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�ndios criticam Funai e cobram comida do Fome Zero

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ARNALDO FERREIRA Os caciques e os cerca de 4 mil índios das tribos geripancó, kalancó, katoquim, kuruazú e kuapancá querem saber onde foram parar as 12 toneladas de alimentos que o Ministério da Segurança Alimentar enviou, por intermédio da Coordenação Nacional do programa Fome Zero e da direção nacional da Fundação Nacional do Índio (Funai), que liberou recursos da ordem de R$ 25 mil, para comprar comida. O clima é de revolta geral com a administração da Funai de Alagoas, acusada de ?irresponsável? e de não cuidar devidamente dos interesses dos índios do Sertão, que perderam suas lavouras e não têm água para beber. As cinco tribos descendentes dos índios pankararu, de Pernambuco, estão localizadas no vale do Moxotó, entre os municípios de Pariconha e Água Branca, distante 320 quilômetros de Maceió. A região é a mais quente do alto sertão alagoano. Os índios sobrevivem da cultura do milho, feijão, algodão, mandioca e de pequenas criações. Há dois anos não chove na região. As áreas de cultivo de grãos sofrem o processo de desertificação, por causa da longa estiagem. O abastecimento de água tratada é irregular. Cada família recebe entre dois a três baldes de água por semana. Os índios bebem água sem tratamento, que chega em caminhões-pipa. Por isso, a mortalidade infantil cresce com as doenças geradas pelas infecções intestinais. A índia Maria do Carmo dos Santos, conhecida como Maria Berta, afirma que mais de dez crianças morreram por causa das altas temperaturas, da fome e do consumo de água sem tratamento, nas comunidades. O cacique Manoel Antônio da Silva, conhecido como Manú, da aldeia geripancó, afirmou que as 396 famílias (cerca de 1.250 índios - a maioria crianças e adolescentes) da sua comunidade ficaram decepcionadas com a ajuda alimentar que a direção da Funai mandou para socorrer a tribo, que passa fome por causa dos dois anos de seca. ?Cada família recebeu uma cesta básica com 1kg de arroz, 1kg de feijão, 1kg de açúcar, meia lata de óleo de soja, 200 gramas de mortadela, três pacotes de baião-de-dois (feijão com arroz misturado), 1kg de farinha e 250g de café. Ainda nos disseram que era para passar a semana?. Manú explicou que a maioria das famílias é constituída de, no mínimo, oito pessoas. ?A comida que nos mandaram só deu para dois almoços e um jantar?. Uma das lideranças indígenas da região, José de Oliveira, fez um apelo dramático ao governador Ronaldo Lessa (PSB) e à coordenadora do programa Fome Zero no Estado, a secretária de Saúde e Bem-estar Social, Genilda Leão: ?Nós fomos abandonados pela Funai. Seria importante que o governador e a secretária visitassem as comunidades, para ver de perto a nossa situação?, desabafou. Mais comida O administrador substituto da Fundação Nacional do Índio (Funai/AL), José Heleno de Souza, sem saber que a GAZETA DE ALAGOAS visitou as comunidades indígenas, afirmou que a quantidade de comida distribuída na semana passada foi suficiente para passar uma semana. Heleno chegou a garantir que o clima era tranqüilo e disse desconhecer o descontentamento dos seus irmãos no Sertão. Ele também é índio da tribo cariri-xocó. Como boa notícia, revelou que o programa Fome Zero enviou para Alagoas 70 toneladas de alimentos, em 2.600 cestas básicas, que deveriam ser apenas para os índios do Sertão. Porém, os alimentos vão para todas as tribos. A comida já chegou no armazém da Conab no Recife. O problema, agora, é a falta de transporte para levar tudo às comunidades, segundo frisou José Heleno, que pede calma aos caciques. Nessa remessa de comida, cada cesta básica tem 10kg de arroz, 3kg de feijão, 2kg de macarrão, dois litros de óleo de soja, 2kg de açúcar, 2kg de farinha, 2kg de farinha de trigo, 1kg de sal, 1kg de fubá, meio quilo de café e meio quilo de leite em pó.

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