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Alagoas tem 1,4 milh�o de pessoas na exclus�o social

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ARNALDO FERREIRA Alagoas tem 54% de sua população, ou seja, 1,4 milhão de pessoas, fora da linha de inclusão social. A constatação é do secretário da Célula de Desenvolvimento Social, Arnóbio Cavalcante. Estas pessoas, segundo o secretário, têm renda mensal inferior a R$ 80,00 para suprir as necessidade básicas. Nesta entrevista à GAZETA DE ALAGOAS, o secretário fez um diagnóstico profundo sobre o declínio de Alagoas nas últimas décadas e admitiu que, ?em termos de planejamento, estamos há 40 anos paralisados e em termos de desenvolvimento enfrentamos duas décadas de atraso?. Arnóbio revelou, inclusive, que a última vez que o Estado discutiu de forma propositiva e estruturada seu desenvolvimento foi na década de 60, na época do major Luiz Cavalcante. Agora, no dia 12 de dezembro, o governo vai parar para discutir a retomada do seu crescimento e montar estratégias a fim de retomar as agendas perdidas nas crises econômica e fiscal que marcaram os anos 80 e 90. - Hoje, qual o número de desempregados em Alagoas? - O sistema que mede o contingente de desempregados no País, utilizando a metodologia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE, toma como parâmetro os resultados da amostragem. Essas amostragens, no Nordeste, geralmente são focalizadas nas grandes capitais, se restringem a Salvador, Recife e Fortaleza. Mas nossa Secretaria do Trabalho tem atualizado seu cadastro e constatou, por intermédio do Sistema Nacional de Emprego (Sine), que só em termos de demanda Maceió tem cerca de 70 mil pessoas cadastradas, solicitando empregos. - Este é o contingente de desempregados do Estado? - Não. Este é um dado do Sine, da Grande Maceió. Um dado importante, do próprio Ministério do Trabalho, mostrou que Alagoas foi o Estado que mais aumentou a oferta de empregos, foram mais de 34 mil novos postos de trabalho. Mas ainda não temos uma metodologia própria para medir o nível de emprego e desemprego com precisão. Nosso secretário do Trabalho, Corintho Campelo pretende desenvolver uma metodologia com esta finalidade. - Alagoas tem sua economia baseada na agroindústria da cana-de-açúcar, que nas últimas décadas vive em crise, reclama da economia nacional e cobra subsídios. Dá para estimar o índice de desemprego por causa deste comportamento do setor, que influencia tudo na economia alagoana? - Olha, o Estado tem um número elevado de pessoas excluídas. Quando se analisa a questão da renda per capita e se observa que uma pessoa precisa de, no mínimo, R$ 80/mês para suprir as condições básicas de sobrevivência, aí aparece que Alagoas tem 54% de sua população fora da linha de inclusão social. Isso quer dizer que, de uma população de dois milhões e oitocentos mil alagoanos, temos cerca de um milhão e quinhentas mil pessoas na linha de exclusão. - A exclusão aumentou? - Não. Pelo contrário. Recentemente tínhamos um milhão e oitocentos mil alagoanos na linha de exclusão. Mas não temos motivos para nos vangloriar, principalmente quando saímos de último lugar para quarto lugar. Porém, isto sinaliza na direção que podemos percorrer. - Onde há o maior nível de desemprego? - O grande empregador é o setor sucroalcooleiro, que já chegou a empregar mais de 150 mil pessoas e hoje tem menos de 110 mil. Quando acontece retração no setor a gente teme pelo aumento do desemprego na área rural. - No primeiro governo, Ronaldo Lessa dizia que aquele momento era de arrumação, ajustes na máquina, redirecionamento de tudo para que seu segundo governo fosse o do de-senvolvimento. Já estamos no segundo governo e agora? - No dia 12 de dezembro teremos a oportunidade de discutir o Estado. A última vez que houve esta discussão de forma propositiva, estruturada, foi durante os anos 60, na época do major Luiz Cavalcante. Observamos que há 40 anos o Estado vem atuando de forma reativa. Nos anos 60 foram lançadas as bases mais estruturantes do Estado atual. - Como? - Naquele momento foram lançados o Banco do Estado (Produban); a Companhia Energética (Ceal); a Companhia de Água (Casal); as bases dos instrumentos que levaram Alagoas nos anos 70 a conquistar a condição de segundo Estado em termos de desenvolvimento no Nordeste. - O que provocou o declínio que Alagoas apresenta hoje, com os piores indicadores sociais do País? - O declínio, no nosso ponto de vista, aconteceu nos anos 80. Neste período o País perdeu a velocidade de desenvolvimento. Tanto que os anos 80 são considerados a ?década perdida?. Nos anos 90, quando a maioria dos Estados tentou recuperar a década passada, a partir de um política nacional conhecida como a guerra fiscal, ou seja renuncia fiscal, Alagoas não pode participar desta corrida. - Por que? - Porque no final dos anos 90 houve uma crise fiscal sem precedentes que levou ao comprometimento daquela década. Tanto isso é verdade que toda base industrial lançada na economia alagoana nos anos 70 foi desativada, assim ocorreu com o Pólo Cloroquímico, que ficou como pólo de uma indústria só; os principais ativos: Ceal foi federalizado; Produban foi fechado; a Codeal também fechada; perdemos nosso dinamismo econômico. Então, em termos de planejamento, estamos com 40 anos de defasagem e em termos de desenvolvimento enfrentamos duas décadas de atraso. - Qual é a estratégia deste segundo governo Lessa para mudar este quadro? - Trabalhamos em três eixos. Um, que chamamos de ?meso? estabelece que Alagoas precisa diversificar a economia com outro item. Ou seja, da mesma forma que nos 70, quando o governo Suruagy apostou no Pólo Multifabril de Marechal Deodoro; trabalhando com arranjos produtivos químicos e plásticos; precisamos, hoje, trabalhar com um ou dois eixos nesta linha. Por isto, percorremos a corrente energética, assim queremos tornar Alagoas um pólo excedente: produtor e fornecedor de energia. Assim, trabalhamos na construção da Termo Alagoas e há três meses estamos discutindo com a Petrobras a definição da nova refinaria do Nordeste. A região apresenta um déficit de derivados de petróleo de 170 mil barris/dia e uma refinaria processa 120 mil barris/dia. Mesmo que esta refinaria seja instalada noutro Estado, nós pleiteamos que aqui seja instalada uma unidade de diesel por exemplo. - Quer dizer, então, que o novo modelo de desenvolvimento não tem mais a monocultura como suporte fundamental? - Não dá mais para a gente manter este modelo. A monocultura da cana é muito importante. Mas hoje precisamos, efetivamente, diversificar a economia, este é o eixo ?meso?. O eixo macro que trabalhamos visa retomar a agenda esquecida nos anos 70. Reativar o projeto de implantação de novas empresas no pólo multifabril; nesta agenda esquecida retomamos o Turismo, partindo do saneamento, da ampliação do aeroporto, da construção do centro cultural; trabalhamos com o setor privado que tem grandes resorts. Do mesmo jeito que estamos criando o pólo de piscicultura no baixo São Francisco e de agricultura familiar na região do Semi-árido. - Em tese, a estratégia retoma o desenvolvimento econômico. Mas o senhor não apontou como se resolve a situação dos excluídos, dos desempregados. - É verdade. Estes eixos que chamo de ?meso? e ?macro?, recuperam a agenda dos anos 70, que foi interrompida, e produzem muito mais efeito fiscal do que empregador: Vamos melhorar a arrecadação, mas sem gerar tantos empregos, reconheço. Tanto que estamos trabalhando no terceiro eixo, que chamamos de ?micro?. Umas das vertentes está no poder de compra do Estado, para fortalecer o mercado local. Dentro deste eixo, o governo também tem dado passos largos em torno da criação das agências de fomento para créditos que objetivam fortalecer as pequenas cadeias produtivas. Ainda carecemos de agência de fomento, mas já trabalhamos nesta vertente. O governo tem uma equipe, coordenada pelo professor Reinaldo Cupero, e deveremos receber suporte até do BNDES.

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