Política
Reforma administrativa emperra a m�quina
MARCOS RODRIGUES A reforma administrativa iniciada em fevereiro, no segundo mandato do governador Ronaldo Lessa (PSB), deveria deixar o Estado mais leve e ágil, por causa da estrutura de células, coordenadores e diretores. O prazo para a máquina funcionar, conforme o programado, deveria ser a partir de junho, mas a prorrogação do tempo de mudanças desmontou estas expectativas e em algumas secretarias ou células a máquina está emperrada. Segundo o próprio governador, existem problemas que ainda precisam ser solucionados. ?Quanto à reforma em si ela vai bem. O que nós temos de avaliar agora é o custo-benefício das mudanças. O que eu comecei a fazer com a equipe econômica foi analisar os gastos em relação aos resultados?, explicou o governador. O governador tentou avaliar uma das razões para a morosidade de alguns setores. ?Temos de reconhecer, também, que existiram fatores externos. Como posso responsabilizar alguns setores se o Fundo de Participação dos Estados (FPE), caiu. E logo nós que temos problemas. Eu tenho de fazer uma avaliação separando os fatores externos dos internos e isso não é uma coisa simples, que se resolva em uma reunião?, afirmou Lessa. Modelos A reforma, em sua essência, é fruto de uma consultoria realizada por profissionais ligados ao PSB. O Maranhão foi um dos estados onde processo semelhante ao de Alagoas foi implantado. O modelo adotado no Estado desarticulou as antigas secretarias e as transformou em células administrativas. Além delas, existem os coordenadores de células e alguns órgãos de apoio. Na prática, a proposta central não previa apenas a mudança de nomenclaturas, mas fundamentalmente de consciência do novo funcionamento da máquina. Ou seja, os coordenadores deveriam fornecer dados para o desenvolvimento das políticas determinadas pelos secretários celulares, que por sua vez, com as informações obtidas pelos coordenadores, traçariam a política do órgão. Mas isso não foi possível em todos os setores. As células que têm a visão macro do setor deveriam representar e apresentar os resultados para o Executivo. Para o governo, a idéia era a de que com a descentralização das antigas secretarias o fluxo de informação possibilitasse mais velocidade na solução dos problemas. ?Espero que o funcionamento possibilite a vinda de soluções ao invés, apenas, das demandas. Isto porque a comunicação entre a equipe será maior?, acreditava o governador no início do processo. Educação Um exemplo do desencontro de informações é a Secretaria de Educação. Quando a reforma aconteceu ela já estava com o seu segundo secretário, o hoje vereador Marcos Vieira. Ele, por sua vez, acompanhou a implantação da reforma, mas já acumulava alguns problemas da gestão anterior, da atual deputada Maria José Viana. Depois de Marcos, a SEE teve, ainda, a secretária Rosineide Lins, que também foi substituída. Agora, depois de tantas mudanças, o próprio governador anunciou problemas de gestão na secretaria. Segurança Na área de segurança, os problemas também se avolumaram ao longo dos meses. A estrutura administrativa moderna proposta contrastou com uma máquina pesada e com vícios administrativos acumulados ao longo dos anos. As delegacias ainda apresentam superlotação e, no caso dos inquéritos envolvendo mortes de menores, segundo a OAB e o Ministério Público, até o mês passado nenhuma investigação havia sido concluída ou ainda aguardava envio para o MP. Além disso, a violência planejada, como crimes por encomenda e chacinas, hoje, pode envolver, inclusive, quadros da própria polícia. Por esta razão, o próprio governo vem avaliando que algo está emperrando o andamento da máquina. Estes problemas serão discutidos numa grande avaliação da reforma, possivelmente já na próxima terça-feira, onde além de se ?tirar a limpo? as razões para a crise de alguns setores, o governador espera encontrar saídas para o andamento da máquina, para não comprometer ainda mais a reforma administrativa. O encontro deverá ser a portas fechadas.