Política
Vereadores questionam Educa��o sobre distribui��o do Bolsa-Escola
ARNALDO FERREIRA Enquanto a bancada de apoio ao governador Ronaldo Lessa (PSB) conseguia engavetar o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades administrativas e um suposto rombo de R$ 12 milhões na Secretaria Executiva da Educação, vereadores de Maceió denunciaram, ontem, no Plenário da Câmara, que o programa estadual de Bolsa-Escola mantido pela secretaria estaria beneficiando políticos. Um dos beneficiados seria o deputado federal Givaldo Carimbão, pré-candidato a prefeito de Maceió. ?Como o deputado Carimbão conseguiu ter a maior fatia do programa? Ele obteve oitocentas Bolsas-Escola e a Associação Pestalozi, também ligada à área política, obteve 300, enquanto outras entidades que lidam com meninos e meninas de rua não conseguiram nenhuma? Quais os critérios de distribuição das bolsas?? - questionou o vereador Judson Cabral (PT). Imediatamente, o vereador e pastor João Luiz (PL) também cobrou explicações do secretário-executivo da Educação, Williams Soares Batista, sobre os critérios para distribuir bolsas. Outro que fez críticas foi o vereador George Sanguinetti (PTB). Ele cobrou a criação de uma comissão de vereadores para investigar como ocorre a concessão de Bolsa-Escola por parte da Secretaria de Educação. ?Como é que um deputado federal, pré-candidato a prefeito de Maceió, recebe 800 bolsas? Isto não está correto?, disse Sanguinetti. ?Esta não é uma crítica pessoal. Apenas cobramos zelo com a coisa pública?, salientou. O ex-secretário-executivo da Educação, vereador Marcos Vieira, além de sair em defesa do programa, afirmando que atende crianças carentes de instituições legalmente estabelecidas, assegurou que durante o tempo em que foi secretário (em 2002) não firmou convênio com nenhuma entidade. ?Apenas cumpri com os programas que estavam em andamento na secretaria?. O líder da prefeita na Câmara, vereador Pedro Alves, assumiu a defesa do deputado federal Givaldo Carimbão. ?Quem conhece a trajetória política de Carimbão sabe que antes mesmo de ele ser político já mantinha a instituição filantrópica Lar Sagrado Coração de Jesus, que cuida de crianças pobres. Portanto, o deputado sempre usou seu prestígio para este fim?, assegurou Pedro Alves, que ainda arrematou: ?O Lar Sagrado Coração de Jesus funciona?. Quanto à proposta de criação de uma comissão para investigar como a Secretaria de Educação faz doações de Bolsa- Escola para as entidades, Pedro Alves cancelou o projeto antes de qualquer articulação. ?Esta é uma matéria do âmbito estadual. Portanto, cabe à Assembléia Legislativa ser provocada?. A polêmica toda começou depois que o coordenador do projeto Catarse, radialista Walmar Buarque, tentou conseguir 108 Bolsas-Escola para crianças que moram em áreas de risco, como as grotas do Arroz, do Rafael e o Morro do Ari, uma das mais violentas e de tráfico de drogas do bairro do Jacintinho, e teve seu requerimento indeferido pela Secretaria de Educação. ?Gostaríamos que as bolsas fossem divididas dentro de critérios mais justos?, afirmou Walmar Buarque. O que ele não esperava era que a reclamação encontrasse eco político na Câmara. O secretário Williams Batista explicou que todos os convênios estão suspensos em virtude de investigações administrativas internas para apurar supostas irregularidades. Este programa é mantido pelo governo estadual e cada bolsa é de até R$ 75 para a família que mantém filhos menores de seis anos matriculados em escola pública ou entidade filantrópica. Carimbão O deputado Givaldo Carimbão negou estar sendo beneficiado pelo Bolsa-Escola. ?Que culpa eu tenho de dedicar 16 anos da minha vida, com minha família, para ajudar crianças pobres de Maceió? Todo o trabalho é acompanhado pelo Ministério Público, através do promotor Ubirajara Ramos. Comecei com quarenta crianças. Hoje tenho cerca de 900 e só recebo oitocentas Bolsas-Escola. Todas os meninos recebem aulas de natação, teclado e canto, alimentação e ensino pedagógico?- afirmou o parlamentar.