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PF de Alagoas deve receber coronel mais temido do ES

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ARNALDO FERREIRA E EDNELSON FEITOSA O coronel da reserva Walter Gomes Ferreira da Silva, da Polícia Militar do Espírito Santo, acusado de comandar o crime organizado, de mandar matar o juiz de Direito Alexandre Martins de Castro Filho e de ser o homem mais temido daquele estado, deve ser transferido a qualquer momento da Casa de Prisão Especial, a ?Papudinha?, em Rio Branco, no Acre, para a sede da Superintendência da Polícia Federal (PF) em Alagoas, a qualquer momento. É o que divulgou, ontem, a imprensa capixaba, com base em informações colhidas junto a fontes da PF. O juiz das Execuções Penais do Acre, Carlos Eduardo Ribeiro Lemos, já assinou a transferência do militar, atendendo a uma solicitação do superintendente da PF no Acre, Paulo Bezerra. A transferência do militar é tratada de forma sigilosa. Em Maceió, o superintendente-substituto da Polícia Federal, Arivaldo Menezes Marques, disse, ontem à tarde, que não tinha detalhes sobre a transferência. ?Apenas ouvi comentários, mas não posso confirmar essa informação, declarou. Alguns agentes da PF também confirmaram que o assunto chegou à sede da instituição sem maiores detalhes sobre a operação. Mas a GAZETA DE ALAGOAS apurou junto à Secretaria de Defesa Social que a polícia alagoana já foi consultada sobre a transferência, com pedido, inclusive, para preparação de um efetivo policial para garantir a segurança na área da sede da PF, a exemplo do que ocorreu quando da vinda do traficante Fernandinho Beira-Mar. A decisão do juiz Carlos Eduardo Ribeiro Lemos prevê que o coronel pode ser transferido para qualquer Estado, menos para o Espírito Santo, já que o entendimento do juiz da Vara de Execuções Penais é de que o sistema prisional capixaba não é seguro para receber Walter Gomes Ferreira. Depois de várias tentativas feitas pela Justiça Federal, que exigia a saída de Ferreira da ?Papudinha?, a Superintendência Regional da PF no Acre teria conseguido uma vaga para o militar na Superintendência de Alagoas. O coronel Ferreira está preso na cela número três do presídio. Em dezembro do ano passado, por determinação do então juiz da Vara de Execuções Penais, Alexandre Martins de Castro Filho, o coronel Ferreira, apontado como braço armado do crime organizado no Espírito Santo, foi transferido para o presídio federal da ?Papudinha?, mesmo local em que está o ex-deputado federal Hildebrando Pascoal. Ferreira tem prisão preventiva decretada pela prática de homicídio qualificado, tanto pela 4ª Vara Criminal de Cariacica, como também pela Comarca de Colatina. Na época que a transferência do militar para o Acre foi autorizada, os juízes da Vara de Execuções Penais (que estavam sendo ameaçados) sustentaram que a transferência do militar era necessária para que provas não fossem destruídas e testemunhas pudessem ser assassinadas. A última tentativa de transferência do coronel Walter Gomes Ferreira para a prisão no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar do Espírito Santo, em Maruípe, Vitória, aconteceu no dia 8 de outubro. Os desembargadores da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) negaram, por unanimidade, o pedido. Na época, a decisão do desembargador Telêmaco Antunes de Abreu foi fundamentada em várias jurisprudências (inclusive do Superior Tribunal de Justiça, STJ) que afirmam que o réu não tem o direito subjetivo de escolher o presídio onde ficar. A falta de segurança nos presídios do Estado e o assassinato em novembro do ano passado, no presídio de Cachoeiro de Itapemirim, do agricultor Manoel Corrêa da Silva, acusado de ter ligações com Ferreira, também foram argumentos usados para negar a volta de Ferreira ao Estado. Walter Gomes Ferreira está preso desde o dia 21 de outubro de 2002. O coronel da PM foi transferido, no dia 11 de dezembro do ano passado, do Quartel da Polícia Militar para o presídio de segurança máxima Casa de Prisão Especial do Rio Branco sob forte esquema de segurança. Ferreira é investigado pelo Grupo de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público Estadual, por suspeita de envolvimento em esquemas de crimes de mando e queima de arquivo no norte do Estado. O esquema foi revelado depois do assassinato do fazendeiro e empresário Antônio Costa. No dia 29 de outubro de 2002, a Justiça de Cariacica aceitou a denúncia do Ministério Público Estadual e decretou nova prisão preventiva para Ferreira, acusado de formar um grupo de extermínio no município. No dia 22 de novembro do ano passado, Manoel Corrêa da Silva Filho, uma das principais testemunhas contra o coronel Ferreira, foi assassinado no presídio Monte Líbano, em Cachoeiro de Itapemirim. Manoel Côrrea, que estaria sendo ameaçado de morte, acusou Ferreira de chefiar uma quadrilha de extermínio e de roubo de gado no Espírito Santo. Ferreira deveria ficar na mesma cela onde ficou o narcotraficante Luiz Fernando da Costa- Fernandinho Beira-Mar.

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