Política
ALE VAI OUVIR PRIMA DO GOVERNADOR EM CASO DE NEPOTISMO NO LACEN
Deputados apuram denúncias de apadrinhamento no Laboratório Central de AL e privilégios na realização de testes para coronavírus
Duas comissões da Assembleia Legislativa Estadual (ALE) já estão munidas de documentos, apresentados pelo deputado Davi Maia (DEM), que reforçam denúncias contra a administração do Laboratório Central de Saúde Pública de Alagoas (Lacen/AL). Duas ex-funcionárias foram convocadas a prestar esclarecimentos ao Poder Legislativo na próxima quinta-feira (30), incluindo uma prima do governador Renan Filho (MDB), o que se enquadra como caso de nepotismo.
O anúncio deste primeiro passo da investigação foi feito pelo deputado Cabo Bebeto (PSL). O parlamentar preside a 9ª Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública e conta que as ex-funcionárias serão ouvidas formalmente numa reunião virtual. Elas se chamam Naira, que, segundo o deputado, é prima do governador e atuava como gerente administrativa no Lacen; e Geisiana, técnica que chegou a participar de uma capacitação na Fiocruz e, ao retornar, foi exonerada.
Outras providências também serão tomadas no sentido de aprofundar e confirmar os informes sobre o Lacen/AL pelos integrantes da 15ª Comissão de Saúde e Seguridade Social da ALE. O grupo é presidido pelo deputado Léo Loureiro (Progressistas) e, na reunião da semana passada, tomou conhecimento dos relatos e recebeu a vasta papelada que comprovariam nepotismo e outros desvios de finalidade no laboratório público do Governo de Alagoas.
A deputada Jó Pereira (MDB) tocou neste tema, na sessão, e anunciou que manteve contato com todas as integrantes da 14ª Comissão de Criança e Adolescentes, Família e Direitos da Mulher para se unir ao propósito de apurar as denúncias feitas pelo deputado Davi Maia. “O Lacen é um órgão importante nesse momento de combate ao coronavírus. Vamos participar dessa apuração, pois são denúncias sérias e que afetam diversas famílias”.
Já o responsável por revelar os desmandos na gestão do laboratório confirmou que entregou cópias da documentação que recebeu ao Ministério Público Estadual (MPE). Davi Maia cobrou da ALE e do MPE apuração rigorosa dos fatos e providências no sentido de coibir os erros que estão sendo cometidos no Lacen/AL.
Segundo o deputado, outras denúncias chegaram e as possíveis provas estão sendo checadas. Caso sejam atestadas, serão encaminhadas para investigação. “Está mais do que provado que o Lacen e os demais setores de saúde não estavam preparados para enfrentar uma pandemia”, destacou. “A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia começou a notificar as pessoas para ouvir, a primeira notificação foi da prima do governador, que era gerente administrativa do Lacen, e a outra é a técnica que foi capacitada na Fiocruz e quando chegou em Maceió foi demitida. Ou seja, ou mandaram a pessoa errada para ser capacitada ou tem algum caso de ingerência”, explica Davi Maia.