Política
SEM DINHEIRO DO FECOEP, RENDEIRAS DO PONTAL DA BARRA PEDEM AJUDA
Cerca de mil famílias do bairro viram a renda ir a zero por causa da pandemia do novo coronavírus
Das 1.688 famílias que moram na comunidade do Pontal da Barra - bairro da zona sul de Maceió -, pelo menos mil estão com dificuldade alimentar neste momento. “Tem muita gente passando fome neste momento de isolamento social por causa do coronavírus. O bairro inteiro vivia em função do turismo e da renda filé. Há dois meses ninguém vende nada e o desemprego atinge a maioria dos artesãos e trabalhadores prestadores de serviços”. A conclusão é da presidente da Associação das Rendeiras, Adriana Gomes, ao revelar que a entidade concluiu ontem um levantamento para identificar as condições sociais da localidade e constatou as precárias condições de sobrevivência e falta de renda de quase 70% dos moradores. “A gente precisa de cestas básicas e material de higiene para proteger as pessoas contra o Covid-19”, pediu a líder das rendeiras.
Na edição do último final de semana, a Gazeta de Alagoas publicou reportagem especial apontando que “Quarentena desemprega bairro inteiro”. Mostrou que todas as atividades do Pontal estão paradas. Desde 1792, a localidade que cresceu em torno da renda filé, que inclusive projetou a capital de Alagoas para o mundo e movimentava toda a cadeira produtiva desenvolvida no entorno da atividade de 600 rendeiras como os passeios turísticos, gastronomia, 200 lojas de artesanatos variados, prestadores de serviços, ambulantes, atividades culturais e de arte, todos, pela primeira vez em 218 anos, amargam desemprego em massa. “Hoje o bairro está com medo do coronavírus e a maioria das famílias passa fome por falta de trabalho”, lamentou a líder das rendeiras. Entre as 600 artesãs, mais da metade está com as mercadorias encalhadas sem ter para quem vender. Na semana passada, Adriana Gomes conseguiu 150 cestas básicas doadas as famílias das rendeiras mais pobres. “Precisamos de muito mais cestas básicas”. Como não chega a ajuda do Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecoep) criado pelo governo estadual, a presidente da Associação das Rendeiras do Pontal da Barra resolveu esperar mais e iniciou a campanha para angariar alimentos, dentro e fora da comunidade. “Os alimentos serão destinados apenas às famílias que não têm nenhum tipo de renda no momento e nem como trabalhar de forma alternativa”, destacou ao admitir que nem todos na comunidade estão em dificuldades alimentar e financeira. Além das rendeiras, os donativos serão entregues também às famílias das pessoas que trabalhavam com passeios turísticos pelas nove ilhas, os vendedores ambulantes de água mineral, de água de coco, milho, pipoca, mecânicos de barcos, garçons, auxiliares de bares e restaurantes e os prestadores de serviços das 200 lojinhas que também fecharam. “A prioridade são os desempregados e fundamentalmente sem renda”, enfatizou a líder das rendeiras do Pontal, que começou a semana sendo procurada por mais de 90 % dos moradores das comunidades. Ela lembrou que algumas famílias têm como conseguir o auxílio emergencial de R$ 600 pago pelo governo federal.