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ÁUDIO REVELA SUPOSTA MANIPULAÇÃO DE TESTES PARA COVID-19

Exames feitos por empresa de São Paulo estariam sendo transcritos por funcionários do Lacen/AL; em nota, laboratório nega situação

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Exames da rede pública de saúde para detecção do novo coronavírus são feitos pelo Laboratório Central de Alagoas
Exames da rede pública de saúde para detecção do novo coronavírus são feitos pelo Laboratório Central de Alagoas -

Áudios divulgados pelo deputado Davi Maia (DEM), nesta quarta-feira (29), dão a entender que os funcionários do Laboratório Central de Saúde Pública de Alagoas (Lacen/AL) estão sendo obrigados a transcrever resultados de exames para diagnóstico de coronavírus, feitos pela empresa Biomega, de São Paulo, como se fossem do laboratório de Alagoas. Em nota, a direção do Lacen/AL nega e rebate o deputado. Novas denúncias contra a administração do espaço público foram reveladas pelo parlamentar durante a sessão plenária da Assembleia Legislativa Estadual (ALE). De acordo com Davi Maia, os áudios (escute aqui) são atribuídos à chefe do setor de Biologia Molecular do referido laboratório, Juliana Wanessa. Aparentemente, a gravação foi feita durante uma reunião interna e captada a partir de um aparelho celular. Em uma das declarações, a diretora orienta os seus subordinados a transcrever todos os exames que serão enviados pela empresa contratada pelo governo do Estado para analisar as amostras suspeitas de Covid-19. “Lembrando que os da Biomega também vão precisar ser transcritos”. Após esta fala, outra pessoa não identificada pelo deputado concorda com a chefe. Em outro áudio, a mesma diretora passa orientações acerca do envio das amostras coletadas e solicita uma reunião para definir parâmetros de transporte e acondicionamento destes materiais. Durante a sessão na ALE, o deputado Davi Maia considerou mais esta denúncia como muito grave e apontou três aspectos para justificar esta opinião. “Isto mostra a incapacidade do Lacen em fazer os exames. Além disso, trata-se de testes rápidos, que a Anvisa acaba de liberar para ser feito nas farmácias. Para piorar, não se sabe a autoria do exame. Como você está transcrevendo um exame de uma pessoa que não foi você quem fez? Como se consegue atestar este laudo?”, questiona.

Segundo ele, o Estado está pagando duas vezes pelos exames que atestam o novo coronavírus: tanto os que são enviados à Biomega como os que são feitos pelo próprio Lacen. “Isto é um absurdo e como se pode desembolsar duas vezes pelo mesmo exame?”, pergunta.

O parlamentar ainda cobrou, do secretário de Saúde do Estado, Alexandre Ayres, a lista de prioridades para a realização dos referidos testes e denunciou que “ainda tem gente apadrinhada do governo que passa na frente e consegue ser prioridade no Lacen”. “Estou aqui, mais uma vez, para cobrar investigação rigorosa destes fatos. A documentação que tenho passei para as comissões da Assembleia Legislativa e para o Ministério Público. Espero que a apuração seja feita o mais rápido possível”, ressalta.

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Em nota encaminhada à imprensa, o Lacen/AL afirma que “em nenhum momento, a gravação demonstra as ilações do deputado, retratando apenas trecho de uma reunião de rotina, onde funcionários do laboratório reforçam os procedimentos na análise e preparo das amostras”. Mais adiante, a nota destaca que “o diálogo está fora de contexto e não endossa as colocações feitas pelo parlamentar”. Segue a nota abaixo.

“O Laboratório Central de Alagoas (Lacen/AL) vem a público desmentir veementemente as acusações do deputado Davi Maia sobre suposta manipulação de testes a partir de áudio divulgado na manhã desta quarta-feira (29). Em nenhum momento, a gravação demonstra as ilações do deputado, retratando apenas trecho de uma reunião de rotina, onde funcionários do laboratório reforçam os procedimentos na análise e preparo das amostras. O diálogo está fora de contexto e não endossa as colocações feitas pelo parlamentar. O Lacen/AL esclarece que segue uma linha clínica de critério para realização de exames para detectar Covid-19 de acordo com a lista repassada pela Central de Regulação Leitos e pelo Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde (CIEVS). Além disso, a unidade atende à demanda ambulatorial não prioritária, de pacientes com suspeitas clínicas de síndrome gripal e de pacientes que tiveram contato com outros pacientes positivos. Para ampliar a assistência ao estado, o Lacen estabeleceu contrato com o Laboratório Biomega, de São Paulo, para a realização de 2.200 (dois mil e duzentos) testes do tipo RTP-CR. O objetivo foi gerar mais celeridade na entrega de exames, principalmente nos casos considerados não prioritários. O Laboratório Central de Alagoas reitera que todos os exames, inclusive os enviados para o laboratório Biomega, são cadastrados e gerenciados pelo próprio Lacen, conforme determina o Ministério da Saúde”.

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