Política
RETIRADA DE R$ 2 MILHÕES DA AGRICULTURA PARA SECOM GERA INDIGNAÇÃO
Deputado cobra mais ação do governador Renan Filho para ajudar no combate ao avanço do coronavírus em Alagoas
Um dia depois da reportagem especial da Gazeta de Alagoas a respeito da política antissocial do governo Renan Filho (MDB), que pune os mais pobres em meio à pandemia do novo coronavírus, ocorreram diversas reações. Os prefeitos esperam a distribuição o mais rápido possível de 1 milhão de cestas básicas, ajuda para a economia municipal em queda livre e socorro sobretudo para os pequenos e micro agricultores e criadores. Na Assembleia Legislativa Estadual (ALE), o deputado Cabo Bebeto (PSL) criticou a inércia do governo em articular um plano para manter a economia ativa e a decisão do Executivo em tirar R$ 2 milhões da pasta da Agricultura para destinar à Secretaria Estadual de Comunicação (Secom).
“O papel do poder público é regulamentar a economia, respeitando a liberdade econômica e a iniciativa. Mas em Alagoas é preciso que o estado fomente a atividade econômica para atender os segmentos sociais mais frágeis da cadeia produtiva”, disse o deputado, ao destacar o papel que a agricultura familiar poderia estar desempenhando neste momento no interior do estado. “Não existe outra opção de trabalho nas áreas rurais. É preciso que haja articulação concreta do governo, parcerias com as prefeituras, a começar com distribuição de sementes, subsídios, investimentos em projetos agrícolas factíveis e iniciativas reais do Executivo estadual”.
Para o cabo Bebeto, “é evidente que falta apoio ao agronegócio no estado”. Confirmou que vários deputados criticam o governo por causa da transferência de R$ 2 milhões da Agricultura para a [Secretaria de Estado da] Comunicação. “Num momento desses é um absurdo”. O deputado lembrou que a Agricultura é fundamental como alternativa no campo. Lamentou que ano a ano cai investimento e até o prestígio na pasta, que está sem condições de tocar os projetos.
Com relação ao abate clandestino e a perda de receita para estados vizinhos que abatem mais de mil bois/mês, também denunciado por vereadores de Murici e da maioria dos municípios do Sertão e Agreste, o deputado lembrou que no ano passado a questão foi discutida na ALE. “Estive no matadouro de Santana do Ipanema, ouvi diversas reclamações. Nada justifica que a gente permaneça dependendo de estados vizinhos para fazer abates. O governo tem de atuar para que os setores funcionem”. Há cinco anos o governo prometeu investir R$ 30 milhões na construção de dez matadouros regionais. O estado pode e deve fomentar o desenvolvimento da agricultura. Para que isto aconteça o deputado diz que é preciso investimento e planejamento. O deputado cobrou que o governo precisa manter diálogo com os produtores, agricultores, pecuaristas, transportadores, atacadistas. “O Estado diz que quer arrecadar. Mas precisa criar condições para movimentar a economia e o caminho pode ser via agricultura também. Inclusive o governador prometeu isto em sua [campanha à] reeleição”, lembrou. Voltou a lamentar a situação de abandono do Programa do Leite. “O governo do Estado culpa o governo federal. Na verdade, são 70 mil pessoas pobres beneficiadas que recebem leite de graça. Elas ajudam a manter 3 mil produtores, a maioria da agricultura familiar. No Diário Oficial, o governo assinou novo termo aditado prorrogando o programa até o dia 30 de junho. O prazo era até 30 de maio. Agora é hora de o governo do Estado buscar uma solução para manter este programa”. Esta semana o deputado tem agenda de visitas aos pequenos produtores, quer conhecer a produtividade, o passo a passo do leite que atende à demanda de cinco cooperativas. Ele promete buscar apoio do ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, para a manutenção do programa e acalmar o setor, que está desesperado.
Ao ser questionado por que os recursos do Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecoep) não são aplicados para socorrer a população pobre, prefeituras e programas sociais neste momento de crise provocada pelo coronavírus, o deputado cabo Bebeto afirmou que “infelizmente, o direcionamento dado ao Fecoep, até o momento, tem sido equivocado”.
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Defensor e aliado do presidente Jair Bolsonaro afirmou que o governo federal tem trabalhado na prática tanto na saúde quando na economia. Defendeu o isolamento social flexibilizado e a verticalização do isolamento. “Não dá para separar a saúde da política de manutenção dos empregos. A recessão vai trazer muitas mortes por violência, desespero, fome, desnutrição... Vai causar uma depressão social séria. Já o governo do estado e a maioria das prefeituras não agem no sentido de contribuir e ajudar o governo federal”, lamentou.