Política
Governador corta mordomias do Executivo
ARNALDO FERREIRA / MARCOS RODRIGUES A reforma administrativa implantada para dar agilidade à máquina administrativa do governo, principalmente em momentos de crise, está em cheque. Ontem, o governador Ronaldo Lessa (PSB) reuniu os secretários celulares e coordenadores de células - equivalentes hoje ao primeiro e segundo escalões - para criticar a falta de criatividade da equipe. Passava das 9 horas, na sala dos Conselhos, e Lessa mostrava a radiografia dos problemas internos. Na verdade, abusos que se traduziam em mordomias exageradas praticadas com o dinheiro público e socializadas entre a equipe. Para conter o desperdício, a mordomia e adequar as secretarias à queda de receita do Fundo de Participação dos Estados (FPE), o governador confirmou um corte de 15%, ou seja, cerca de R$ 5 milhões do custeio de toda a máquina do Executivo. Na lavagem de roupa suja, o governador observou o grande volume de evasão fiscal no Departamento Estadual de Trânsito (Detran/AL). A evasão decorre de problemas nos radares, multas questionadas na Justiça e da falta de agilidade. O que provocou a reação do diretor do Detran, José Fernandes Lisboa Malta. Com relatórios nas mãos, Lessa mostrou a falta de espírito público em sua equipe: a maioria das secretarias fez gastos desnecessários com mordomias (aluguel de carros, passagens áreas, diárias e despesas de telefones celular e fixo), exigindo um controle rígido a partir de agora em todas as pastas. Mas a bronca maior do governador foi nos exames de contratos de serviços. ?Todos os contratos terão de ser reexaminados pela Controladoria Geral do Estado. Precisa haver uma ação neste sentido. Do jeito que foram feitos os contratos, ou houve prevaricação ou incompetência de alguns setores?, admitiu o governador para toda a equipe. As distorções na compra de passagens áreas foram tão grandes que uma determinada secretaria, que o governador não revelou o nome, comprou passagens no mesmo dia, no mesmo trecho e com preços diferenciados. ?Isto não pode continuar acontecendo?, desabafaram Lessa e o secretário executivo da Fazenda, Sérgio Dória.