Política
Senado lembra hoje sete anos do assassinato de Silvio Viana
ARNALDO FERREIRA / EDNELSON FEITOSA Um dos crimes que mais chocaram os servidores públicos em Alagoas, a emboscada que resultou na morte do então coordenador de arrecadação do governo do Estado, Sílvio Vianna, completa hoje sete anos de impunidade. A morte de Vianna vai ser lembrada no Senado pela senadora Heloísa Helena (PT), que prometeu um pronunciamento em defesa dos servidores públicos e cobrando o fim da impunidade para este caso, ainda sem solução. Três acusados de intermediação e execução, entre eles o ex-coronel Cavalcante, vão ser julgados no dia 15 de dezembro. Mas quem mandou matar Vianna? Esta pergunta a polícia ainda não respondeu à família da vítima. O coordenador do Departamento de Arrecadação Tributária da Secretaria da Fazenda morreu quando preparava uma devassa fiscal em empresas acusadas de sonegação de impostos. Não teve tempo para concluir o trabalho. Foi executado por pelo menos três homens. Vianna era considerado um homem tranqüilo, de muitos amigos e politicamente de linha moderada, ligado ao ministro Guilherme Palmeira, do Tribunal de Contas da União. Sua morte ocorreu na tarde do dia 28 de outubro de 1996 - Dia Nacional do Servidor Público. Retornava da casa de Praia na Barra de Santo Antônio, Litoral Norte. Ao reduzir a velocidade num quebra-molas no distrito de Ipioca, os assassinos fecharam o carro de Sílvio Vianna e o emboscaram, disparando várias vezes e com requintes de crueldade: um dos pistoleiros se aproximou do carro e disparou o tiro de misericórdia. Dois delegados investigaram o caso. O primeiro foi o delegado Flávio Saraiva, que concluiu pelo indiciamento dos fiscais de Renda Arnaldo Persiano e Célio Viana, acusados de serem contratantes do crime, e do cabo Sandro Duardo e Edson Vasconcellos (Eto - morto recentemente numa emboscada), acusados de serem os executores materiais. Quando o inquérito chegou à Justiça, novas pistas apareceram. O juiz Daniel Acciolly determinou novas diligências. Um dos delegados mais antigos da Polícia Civil e da Cúpula da Segurança Pública, Mário Pedro, presidiu um segundo inquérito depois de mais de cinco anos do assassinato. Após ouvir novas testemunhas, decidiu pelo indiciamento do ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante (que participou do primeiro inquérito) e do fazendeiro Fernando Fidélis, acusados de terem sido agenciadores da emboscada, além dos ex-PMs Garibaldi Amorim e Silva Filho, apontados como executores do homicídio. O crime aconteceu no primeiro ano do terceiro governo de Divaldo Suruagy, que chegou a pedir ajuda de uma força-tarefa federal. O atual secretário de Justiça e de Defesa Social, Robervaldo Davino, revelou que o crime foi investigado por dois delegados e que atualmente está na pauta de julgamento da Justiça. No primeiro processo, os acusados foram impronunciados. Mesmo assim, o caso está em grau de recurso. Já no segundo processo, o juiz Daniel Accioly marcou para o dia 15 de dezembro o julgamento do ex-tenente-coronel Cavalcante e do fazendeiro Fernando Fidélis como intermediários do crime e do ex-PM Garibaldi Amorim, como autor material. Os três estão presos, condenados por outros crimes. Agora serão julgados por homicídio qualificado e estão sujeitos à pena de até 30 anos de prisão, se condenados.