Política
C�mara de Macei� quer criar bancada crist�
ISMERY CAVALCANTE A exemplo do Congresso Nacional e de várias câmaras municipais do País, entre elas de São Paulo, que mantêm bancadas evangélicas para garantir maior valorização às igrejas, a Câmara Municipal de Maceió também pretende seguir a mesma linha político- religiosa. Mas com a criação de uma proposta inédita: a bancada cristã, que significa a união dos católicos com os evangélicos. A nova bancada trabalhará por maior valorização das igrejas evangélicas e católicas junto ao município de Maceió. Dos 21 vereadores da Câmara, apenas quatro são evangélicos e de diferentes igrejas, e os demais, em sua maioria, se identificam como católicos. São evangélicos: o presidente da Câmara, vereador Alan Balbino(PSB), da Igreja Batista; o pastor João Luiz (PMDB), da Igreja Quadrangular; o pastor Reginaldo de Jesus (PL), da Universal do Reino de Deus; e o vereador Joab Nicácio (PL), da Assembléia de Deus. Com a proposta colocada em prática faria parte da bancada ?aquele que tivesse fé unicamente em Deus e consciência de que Jesus Cristo é o único Salvador?, disse o autor do projeto, o presidente da Casa, vereador Alan Balbino (PSB). A proposta da bancada cristã, que ainda não foi formalizada em plenário, já começou a repercutir nos bastidores do Legislativo municipal. A maioria se posiciona favorável, desde que seja para o benefício de todos os maceioenses. É o caso do vereador e pastor Reginaldo de Jesus, que representa os evangélicos da Igreja Universal da capital. Ele afirmou: ?Sou a favor de todos os movimentos que sejam favoráveis à igreja e ao mesmo tempo à comunidade. A igreja está inserida no contexto social e, certamente, vai apoiar essa decisão?, acentuou. Mas nem todos os evangélicos têm pensamentos uniformes. O vereador pastor João Juiz (PL) é mais reticente, prefere opinar sobre o assunto depois de conversar com os demais vereadores evangélicos e com os fiéis da Igreja Quadrangular, onde é o principal líder espiritual, já que o assunto ainda não foi levado à discussão na Câmara. Católicos Na ala dos católicos, a maioria concordou com a proposta e também tem a mesma posição: que o projeto não fique restrito apenas para os interesses políticos-religiosos. O vereador Thomaz Beltrão que é um petista de linha marxista, diz, ao respeitar as duas religiões: ?Sou favorável a todas as iniciativas que venham fortalecer a liberdade e a união religiosa?, acentuou o parlamentar. Porém, esta possibilidade de criação da bancada cristã preocupa alguns vereadores que têm bases dispersas. Por isso, o projeto já provocou reação contrária, no caso do vereador Jaudeni Coutinho (PSB), católico. Ele alegou que a proposta deixaria alguns vereadores, que possivelmente não têm religião, fora da bancada. Jaudeni apóia a criação de bancadas evangélicas e católicas, isoladamente. A bancada cristã, segundo informou Alan Balbino, teria como algumas de suas lutas junto ao município a pavimentação de ruas que dão acesso às igrejas e aqueles estabelecimentos sob sua manutenção como creches, laboratórios e mini-hospitais. Além disso, teria o compromisso de lutar por convênios com a Companhia Energética de Alagoas (Ceal), para garantir energia elétrica aos locais sem iluminação, visando garantir maior segurança à população durante seu acesso às igrejas. Valorização Todos os trabalhos da bancada, segundo o vereador, serviria para valorizar ainda mais a igreja. Ele citou o exemplo de igrejas que mantêm escolas em seus templos, autorizadas pelos municípios. O projeto, conforme o vereador, foi inspirado na formação de uma comissão de pastores e padres, além de servidores municipais que, juntos, pleitearão ao Executivo municipal a redução das taxas de lixo pagas pelas igrejas, com a entrega de um parecer técnico num período de 30 dias. A comissão foi proposta por Alan Balbino (PSB), na semana passada, no período em que ele estava ocupando interinamente a Prefeitura de Maceió. Após 30 dias, quando será finalizado o trabalho da comissão, o presidente da Casa promete levar o projeto de união de evangélicos e católicos à votação na Câmara.