se a remessa de recursos continuar do jeito que está, o canal vai levar 25 anos para ser concluído. Ele sugere que o governador Ronaldo Lessa (PSB) aproveite a visita do presidente Lula, na Serra da Barriga, no dia 20 de novembro, para levá-lo ao semi-árido e para ver a obra. ?O Lula foi para São Paulo aos 12 anos de idade e virou paulista. Por isso, é preciso que ele veja o sertanejo de perto e se comprometa com as obras hídricas?, desabafou o senador. - Todos os anos é a mesma conversa: a seca sempre é mais forte que a do ano anterior. Na verdade, o que os sertanejos querem saber é quando acaba a indústria que deixa o trabalhador rural dependente e enriquece o latifundiário? - A indústria da seca já foi mais vigorosa, aqui, no sertão alagoano. Essa indústria começou a acabar com a construção das adutoras do Sertão, do Agreste... - Antes, a discussão girava em torno de pleitos financeiros para aquisição de cestas básicas, pagar os caminhões-pipa... Agora, a bancada federal pede a liberação de mais dinheiro para a obra do Canal do Sertão: um projeto milionário, avaliado em mais de R$ 500 milhões. Quando o sertanejo terá condições de convivência com a estiagem? - Olha, quando o então senador Fernando Henrique Cardoso estava em campanha para o seu primeiro mandato de presidente da República, fiz questão de trazê-lo a Delmiro Gouveia, para que o então candidato se apropriasse do conhecimento sobre o drama do sertanejo e entendesse a necessidade das obras hídricas. Hoje, estão aí as adutoras do Agreste, do Sertão, do alto Sertão, da bacia leiteira, de Olho D?Água das Flores/Santana do Ipanema. Essas adutoras eram projetos que estavam parados. Fernando Henrique colocou recursos e as obras foram construídas. - Cadê a água? - Hoje, todas as sedes dos municípios do Sertão têm água encanada, captada no Rio São Francisco. Já temos muitos povoados com água encanada. - Onde? - O município de Pão de Açúcar é um dos exemplos. - São José da Tapera já foi considerado, no governo FHC, o município de pior indicador social, campeão da mortalidade infantil. Agora, a mortalidade volta a assustar até a presidenta da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), prefeita Roseana Beltrão. O que está acontecendo lá? - Posso garantir que em São José da Tapera já existem vários povoados com água do Rio São Francisco, saindo tratada das torneiras. A gente pode entender que houve um avanço muito grande e, onde tem água, a chamada indústria da seca perdeu a vez. Logo, o remédio para mudar a imagem de sofrimento do Sertão é a água tratada para o povo beber. - Quem tem água, hoje, no Sertão? - Seguramente, 500 mil alagoanos passaram a ter água nas torneiras, no período de estiagem. - O senhor acha que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode comprar também esta idéia de combate à indústria da seca, que agora está encarnada no Canal do Sertão? - Eu sugeri ao governador Ronaldo Lessa que aproveitasse quando o presidente Lula vier a Alagoas, no próximo dia 20, para participar das solenidades do Dia Nacional da Consciência Negra, para levá-lo também para visitar as áreas castigadas pela estiagem e as obras do Canal do Sertão. O governador tem de fazer com o Lula o que eu fiz com o Fernando Henrique. - Assim, Alagoas terá a garantia de que não faltará recursos para as obras hídricas? - O Lula tem sensibilidade social e ninguém duvida disso; um homem que tem a biografia que o presidente tem, é claro, tem na pele e na alma o entendimento do problema. Ao ver o drama da estiagem e identificar o que já foi feito, as coisas tendem a fluir com mais facilidade. O Lula foi para São Paulo com 12 anos de idade, virou paulista. Por isso, é preciso que veja o sertanejo de perto e se comprometa com as obras. - O canal está ameaçado porque o governo federal diz não ter recursos para tocar a obra. Como mudar esse quadro? - Uma coisa precisamos entender: não dá mais para conviver com esse discurso dramático que acontece em todo verão. O Canal do Sertão não pode parar. Nós o colocamos como obra prioritária do governo federal. Mesmo assim, tem R$ 17 milhões para este ano e o Lula não liberou nenhum centavo até agora. Esse montante é fundamental para a conclusão da primeira etapa. O presidente Lula também não liberou nada para as outras obras hídricas de Alagoas: todas as obras estão paralisadas. - Essa situação revigora a indústria da seca? - Na hora em que temos essas obras importantes paradas e o governo federal suspende a remessa dos recursos, principalmente para as obras estruturantes que vão levar a água de maneira permanente, estamos abrindo espaços para trazer de volta essa indústria, que nos entristece muito. - Então o senhor admite que não tem jeito: a indústria da seca está de volta, em mais um período de estiagem, no sertão alagoano? - Eu não diria que ela está de volta, mas a gente observa que o sertanejo fica muito vulnerável. - No domingo passado, a GAZETA DE ALAGOAS publicou uma triste estatística da Secretaria de Saúde, apontando o aumento da mortalidade infantil, em 17 municípios no alto Sertão, e, em outros municípios do Agreste, a mortalidade infantil supera os números do ano passado. Esta é a melhor prova que o sertanejo ainda consome água contaminada e permanece refém da falta de política de convivência com a estiagem? - A criança subnutrida bebe água poluída, com coliforme fecal, e morre. Por isso, tenho cobrado providências, da tribuna do Senado. O governo Lula ficou completamente alheio à questão da seca. Ele demorou a entender que estiagem é sinônimo de indústria da seca e, ainda assim, cortou alguns programas sociais. Só agora retomou o recadastramento do Fome Zero; também não tinha tomado providências para abastecer as comunidades com carros-pipa. Agora, atende os municípios, porque antes entendia que o carro-pipa e a indústria da seca eram uma coisa só e por isso não liberava recursos. Mas se o homem está com sede, se as obras para levar água tratada estão paralisadas, vamos matar o homem de sede? - Além do senhor quem defende as obras hídricas? - O senador Renan Calheiros. Toda a bancada federal tem compromissos com o Canal do Sertão, com as adutoras. Eu, particularmente, sou um apaixonado por este desafio, de ver o sertanejo conviver com dignidade com a estiagem. Este fenômeno não é o nosso inimigo, assim como a neve não é inimiga do esquimó. - Quanto é a obra do Canal do Sertão? - Está avaliada em torno de R$ 500 milhões. É, realmente, um projeto caríssimo. Por mais que a bancada trabalhe, até agora a gente tem conseguido apenas R$ 20 milhões por ano. Se as coisas continuarem assim, essa obra vai levar 25 anos para ser concluída. - Quanto esta obra já consumiu em recursos? - Aproximadamente R$ 50 milhões e precisa de, pelo menos, mais R$ 400 milhões, para acabar. Daí, temos de viabilizar formas de atrair recursos internacionais do BID, do Banco Mundial, e outros investimentos nacionais como o Pró-água, que tem interesse em projetos como este de transposição. A parte mais importante está praticamente concluída, que é a tomada de água, a central de bombeamento. O canal tem projeto, é modular e está inserido no Programa Plurianual (PPA) do presidente Lula. É considerada uma obra estratégica e, por tudo isso, não pode parar.

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