Política
DESCONTO DE 14% NOS SALÁRIOS PREOCUPA POLICIAIS CIVIS
Abatimento se deve ao novo percentual de contribuição previdenciária e prejudica principalmente os aposentados
Em torno de 600 policiais civis são aposentados e devem ficar numa situação ainda mais dramática em relação à reforma previdenciária implantada pelo governo Renan Filho (MDB). Desde que foi aprovada pela Assembleia Legislativa Estadual (ALE), no dia 10 de dezembro de 2019, entidades denunciam inconstitucionalidades e ilegalidades contidas no texto e pedem a suspensão da medida pelo Tribunal de Justiça de Alagoas.
“Antes os policiais tinham desconto de 11% em cima do que passava do teto do INSS que era R$ 5.800 e ficava em torno R$ 110 e R$ 120, agora passou para R$ 1.015 com o desconto de 14% para quem ganha acima de um salário-mínimo. É uma taxação muito alta. É um pessoal que se aposentou há muito tempo, não teve como progredir na carreira. O salário de policiais mais antigos é mais achatado. Está difícil a sobrevivência desses policiais aposentados, de pensionistas e dos que têm doenças crônicas”, lamenta o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol/AL), Ricardo Nazário.
Segundo o Sindpol/AL, os policiais civis e aposentados não sabem o que fazer diante da retirada de 14% nos salários. “O desconto está chegando a 1.015,00 nos subsídios. Os familiares de policiais civis aposentados, doentes crônicos, policiais acamados e pensionistas não sabem mais como sobreviver após pagar remédios, alugueis de casa, plano de saúde, que antes, restavam R$ 1.000,00 para a compra de alimentos, e agora passou a ser o desconto previdenciário. Como eles vão fazer a feira?”, questiona o sindicalista.
Ainda segundo relatos que chegam ao Sindpol, aposentados e pensionistas mostram que muitos terão que sair da residência porque não conseguirão pagar o aluguel. “Um desconto de R$ 1.000,00 no salário, nos dias de hoje, é praticamente uma sentença de morte”, alerta Ricardo Nazário, destacando que o governador demonstra total desrespeito aos policias civis.
“Enquanto isso, a categoria não obteve reposição salarial, ganho real e está com salários defasados, acumulando mais de 20% de perdas salariais”, disse Ricardo Nazário, temendo por agravamento de doenças psíquicas.