Política
SAÚDE PADECE COM BUROCRACIA, FALTA DE LEITOS E PROMESSAS
Reflexo da falta de estrutura surgiu com a chegada da pandemia de coronavírus em Alagoas
Na saúde pública, o planejamento do governo leva ao desespero servidores e quem precisa de assistência médica. Os problemas começam no Hemocentro Oficial de Alagoas (Hemoal), que neste momento faz campanhas para restabelecer os estoques de sangue. O ônibus que ajudava atrair doadores em momentos críticos foi retirado de circulação para reforma. Cinco ano depois a Gazeta encontrou o veículo sucateado. A Secretaria de Saúde disse que o estado comprou dois ônibus novos.
Para atender as vítimas de coronavírus, o governador anunciou numa Live que havia 105 leitos de UTI disponíveis para os casos graves, além de 200 leitos de retaguarda. Após duas mortes (de aposentados de 64 anos e outro de 78) na Unidade de Pronto Atendimento no Trapiche, deputados estaduais afirmam que a realidade “é bem diferente”.
Segundo a deputada Jó Pereira (MDB), os dois aposentados morreram em leitos improvisados na UPA do Trapiche. A informação foi fornecida a ela pela própria Secretaria de Estado da Saúde. E leitos só tem 52. O secretário Alexandre Ayres tentou contornar a situação ao revelar que o estado prepara mais 200 leitos de UTI para pacientes graves do Covid-19. O deputado David Maia (DEM) afirma que o governador Renan Filho “faz demagogia e desinforma a população quando diz que UPAS têm leitos de UTI. Não tem e nunca terá. As UPAS não foram feitas para esta finalidade”. O deputado cobrou da Secretaria de Estado da Fazenda e do governador “um plano de resgate da economia e atitudes efetivas para recuperação de setores como comércio e turismo que estão parados”.
As cobranças surgem de todos os lados. Os deputados Bruno Toledo (Pros) Cabo Bebeto (PSL) lamentaram que quase um mês de isolamento social o estado ainda não está preparado para o enfrentamento da pandemia. Além de parlamentares, os médicos e os sindicatos dos profissionais da Saúde cobram Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) nos hospitais. Pessoas simples, como os idosos que recebem remédios do Sistema Único de Saúde (SUS) reclamam das filas e da burocracia no Componente Especializado de Assistência Farmacêutica (Ceaf) que centraliza a distribuição dos remédios. A funcionária pública Maria Carmelita dos Santos se desloca do município de Mar Vermelho e madruga na fila junto com outros idosos da capital e do interior. Na última tentativa para conseguir colírio do tratamento de glaucoma, voltou para casa com as mãos vazias.
A Sesau, através de nota, garantiu que está adotando providências para reduzir a burocracia, melhorar o atendimento e levar remédios em casa para os idosos portadores de doenças graves.
CESTA BÁSICA
A maioria das 102 prefeituras cobram recursos do Fecoep e de programas para apoiar as micros e pequenas empresas, ajuda para escoar a produção rural e um milhão de cestas básicas prometidas pelo governo do estado. A presidente da Associação dos Municípios Alagoanos, Pauline Pereira, cobrou do governador Renan Filho ações emergenciais em todo o estado.