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S� 83 mil ganham mais de tr�s m�nimos em Alagoas

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ANA MÁRCIA Alagoas tem uma população economicamente ativa e apta ao trabalho equivalente a 1,1 milhão de habitantes, mas apenas 83 mil alagoanos ganham mais de três salários mínimos. Ao contrário, 220 mil pessoas não têm renda alguma; 520 mil recebem até um salário mínimo e 270 mil vivem na corda bamba, recebendo entre um e três salários mínimos. Os dados são da última Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNDA/2002), do IBGE. De acordo com o doutor em Economia e professor da Ufal, Cícero Péricles, isso demonstra uma classe média muito reduzida e um estreito mercado consumidor, dificultando, assim, o tão almejado desenvolvimento econômico. ?A ausência de mercado consumidor limita a ampliação do número de empresas e, naturalmente, do emprego e da renda. Para uma população de quase três milhões de habitantes, Alagoas tem, tão-somente, 15 mil pequenas e microempresas formais na área de serviços e comércio?, diz o professor. Em Maceió, ressalta existir 50 bairros e apenas seis feiras, algumas delas inexpressivas. Os dados revelam, segundo Péricles, uma economia de renda concentrada, com poucos pólos dinâmicos. Em função da fragilidade da economia, é elevada a importância do Estado, tanto como empregador direto, quanto pelo papel social. ?O poder público é um grande patrão: são 48 mil funcionários estaduais, 18 mil federais e 13 mil na Prefeitura de Maceió, um contingente que só perde, numericamente, para os trabalhadores da economia informal e para os beneficiários da Previdência, os dois grandes amortecedores na área social?, diz Cícero Péricles. Informalidade A economia informal emprega ou dá ocupação a dois de cada três trabalhadores urbanos em Alagoas e a Previdência Social paga benefícios a 300 mil famílias alagoanas. Pela análise do economista Cícero Péricles, como as famílias desses beneficiários têm, em média, quatro a cinco pessoas, essa política social beneficia mais de um milhão de alagoanos. Historicamente, as mudanças econômicas que ocorreram no Brasil dos anos 90 alteraram o perfil tanto dos assalariados, quanto da classe média. Diferentemente de outros estados brasileiros, mais industrializados, como São Paulo, em Alagoas a ausência de um forte processo de industrial, assim como a fragilidade da máquina pública ? pequena e mau pagadora, inviabilizou o surgimento de uma classe operária expressiva e de uma classe média numericamente representativa, conforme o professor de economia. O Estado continuou dependente das atividades agrícolas ou agroindustriais e, por isso, as suas classes urbanas, trabalhadores assalariados como a sua classe média, são relativamente pequenas. ?Os anos 90 foram os mais difíceis para estes dois setores. Os assalariados pagaram a conta das mudanças com a perda do posto de trabalho ou diminuição salarial e a classe média perdeu com a estagnação econômica e, principalmente, com a crise do Estado?, diz. O processo de urbanização foi acompanhado de um crescimento de oportunidades nas indústrias, em novas empresas ou na máquina pública. Esse aumento espetacular de população nas cidades fez crescer dois setores urbanos distintos: o primeiro é a economia informal de pequeno porte, principalmente na área de serviços, e a marginalização de uma população que sobrevive de atividades irregulares, como a que está concentrada nos quase 300 aglomerados subnormais da capital. Universitários De acordo com Cícero Péricles, as mudanças tecnológicas e a ampliação da rede educacional alteraram o perfil do assalariado urbano na última década. Muitas atividades tradicionais, profissões e ocupações consideradas menos qualificadas foram promovidas a um nível mais elevado. ?As exigências do mercado mais competitivo e a entrada em cena de uma geração de trabalhadores com melhor formação escolar, têm gerado uma situação onde encontramos pessoas com título universitário disputando mercado de trabalho em áreas reservadas para trabalhadores menos qualificados?, observa Péricles. Na sua opinião, é um fenômeno que tende a ser ampliado, pelo crescimento da rede de Ensino Médio e das faculdades particulares. Alagoas já tem 40 mil estudantes universitários e, evidentemente, o mercado de trabalho não absorve toda essa gente nos postos que elas gostariam de ocupar em função de sua qualificação.

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