Política
Desempregados j� s�o mais de 160 mil em Macei�
ARNALDO FERREIRA Maceió sente os efeitos dramáticos da recessão econômica e de 40 anos sem estratégias de desenvolvimento. O nível de desemprego é estimado pelo secretário-executivo de Economia Solidária, Trabalho e Renda, Corintho Campelo da Paz, em 20% da população de 800 mil pessoas economicamente ativas residentes na Grande Maceió. Apesar da estimativa de cerca de 160 mil desempregados na capital, no cadastro do Sistema Nacional de Empregos (Sine), órgão mantido pela Secretaria de Economia Solidária, Trabalho e Renda, há uma listagem oficial com 70 mil trabalhadores, que moram em 10 municípios da Grande Maceió, em busca de novos postos de trabalho. Os técnicos do Sine, no entanto, confirmam a estimativa do secretário Corintho Campelo, quando revelam que o número de desempregados que buscam a sobrevivência na economia informal e não dispõem de qualificação para disputar um posto de trabalho por intermédio do Sine é, pelo menos, três maior do que o número oficial do cadastro do sistema. ?Estamos criando uma articulação com as empresas com a finalidade de oferecer cursos de aperfeiçoamento de mão-de- obra e treinamentos. A idéia é garantir a manutenção dos empregos, neste momento em que o Estado executa planos e estratégias de retomada do seu desenvolvimento?, destacou o secretário Corintho Campelo, ao revelar sua tática para conter o desemprego. Este grande contingente de desempregados tem origem, também, na redução dos postos de trabalho na zona rural. A maioria é trabalhador de pouca formação educacional e profissional, vive em áreas de baixa renda, favelas, grotas, encostas de barreiras e na orla lagunar. Por isso, o Estado aposta no Banco Cidadão, que trabalha com recursos do Banco do Brasil, Caixa Econômica, Banco do Nordeste e do próprio Estado e que oferece microcrédito. O Banco Cidadão tem uma linha de microcrédito para atender, sobretudo, os que estão na economia informal ou têm as chamadas empresas de fundo de quintal. Informalidade O vice-governador Luís Abílio de Souza Neto tem ajudado a buscar soluções para resgatar, principalmente, os que estão na economia informal como forma de inclusão social. Ele tem um diagnóstico realista sobre o desemprego na Grande Maceió. ?Quando a imprensa fala de 15% a 20% de desempregados trata daqueles que perderam seus postos de trabalho. Mas se a gente colocar aí os trabalhadores que já estão há algum tempo na economia informal este número de desemprego aumenta?, frisou. O vice-governador observa que o Estado está atento à movimentação da economia informal. ?O trabalhador que está na informalidade, se não tiver um suporte, uma estrutura do Estado, brevemente cai numa situação muito pior, que é a exclusão social?. Luís Abílio observa que a situação nas grandes capitais do Nordeste é muito pior. ?Acho que a solução para as capitais, particularmente Maceió, é o desenvolvimento global do Estado. E aí precisamos estar consorciados com o governo federal, para adotar políticas públicas, para dar ao homem rural oportunidade de trabalho no campo?. Ele também defende a tese da diversificação da economia alagoana, para reduzir a dependência da monocultura da cana-de-açúcar. Lembrou que, antes, o Estado destinava mais de 600 mil hectares de suas terras produtivas para o cultivo da cana. Hoje, o setor produz em cerca de 400 mil hectares e com produtividade muito maior. ?Conseqüentemente, a aplicação das novas tecnologias fez aumentar a produtividade, mas gerou desemprego. Esta mão-de-obra vem para a capital. Quer dizer, temos de abrir outras frentes de trabalho para manter o homem do campo na sua região?. Luís Abílio acredita que isto só vai acontecer com a diversificação da economia e das frentes produtivas no Estado. ?O governo sabe que não se pode falar do desenvolvimento de Maceió como se estivesse se falando de uma coisa isolada. Maceió é um pólo de desenvolvimento, como Arapiraca, Palmeira dos Índios, Santana do Ipanema, Delmiro Gouveia. Então temos de pensar o de-senvolvimento global, com novas agendas?. Luís Abílio disse que além da Agricultura o Estado tem de criar agendas também para o Turismo. ?Este setor e a Agricultura trazem empregos de forma mais rápida e garantem o fortalecimento da economia?. Salientou que o gasto para oferecer um emprego no setor turístico, se comparado com os custos de um emprego numa indústria automobilística, por exemplo, apresenta uma diferença imensa. ?Daí a minha defesa para a retomada dos investimentos na Agricultura?. No caso particular de Alagoas, o vice-governador acredita que o desenvolvimento tem como ponta fundamental o consórcio entre o Turismo e a Agricultura. ?Temos de aproveitar potenciais como a margem e a Foz do São Francisco, o próprio Sertão, a região de mata atlântica de Murici para o turismo rural, de aventuras, de trilhas?. Defendeu, ainda, que o governo aposta na linha do microcrédito exatamente para atender à demanda da política de interiorização.